Continua nesta sexta-feira (08), a paralisação dos pipeiros que prestam serviço, em Juazeiro, no Norte da Bahia, à Operação Pipa, do Ministério da Integração Nacional, em parceria com o Ministério da Defesa. A manifestação contra a falta de assistência por parte da gestão municipal acontece desde essa quinta-feira (07), às margens da BA 210, na Estação de Tratamento do Serviço de Água e Saneamento Ambiental (SAAE), onde os profissionais costumam abastecer os veículos.
Em contato com o Portal Preto no Branco, o representante dos pipeiros, Flávio Coelho, informou que até o momento a direção do SAAE não firmou um acordo os profissionais. De acordo com ele, o órgão não está conseguindo fornecer água, em tempo hábil, para abastecer os carros e, prejudicando assim, o trabalho dos profissionais de levar água para as comunidades do interior que mais precisam.
“Nós ainda estamos aqui, parados, querendo uma resposta da direção do SAAE. Queremos fechar um acordo que nos garanta que o órgão vai fornecer água para os pipeiros. Só tivemos paliativas paliativas, mas queremos soluções definitivas”, declarou.
Em entrevista concedida nessa quinta ao PNB, Flávio afirmou que na gestão anterior, 22 carros pipa atendiam ao município de Juazeiro, mas, com as dificuldades criadas pelo atual governo, atualmente são apenas 13 pipas e mesmo assim eles enfrentam dificuldades para conseguirem água.
“É humilhante, é muita humilhação! A gente gente chega a passar até 4 horas aqui no ponto esperando para abastecer. Temos um contrato com o 72 BI de ofertar, no mínimo, 3 a 4 carradas por dia e tem dia que a gente não consegue abastecer nenhum carro. Ficamos no prejuízo, pois temos que bater uma meta mensal de 50 % e mais uma carrada e, se não cumprirmos isto pagamos multa, sendo que a culpa não é nossa, e sim da Prefeitura de Juazeiro”, contou.
Ele acresentou que os profissionais reivindicam o direito de trabalhar, de cumprir o contrato firmado com a operação, e assim garantir água à população do interior.
“A gente reivindica que a prefeitura forneça água pra gente trabalhar, que ela cumpra a parte dela no contrato com a operação Pipa, com o 72BI. A gente vem de longe, de cidades distantes, a gente se desloca, e quando chega em Juazeiro não tem água, porque o SAAE não disponibiliza. Além de sofrermos para custear o alto preço e aumentos constantes do óleo diesel, que acaba levando o lucro dos pipeiros, ainda sofremos este mal trato pelo município de Juazeiro, protestou Flávio.
O trabalhador cobrou uma resposta urgente da gestão municipal e fez alguns questionamentos.
“O município de Juazeiro, nesta atual gestão, já deu a parecer que não quer os pipas da operação do exército, pois não dá assistência em nada. Dá para a gente perceber que eles preferem que tire o dinheiro do município para pagar carro pipa, com o orçamento dos SAAE, do que receber esses caminhões por conta do Exército. Ao invés de usarem o dinheiro do município para investir em obras de infraestrutura, em saneamento, em colocar água encanada em outras outras regiões, por exemplo. Queremos uma pessoa do SAAE, da direção do SAAE para se reunir com a gente e resolver este problema de forma definitiva. Ou querem mesmo que os pipeiros do Exército saiam de Juazeiro e fiquem os carros do SAAE custeados pelo dinheiro do contribuinte do município?”, questionou Flávio Coelho.
Também em contato com o PNB, outros pipeiros
relatam ainda outra situação grave: “Aqui no ponto são dois bicos de água. Um bico de água tratada, e outro de água bruta. O SAAE vende água tratada para os pipeiros particulares, que na sua maioria leva água para chácaras, para molhar plantas e para nós, pipeiros da Operação do Exército, fornecem água bruta. Como esta água que levamos para o interior, é para consumo humano, nós colocamos pastilhas de cloro para melhorar a qualidade”, informaram.
Eles ressaltaram ainda que já pediram uma reunião com os representantes da prefeitura, mas até o momento, não foram atendidos.
“Esta gestão foi a que menos deu assistência aos pipeiros. Muitos já desistiram de trabalhar em Juazeiro, desde que este governo assumiu. Nas gestões passadas não havia este problema e a água era fornecida normalmente. Parece que eles não têm interesse em disponibilizar água para quem sofre com a falta dela nas comunidades do interior. Tem muita gente sofrendo com a falta de água e a prefeitura sem dar nenhum valor a um programa tão importante do Governo Federal”, disseram.
O PNB já encaminhou as reclamações e reinvidicações ao SAAE de Juazeiro, mas até o momento não obtivemos respostas.
Operação Pipa
A Operação Pipa existe há 13 anos. O Ministério da Integração Nacional, representado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, em parceria com o Ministério da Defesa, representado pelo COTER, criaram a referida Operação a fim de auxiliar as Ações de Defesa Civil Municipais, complementando a distribuição de água realizada pelas prefeituras nas regiões do semi-árido brasileiro atingidos pela estiagem. No início, a Operação era temporária, ou seja, acontecia nos momentos em que a estiagem se prolongava, entretanto, com o passar do tempo, verificou-se a necessidade de realizar a Operação de forma contínua, haja vista o rigor do período de seca, o crescente número de municípios incluídos e a confiabilidade do Governo Federal no trabalho do Exército.
Redação PNB



