Durante o debate entre os candidatos à presidência da República transmitido pela Band, na noite deste domingo (28), o presidente Jair Bolsonaro, candidato a reeleição, atacou a jornalista Vera Magalhães no momento em que a profissional fez uma pergunta direcionada a Ciro Gomes sobre o Plano Nacional de Imunização. A jornalista escolheu Bolsonaro para comentar a questão, que abordava a queda da cobertura vacinal infantil no Brasil e as mortes pela Covid-19, quando o presidente se descontrolou e chamou Vera Magalhães de “vergonha para o jornalismo brasileiro”.
“Vera, não podia esperar outra coisa de você. Eu acho que você dorme pensando em mim, você tem alguma paixão por mim. Você não pode tomar partido num debate como este, fazer acusações mentirosas a meu respeito. Você é uma vergonha para o jornalismo brasileiro”, atacou Bolsonaro.
Durante o ataque a Vera Magalhães, a senadora Simone Tebet, candidata pelo MDB, tentou defender a jornalista, sendo também atacada por Bolsonaro. Foi o começo de uma série de manifestações em defesa da entrevistadora, com as adversárias de Bolsonaro explorando outras afirmações e condutas consideradas misóginas que ele vem colecionando ao longo de sua vida pública.
Em junho deste ano, o chefe de estado foi condenado em segunda instância por fazer ataques considerados misóginos a outra jornalista parte do debate, Patricia Campos Mello, do jornal Folha de São Paulo.
O destempero de Bolsonaro com suas declarações misóginas e grosseiras, principalmente com mulheres jornalistas, destoa de uma das metas de sua campanha de reduzir a desvantagem que enfrenta entre o público feminino, com o ex-presidente Lula. Segundo o mais recente Datafolha, Bolsonaro tem 29% entre as mulheres, contra 47% de Luiz Inácio Lula da Silva.
Bolsonaro e a vacina
Durante a pandemia, o presidente fez alegações falsas sobre vacinas. Bolsonaro é investigado em um inquérito no Supremo Tribunal Federal por ter feito publicamente uma associação entre a vacina contra Covid-19 e o risco de desenvolver Aids. A Polícia Federal considera que Bolsonaro cometeu crime e pediu a prorrogação da investigação.
Vera Magalhães
A jornalista tem 50 anos e nasceu na cidade de São Paulo, onde se formou em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Na década de 90 ela foi repórter no Diário do Grande ABC e foi promovida a editora.
Em 1995 Vera se casou com um assessor de imprensa do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e ex-diretor da revista Veja, Otávio Cabral. Já foi redatora, pauteira, coordenadora de Política, repórter e editora de revista.
A profissional já passou pela coluna Painel, pelo blog É tudo Política, Folha de S.Paulo, pela Jovem Pan, programa Jornal da Manhã e programa Roda Viva na TV Cultura. A lista de passagens profissionais da jornalista é extensa.
Atualmente, Vera apresenta um programa da TV Cultura, é colunista do Jornal O Globo, é comentarista da CBN e apresenta também o podcast 2+1.
Redação PNB



