Além da reclamação de empreendedores da Vila Bossa Nova e de condutores de veículos, sobre a interdição da orla II de Juazeiro para a realização da XIV edição da Exposição de Caprinos e Ovinos do Vale do São Francisco, músicos que se apresentam nos estabelecimentos do espaço, também dizem que serão prejudicados.
Segundo o músico Allan Cleber, a falta de acesso ao espaço reduz o movimento dos bares e os artistas também são impactados.
“Isso afeta até nós artistas que trabalhamos na Vila Bossa Nova. Sem público não há show. E fora a dificuldade de achar vaga para estacionar e retirar material das bandas, pois o trânsito fica inviável. Virou moda! Que façam os eventos, mas não fechem a orla, não isolem a vila. Os profissionais do trânsito presentes seria suficiente para organizar o trânsito e garantir a segurança”, reclamou Allan.
O músico Marcelo Vidal destacou que a integração da Vila Bossa Nova aos eventos públicos seria uma forma de valorizar o turismo e também os artistas locais.
“Essa exclusão da Vila Bossa Nova atrapalha não só os contratantes, donos de bares, como também, nós trabalhadores da música, que ficamos sem o dinheiro da semana. Vivemos de produtividade, no dia que não trabalhamos sofremos a necessidade de sustento simples. A gestão deveria valorizar o turismo e a arte local, e não atrapalhar”, disse Marcelo.
Ao PNB, na manhã desta terça-feira (09), empreendedores da Vila Bossa afirmaram que a situação está comprometendo o funcionamento dos empreendimentos.
“Sempre que interditam a orla, a gente perde de 50% a 60% do movimento, e como geralmente a montagem da estrutura dura uma semana, ficamos vários dias com o movimento fraco. Então, a gente perde movimento durante a montagem, durante o evento, e durante a desmontagem da estrutura. Ou seja, a gente fica de duas a três semanas com o movimento fraco para todos os lojistas”, relataram.
A Companhia de Segurança, Trânsito e Transporte (CSTT), informou que a área segue interditada até o próximo domingo (14).
O diretor-presidente da CSTT, Tenório Filho, explicou que a interdição se faz necessária para evitar acidentes. “Devido ser uma feira que é reconhecida nacionalmente, e com a expectativa de um grande número de famílias visitando, a interdição da Orla II se faz necessária, uma vez que na última exposição onde não houve interdição da área, foram registrados acidentes no local, por isso, neste ano nos antecipamos e interditamos a área para evitar que acidentes aconteçam.”
O gestor afirmou que o “acesso à Vila Bossa Nova não será prejudicado, pois os motoristas poderão acessar a área pela lateral da academia Lótus, na Rua José Petitinga”.

Reivindicação dos empreendedores da Vila Bossa Nova
Os empreendedores reclamam que não são avisados com antecedência sobre a realização de eventos na orla 2. Eles ressaltaram ainda que a situação já foi debatida em reunião com a gestão municipal, mas até o momento não houve nenhuma mudança
“A gente nem é comunicado dos eventos. Quando vemos, já estão levantando o tapume e interditando a orla. Só ficamos sabendo do evento no dia. Ao longo do ano a gente fica sempre com um coração na mão, nos questionando se vai fechar ou não o acesso. A gente se sente como se fosse algo pessoal, um esforço para prejudicar e para inviabilizar a atividade da Vila Bossa Nova. Há cerca de um ano tivemos uma reunião com a prefeita, e com representantes da Semaurb (Secretaria de Meio Ambiente e Ordenamento Urbano), pedimos para que não interditassem a orla durante os eventos. Mas, do que é tratado em reunião, para o que efetivamente acontece, a distância é muito grande. Não sabemos se a prefeitura dá uma ordem e não obedecem, ou se é desorganização mesmo. Está muito difícil investir em Juazeiro. A única vez que fomos vistos como parte do evento foi no aniversário de Ivete Sangalo. Infelizmente, em Juazeiro não existe respeito com quem é trabalhador formal, por parte da gestão municipal”, finalizaram.
Redação PNB



