“Somos Todos Parte do Mesmo Brasil”, por Rivelino Liberalino

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Fui surpreendido ontem com uma postagem revoltante. Vi a imagem de um empresário com sua esposa e sua filha pequena, e o comentário de um professor universitário — alguém com formação, experiência e suposta maturidade — desejando “guilhotina” para aquela família.

Confesso que nunca compreendi esse ódio tão explícito, tão feroz contra a classe empresarial. Especialmente quando parte de quem deveria ter o dever de ponderação: um professor universitário. Um educador. Um mestre.

As palavras de um docente carregam peso. São formadoras. E mais ainda quando vêm de alguém com 77 anos, idade que supostamente deveria ser coroada pela razão. Poderíamos até, por caridade, imaginar alguma limitação cognitiva, uma doença degenerativa comum nessa fase da vida. Mas não: a mensagem era articulada, clara, consciente do que dizia. E isso a torna ainda mais preocupante.

Não se trata apenas de um ataque político. Não é só ideologia. É incitação à violência. Contra uma família. Incluindo uma criança.

E eu pergunto: por quê? Por que esse ódio tão grande contra quem empreende?

É triste ver como algumas narrativas insistem em colocar empregados contra empregadores, como se fossem inimigos em trincheiras opostas. Como se houvesse “nós” e “eles”.

Mas não há. Não deveria haver.

Ninguém está fazendo favor a ninguém — existe uma relação de troca justa, onde cada um contribui com o que tem de melhor. Um oferece o trabalho, o suor, o talento. O outro organiza, investe, arrisca o patrimônio, cria oportunidades.

O maior projeto social de qualquer país é justamente a oferta de empregos.

É o emprego que dá dignidade. Que permite ao pai ou à mãe de família, com o suor do seu trabalho, trazer o pão de cada dia para a mesa com honra. É o que dá a ele a oportunidade de olhar nos olhos da esposa, dos filhos, e dizer: “eu consegui”.

E não apenas isso: o empresário que hoje gera empregos muitas vezes já foi um funcionário. Já esteve no chão de fábrica, no balcão de vendas, no escritório. Ele sabe o que é começar de baixo. E ao empreender, ele oportuniza também que outros venham a empresariar. Abre caminho para que novos negócios surjam, criando ainda mais vagas de trabalho. É dar a vara de pescar, não só o peixe.

Não dá para imaginar o quanto é difícil empreender nesse país. Não é fácil abrir uma empresa e mantê-la viva em meio a impostos altos, burocracia sem fim, leis complexas e uma concorrência brutal. Estatísticas mostram que, onde antes uma empresa durava 5 anos, hoje muitas não sobrevivem nem 2.

E mesmo assim, a imensa maioria insiste. Acorda cedo. Vai dormir tarde. Passa noites em claro pensando em como pagar salários, impostos, fornecedores. Segura o choro para que a família não veja o medo de falhar.

E falhar não é só perder um negócio. Muitas vezes é perder uma vida inteira de esforço, ter que vender o que tem para pagar direitos trabalhistas — porque a lei assim exige, e deve mesmo exigir. E a grande maioria paga, mesmo que isso custe o patrimônio de uma vida.

Também não existe favor do outro lado. O trabalhador vende sua força, sua inteligência, seu tempo. Merece respeito. Merece segurança. Merece dignidade. E hoje, graças à lei e à fiscalização, a imensa maioria das empresas se esforça para cumprir isso.

Não é perfeito. Há exceções — empresas que exploram, burlam, maltratam. Mas não se faz justiça transformando a exceção em regra.

Também não se constrói nada pregando ódio, tomando o que é do outro como se fosse direito automático. Isso não é justiça. É crime.

Empresas e trabalhadores não são inimigos. São parceiros. São como as duas asas do mesmo pássaro: se uma falha, o voo não acontece.

E olhem ao redor: pensem no médico que cuida de nós. No advogado que nos orienta. No padeiro que faz nosso pão. No marceneiro que constrói nossa mesa. No caminhoneiro que traz o alimento. No professor que ensina nossos filhos.

Ninguém vive sem o outro.

Essa é a beleza da sociedade: somos interdependentes. Precisamos uns dos outros. E essa divisão que alguns alimentam — de patrão contra empregado — não ajuda em nada.

O patrão precisa do empregado. O empregado precisa do patrão. Simples assim.

E além de gerar salários, os empreendedores pagam impostos que financiam saúde, educação, segurança, programas sociais. Isso também é contribuição social — e precisa ser reconhecido.

A verdade é que todos, na ponta final, querem a mesma coisa: sustentar a família, viver com dignidade, dar aos filhos um futuro melhor.

Está na hora de parar de brigar como inimigos, de se ver como inimigos — principalmente a classe operária — e começar a olhar uns para os outros como verdadeiros parceiros.

E mais do que isso: está na hora de não se deixar influenciar nem se inflamar com discursos rasos de quem sequer tem história, de quem nunca pregou com o exemplo, de quem não sabe o que é carregar esse peso.

É muito fácil subir em uma tribuna, discursar bonito. Muito fácil ter palavras elegantes. Mas o que esse país precisa não é de discurso.

Nós, ocidentais, nos encantamos muito com palavras — com o político, o religioso, o líder que discursa. Mas precisamos mesmo é dar valor às atitudes. Aos exemplos. Ver se a fala combina com o agir. Porque é fácil falar, meu irmão. Difícil é viver.

Que Deus abençoe o trabalhador. Que Deus abençoe o empreendedor. Que Deus abençoe esse Brasil que é de todos nós.

Rivelino Liberalino, advogado

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