Atendimento no Hospital de Campanha de Juazeiro é encerrado nesta terça-feira (31)

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O atendimento do Hospital de Campanha de Juazeiro, no norte da Bahia, criado para receber pacientes com Covid-19, foi encerrado nesta terça-feira (31), após a queda no número de infectados.

Desde setembro do ano passado, a unidade vinha funcionando com 20 leitos, sendo 10 para pacientes intermediários, cinco para pacientes em investigação de diagnóstico e cinco para pacientes mais graves que precisam de suporte ventilatório.

Nos últimos meses, o PNB recebeu denúncias sobre a precariedade no atendimento do HC. No dia 23 de abril deste ano, o usuário Joaquim Sena reclamou da falta de lençóis e toalhas para os pacientes na unidade.

“Esse paciente chegou na urgência e emergência do hospital de campanha (UPA) de Juazeiro as 18h00 horas de ontem. Eu precisei passar na urgência e emergência do mesmo órgão, então passei pela triagem e fui encaminhado para a enfermaria. Chegando lá me deparei com essa situação. O paciente encolhido na cama por conta do frio, usando apenas uma fralda geriátrica. Falei com a enfermeira, cobrei lençol para o paciente que estava internado naquelas condições. Então a técnica me falou que o hospital de campanha estava sem lençol há 15 dias, e que não podia fazer nada, pois infelizmente não tinha. O paciente passou a madrugada toda se tremendo de frio, sem nenhum pano para se embrulhar. Eu conversei com um funcionário da instituição, e ele me falou que tava complicado para dá banho nos pacientes, pois após o banho não tinha uma toalha ou lençol para enxugar o paciente”, disse na época.

Na ocasião, o PNB encaminhou a reclamação para a Secretaria de Saúde. Em resposta, o órgão informou que “repõe frequentemente estes materiais na unidade. Porém, devido à alta rotatividade de lavagens em ambiente hospitalar, eles se desgastam rapidamente. A Sesau entrará em contato com o fornecedor para garantir mais lençóis para a unidade.

Em janeiro deste ano, um servidor relatou a sobrecarga de trabalho e a exaustão dos profissionais de saúde que atendem no hospital. O servidor pediu na época ajuda à gestão municipal.

“Venho através desse contato, reclamar de muitas coisas que estão acontecendo no Hospital de Campanha de Juazeiro. Este é um relato de um funcionário que pede as autoridades, e a nossa Prefeita Suzana Ramos que olhem mais paro o hospital, pois estamos com uma sobrecarga de trabalho. São poucos profissionais e a assistência aos nossos pacientes é precária”, disse o profissional.

Ele continuou seu relato, denunciando a falta de material de trabalho.

“Tem dia que paciente não toma banho, por falta de lençol. Um calor excessivo, que tem deixado muita gente ainda mais doente, e não temos uma estrutura boa. Uma falta de vergonha recebermos os pacientes sem um lençol. É um lugar sem boas condições de trabalho. Oferecemos um trabalho não tão satisfatório, como nossos pacientes merecem”.

Ele finalizou pedindo que a Secretaria de Saúde libere as férias vendidas de servidores que atendem na unidade e que envie mais profissionais para dar suporte ao atendimento aos pacientes com complicações da Covid-19.

“Venho aqui dizer também, que as férias dos técnicos que enfrentaram a COVID, desde o início da pandemia, estão vencidas. Foram dadas algumas férias, mas cancelaram devido ao alto índice de pacientes com síndrome gripal. Estamos cansados, precisamos de ajuda, de mais profissionais para que possamos tirar nossas férias para descanso. Precisamos de mais estrutura e que a gestão olhe mais para os nossos pacientes”, concluiu.

Após as declarações do servidor, fizemos contato com outros profissionais que atendem no Hospital de Campanha, e eles confirmaram as informações: “E tem mais coisas”, disseram, acrescentando que: “a equipe de profissionais está reduzida, faltam medicações básicas, existem pacientes diagnosticados com a covid-19, junto com pacientes negativos. Não tem segurança na portaria para intermediar qualquer conflito, já que acontecem discussões e até invasões de familiares dos pacientes, na unidade, que chegam a afrontar a equipe. E isso tudo se estende também a UPA”.

Sobre as denúncias, não obtivemos na época respostas da Sesau.

O HC foi inaugurado no dia 10 de agosto de 2020 pelo então prefeito Paulo Bomfim, com o objetivo de ampliar a oferta de leitos durante o enfrentamento da pandemia no município. A unidade de saúde contava com 30 leitos equipados para receber pacientes intermediários.

Até ontem (30), Juazeiro estava com 15 casos ativos do novo coronavírus. Ainda de acordo com o boletim da Sesau, na rede hospitalar, o percentual de ocupação dos leitos de UTI para Juazeiro na rede PEBA (hospitais de Pernambuco e Bahia) é de 19%, com 52 leitos disponíveis. Somente em Juazeiro, 0% dos leitos de UTI para pacientes com Covid-19 estão ocupados, com 10 leitos disponíveis.

 

 

Redação PNB

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