O presidente da ONG Coletivo Cores, em Petrolina, Alzyr Brasileiro, enviou ao PNB denúncia de supostos casos de lesbofobia que teriam acontecido em estabelecimentos de Juazeiro(BA) e Petrolina (PE).
Um dos casos relatados foi na última segunda-feira (26), numa casa de sopa, no bairro Santo Antônio, em Juazeiro, quando duas mulheres casadas trocavam gestos de carinho no local e foram abordadas pelo dono do estabelecimento “Soparia Bem Feitinho” alegando que “não era local para elas trocarem beijos”. O casal tentou dialogar com o homem, mas ele não aceitou a presença das duas clientes, segundo a denúncia.
“As duas mulheres que são casadas foram abordadas pelo dono do estabelecimento de forma preconceituosa. Ele alegou que ali não era local para elas trocarem beijos. Elas buscaram diálogo e o homem foi reticente, não aceitando a presença e nem respeitando o amor das duas mulheres”, contou Alzyr.
O outro teria acontecido na última sexta-feira (23) no Restaurante Da Vila, na orla de Petrolina. De acordo com Alzyr Brasileiro, duas mulheres escolheram o espaço para celebrar o casamento. Quando já estavam dentro do restaurante foram abordadas por um servidor público da área de segurança, também cliente do estabelecimento, que não aceitou ver duas mulheres demonstrando afeto no local. Elas tiveram que deixar o restaurante, relatou o presidente da Cores.
“Não podemos mais aceitar tal violência! Em menos de uma semana dois casos de preconceito e discriminação em restaurantes de Petrolina e Juazeiro. Não podemos deixar que nosso amor seja marginalizado, que nossos corpos sejam humilhados, violados e violentados. Chega!”, protestou Alzyr.
O ativista da comunidade LGBTQIAP+ orientou as vítimas de qualquer tipo de violência a denunciarem nos órgãos competentes.
“A Cores apoia e se disponibiliza no que for necessário para a luta contra qualquer tipo de LGBTFOBIAS. As denúncias devem ser feitas nos órgãos competentes e seguir com ações judiciais, e também no App RUGIDO ou através do e-mail denuncia@cores.org.br”, concluiu.
Alzyr Brasileiro informou ao PNB que as vítimas dos dois episódios estão acionando à justiça.
Posicionamento dos estabelecimentos
O Da Vila Restaurante publicou, após denúncia veiculada na página do Instagram do Coletivo Cores, uma nota de esclarecimento:
“Desde que abrimos, há nove anos, sempre recebemos com respeito, carinho e cuidado a cada cliente. Em todo esse tempo nunca tivemos um só episódio de discriminação, seja por cor, credo, identidade ou orientação.
E, justamente por isso, estamos mobilizados em apurar todos os detalhes sobre a discussão envolvendo alguns de nossos clientes, na última sexta, 23/09/22. Não vamos divulgar as imagens das nossas cameras em respeito à privacidade dos nossos clientes, mas já as colocamos à disposição da justiça.
Não compactuamos com violência, de nenhum tipo, seja lá de quem parta. E foi exatamente por essa razão que, de imediato, pedimos a todas as pessoas envolvidas na discussão a se retirarem do nosso salão.
Para nós o respeito é inegociável. Está em cada prato e também em cada gesto. Continuaremos a receber e atender todas as pessoas com a mesma igualdade e carinho que são nossa marca desde nossa abertura.”
A Soparia Bem Feitinho se posicionou através de story no Instagram (publicação que é apagada após 24h).

Lesbofobia
Lesbofobia é a intersecção entre a homofobia e o sexismo contra mulheres lésbicas. Essa forma de violência se configura enquanto uma forma de negatividade em relação às mulheres lésbicas como indivíduos, grupo social e seus relacionamentos, englobando preconceito, discriminação, abusos, sentimentos e atitudes, que podem variar do desdém e hostilidade a violências físicas e sexuais, como o “estupro de correção”.
A exclusão e discriminação social, o patriarcado, as ideias de privilégio masculino e a objetificação social fazem parte de um espectro em que a misoginia se manifesta na sociedade. Misoginia, por sua vez, tem por definição o ódio ou aversão às mulheres. Esse termo tem sido amplamente estudado por autoras e autores que discorrem sobre violências de gênero e seus desdobramentos.
No Brasil, observamos um aumento de 237% no assassinato de mulheres lésbicas no Brasil nos últimos três anos, segundo pesquisa divulgada em 2019 pelo Instituto Patrícia Galvão. São escassas, ainda, os dados sobre as violências sofridas por este grupo, pois a formalização das denúncias é dificultada pelo medo, pela falta de rede de apoio e capacitação adequada de profissionais.
Redação PNB



