De segunda a sexta-feira, logo nas primeiras horas do dia, filas começam a se formar em frente a agência da Caixa Econômica Federal, localizada no centro de Juazeiro, Norte da Bahia. Diariamente, centenas de pessoas procuram o banco em busca dos serviços ofertados pela instituição financeira.
Porém, apesar de chegarem cedo na agência, as vezes até mesmo na madrugada, muitas pessoas estão tendo o tempo de espera prolongado, ou até mesmo não estão conseguindo ser atendidas por conta de uma prática ilegal que vem acontecendo há anos no local, conforme denunciou uma correntista. Segundo ela, já se tornou habitual a comercialização de lugares nas filas.
“Existe um comércio de lugares nas filas para atendimento na Caixa Econômica. São vários homens que estão comandando essa venda. Logo cedo eles chegam e marcam os locais com pedras, blusas, papelões, bolsas, ou até mesmo usam os colegas que fingem ser correntistas, para reservar os lugares que serão vendidos ao longo da manhã. Às 7h da manhã de hoje ouvi um deles dizendo para outro que já tinha vendido 20 lugares. Essa situação vem acontecendo há anos, mas o que me chamou a atenção, é que agora eles também estão vendendo lugares nas cadeiras disponibilizadas no local pela prefeitura. Tem um homem, que chega sem nenhuma identificação, e tira as correntes dessas cadeiras, que tem o nome da Seduc, e cada um dos vendedores pegam sua fileira para comercializar. Essa pessoa, que também deve fazer parte do grupo, some depois de algum tempo. Esses cambistas ficam assediando as pessoas ao longo da fila, oferecendo os lugares pelo valor de R$ 50,00”, relatou.
A correntista reclama ainda da falta de fiscalização do poder público e organização da Caixa Econômica Federal, para coibir a ação irregular.
“Não tem um guarda municipal no local para fiscalizar a situação. Muitos idosos, gestantes, mães com crianças de colo, e pessoas com deficiência acabam ficando em pé na fila, porque as cadeiras ficam para quem compra os lugares. Tudo isso acontece na frente de todos e ninguém toma uma providência. Todo mês é isso. Além disso, todo dia acontece uma confusão, uma briga por conta da venda dos lugares. Será que só vão fazer algo quando acontecer uma situação grave, uma morte? Estou indignada com isso. Cadê a Prefeita Suzana Ramos? Cadê a Guarda Municipal? Cadê a polícia? Será que não estão vendo isso acontecer bem no centro da cidade?”, questionou.
O PNB também está enviando a denúncia para a gerência da CEF, a Polícia Militar, e a Prefeitura de Juazeiro.
Outra reclamação
Em julho do ano passado, o correntista Geovane Oliveira já havia denunciado a situação.
“São cerca de trinta pessoas que todos os dias ocupam as vagas ainda durante a noite, para vender no dia seguinte. São os chamados “guarda- lugares” que chegam a cobrar de R$50,00 a R$150,00 por cada lugar na fila. As pessoas que não concordam com essa prática inaceitável e até mesmo que não tem condições de comprar a vaga, perdem o atendimento e ficam prejudicadas. Além disso, quando vamos reclamar da situação com esses cambistas, eles agem com agressividade e fazem ameaças”, relatou Geovane.
O leitor cobrou ainda ações por parte do poder público.
“Essa situação é um absurda, e vem acontecendo há anos, ficando cada vez pior. Sem nenhuma providência dos órgãos responsáveis, o problema só cresce. A prefeitura precisa fiscalizar essas filas e a Caixa precisa ordenar os agendamentos dos atendimentos para acabar com esse câmbio de vagas nas filas da agência. Os órgãos públicos precisam tomar alguma atitude. A população merece o mínimo de respeito”, desabafou.
Na época, ao PNB, o Sindicato dos bancários de Juazeiro e região afirmou que “não tinha conhecimento dessa prática. Mas que irá cobrar da prefeitura uma fiscalização nesse espaço público, até mesmo por ser fora do banco”. O sindicato disse ainda que “seria o caso da Guarda Municipal, junto com a polícia coibir essa prática e penalizar os envolvidos”, fez um alerta aos correntistas e usuários “pedimos que a população não compre essa marcação de lugar, pois está incentivando essa prática ilegal”, orientou a entidade.
Na ocasião, também entramos em contato com a Prefeitura de Juazeiro. A Ascom informou que, “desde o início desta gestão vem disponibilizando cadeiras e toldos para dar conforto e segurança à população que busca o serviço bancário, em parceria com as agências, o que inclui o apoio da Guarda Civil Municipal (GCM). Mesmo a fiscalização das filas sendo de responsabilidade dos bancos, os guardas civis estão presentes na área bancária todos os dias, e nos dias de atendimento, orientam os usuários para, caso flagrem a venda de lugares na fila, acionem a GCM ou a Polícia Militar. Para acionar a Guarda Civil Municipal basta ligar para 153 e 74 3611-9880 ou a Polícia Militar pelo 190”.
Redação PNB foto arquivo




A irregularidade está em a caixa econômica tratar os clientes da forma que tratam, e não no fato de haver pessoas suprindo uma necessidade de acordo com uma demanda que se apresenta.
Ou estaria se aproveitando dos outros uma pessoa que vendesse pastéis a quem estivesse faminto naquela mesma fila ou alugando bancos aos cansados?
O fato de reservar lugar na fila não é a transgressão. Se ela vier com coação, aí, sim, devem ser adotadas medidas combativas.