Em carta, detentos do Conjunto Penal de Juazeiro denunciam maus-tratos e humilhações; familiares apelam por investigação

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Familiares de detentos do módulo 1 do Conjunto Penal de Juazeiro denunciam supostos casos de maus-tratos, humilhações e constrangimentos sofridos pelos internos. Eles nos enviaram uma carta em que um detento e seus companheiros, detalham as condições enfrentadas na unidade.

“Nos procedimentos, eles são humilhados verbalmente, chamados de ‘presos burros’, e xingam os familiares. Além disso, são obrigados a ficarem sem roupas e, dessa vez, passaram de todos os limites, filmando os detentos de costas, obrigando-os a se agacharem de costas e tendo partes íntimas filmadas. Eles já pagam à justiça por seus atos numa jaula onde sequer tem energia, a única luz é a do sol,” relatou o familiar de um detento, que preferiu não se identificar temendo represálias.

Os denunciantes relatam ainda que cachorros da raça Pitbull foram colocados dentro das celas para oprimir e lamber os detentos, e que os pertences dos internos são frequentemente destruídos.

“Quebram tudo dentro das celas e jogam as comidas fora, sendo que os familiares fazem o impossível para levar as coisas, e eles chegam e quebram, como fizeram com vários rádios que nós familiares compramos, muitas vezes até sem termos condições,” desabafa.

 

Os familiares pedem que o Ministério Público, o Judiciário e entidades ligadas aos direitos humanos intervenham na situação.

“Já é humilhante tudo que passamos para conseguir entrar e visitá-los, e o pouco que levamos logo em seguida que saímos da visita é derramado e quebrado. O MPBA e o juiz precisam fiscalizar isso. Cadê o pessoal dos Direitos Humanos?” completou.

Carta

Em um trecho da carta, o autor diz que “muitos estão desistindo do atendimento, pois tratam nós como cachorros, algemados, ferindo o preso, jogando spray de pimenta nas celas, sendo que existem presos hipertensos, com problemas de coração, asma e o spray só falta nos matar”.

“Somos um total de 170 presos em um módulo e já estamos pagando pelos nossos atos e dessa maneira não estamos aguentando. Pedimos socorro as autoridades, pois já enviamos várias vezes as cartas, mas nada de resolver”.

A equipe do PNB está tentando contato com a direção do Conjunto Penal de Juazeiro para obter um posicionamento sobre as denúncias. O espaço está aberto para manifestação.

Também estamos encaminhando as denúncias para o MPBA para a SEAP- Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e Ressocialização.

Redação PNB

 

 

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