Familiar denuncia que internos estão sofrendo maus tratos no “chapão”, considerado o inferno do Conjunto Penal de Juazeiro; unidade está sob intervenção

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Um familiar de um detento do Conjunto Penal de Juazeiro, que está sob intervenção desde o último dia 10 de outubro, em contato com nossa redação, denunciou que alguns internos de um pavilhão da unidade prisional estão sofrendo maus tratos.

Segundo o familiar, após uma recente operação que aconteceu na unidade, os detentos foram colocados de castigo em um local conhecido como “chapão”, destinado a presos provisórios.

“Sou familiar de um detento que se encontra no Conjunto Penal de Juazeiro, onde recentemente foi feita uma operação que resultou em um castigo a todos detentos de uma cela do pavilhão B que agora se encontram no chapão, o que é errado, já que presos sentenciados devem estar no pavilhão, onde também estão sem materiais de higiene de limpeza, sendo tratados como porcos.

De acordo com o familiar, a punição se deu após os agentes da operação encontrarem celulares na cela. Ele questiona o castigo aplicado a todos os detentos, mesmo alguns não sendo responsáveis pelos aparelhos apreendidos.

“Na cela onde eles moram foram encontrados celulares, mas todos não podem pagar pelos erros de um ou dois, além de outras celas também terem sido encontrados celulares, drogas e eles não foram para o castigo? Dentro de uma cela tem cinco presos, tem um hipertenso, um senhor que já tem idade avançada. Fora que não tem ventilador, muito menos lugar onde entre ventilação, e com esse calor que está fazendo fora do normal, pode acabar uma pessoa morrendo por desidratação,” contou.

O familiar finalizou relatando atos de violência contra os internos: “Sei que eles erraram, mas estão pagando pelo erro deles. Já não basta estarem presos e tem que tá passando por essa humilhação. Também queria falar que alguns dele foram maltratados, com chutes e murros,” finalizou.

Estamos buscando contato com a nova direção da unidade prisional.

Chapão- o inferno

O “chapão”, como chamam os internos, é considerado o “inferno do presídio”. Na verdade, são módulos que funcionam como uma espécie de sistema de segurança máxima. O espaço, destinado a presos provisórios, tem uma ventilação precária e sem acesso a ventiladores nas celas. As lâmpadas são acesas por volta das 17:30 e apagadas entre  22:00 e 23:00 horas. Os presos destes módulos tiram duas ou três horas de banho de sol no solário do espaço e passam o restante do dia dentro das celas. Os módulos foram construídos para presos provisórios, porém um deles, o módulo 4, funciona para presos sentenciados recém chegados na unidade e para os presos sentenciados que já são da casa. Com capacidade total para aproximadamente 400 detentos, o espaço abriga um número bem maior de detentos, registrando superlotação.

Mudança na direção

No dia 17 de outubro, o diretor da unidade prisional, Manoel Tadeu, que estava no cargo há mais de 16 anos foi exonerado. O Policial Penal Archimedes Benício Leite Neto foi nomeado como o novo diretor da unidade.

Também foi exonerado o Capitão PM Gilvan Barbosa da Silva do cargo de Diretor Adjunto do Conjunto Penal de Juazeiro. No lugar do PM, foi nomeado o Policial Penal José Fabiano Barbosa Carvalho, que desde o último dia 10, vinha atuando como Diretor Interventor do CPJ.

Redação PNB

 

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