O jovem Clementino José dos Santos Júnior, 23 anos, internado no Hospital Promatre, em Juazeiro, com suspeita de ter sofrido um infarto, está aguardando por uma regulação para que possa fazer um procedimento de cateterismo.
Além da habitual dificuldade por regulação, o paciente pesa 170 quilos e nenhum hospital da região, conveniado com o SUS, realiza o procedimento por falta de estrutura adequada para pessoas com obesidade mórbida, segundo a Central de Regulação Interestadual de Leitos, Cril. Nem mesmo o Hospital Promatre, referência em cardiologia, faz o cateterismo em pessoas com o peso do jovem.
Em contato com nossa redação, familiares informaram que o Hospital Memorial, em Petrolina, conveniado com a rede, foi contactado para realizar o procedimento, mas também não atende a obesos mórbidos. A família está aflita e temendo que o estado de saúde do jovem se agrave.
“Assim ele vai morrer, pois se a Promatre, que é referência não faz, o Memorial que é conveniado também não faz, fica difícil. Deveriam ter um aparelho mais avançado, que suportasse um paciente até 200 quilos, pois não tem um peso especifico para se adoecer”, avaliou a esposa de Clementino.
Ela chegou a procurar o Neurocárdio, em Petrolina, e foi informada que a instituição possui estrutura para realizar o procedimento, mas o hospital não é conveniado com o SUS.
“Nós já fomos ao Ministério Público para que encontrem uma solução via judicial. Meu marido não pode morrer a míngua”, disse a mulher.
Procurada pelo PNB, a Central de Regulação informou que “não tem como receber no Memorial, já que não tem suporte para o paciente obeso. Foi tentada senha de urgência para o Procape, em Recife, mas também não aceitaram. Foi regionalizado e a Central Estadual da Bahia está buscando uma solução”.
O caso
No último dia 9, o PNB publicou uma reportagem com o apelo de familiares do jovem, morador do bairro Alto do Alencar, que estava internado desde a terça-feira (06) e sem acesso a um cardiologista na Promatre, referência no atendimento de cardiopatias.
De acordo com Jéssica, esposa do paciente, exames realizados no hospital apontaram que ele tinha sofrido um infarto e precisava de uma avaliação urgente do especialista.
“Ele fez um eletrocardiograma e pelo exame estão com suspeita de infarto. Mas ele passou esses dias todos sendo acompanhado apenas por um clínico geral, pois não tinha nenhum profissional cardiologista no hospital. Ele está com dores fortes e precisando ser avaliado pelo cardiologista para passar pelo procedimento específico. Estamos desesperados sem saber o que fazer, porque um hospital referência em cardiologia como a Promatre, não tem um profissional cardiologista por conta do feriado, é um absurdo. É um descaso com a população”, reclamou.
Ainda de acordo com a esposa do jovem, o estado de saúde do paciente, se agravou nos últimos dias, sendo necessária a transferência para um leito de Unidade de Terapia Intensiva.
“Ontem além da dor forte, ele começou a cansar e ficar com falta de ar. A mãe dele, que estava como acompanhante dele, começou a reclamar e transferiram ele para a UTI. Lá na Promatre disseram que, talvez, hoje apareceria um cardiologista, só que a gente não sabe se realmente o médico apareceu. Hoje fomos informados que estão esperando regulação para o hospital Memorial, em Petrolina. Estou sem saber o que fazer, pois ele é um paciente de 170 kg, tem obesidade e vai chegar uma hora que ele não vai ter mais força. As dores que ele está sentindo são muito fortes e eles estão aplicando morfina, mas não está resolvendo. Ele esta morrendo a míngua”, acrescentou.
O PNB encaminhou a reclamação para o Hospital Promatre, mas não obtivemos respostas.
Redação PNB



