A visita de representantes da Prefeitura de Juazeiro à Sociedade 28 de Setembro, nesta quinta-feira (25), desencadeou protestos de coletivos culturais que ocupam o prédio histórico. Sem apresentar notificação oficial ou documento impresso, prepostos da gestão municipal comunicaram verbalmente que os artistas deveriam desocupar o espaço para a realização de reformas, o que gerou indignação e resistência dos ocupantes.
Segundo os artistas, a abordagem foi feita de forma brusca e sem qualquer diálogo prévio. Eles afirmam que só foram informados da necessidade de desocupar o prédio no momento da visita de representantes municipais, que apresentaram alternativas improvisadas, sem planejamento logístico para transporte dos materiais nem garantias sobre o destino futuro do espaço.
“A sensação que dá inicialmente é de injustiça, e depois se transforma em descaso. O prédio só não está pior porque somos nós que limpamos, cuidamos e preservamos a história da cidade aqui”, declarou um dos artistas presentes.
Ausência de diálogo
Coletivos relatam que a ação ocorreu em tom agressivo e desrespeitoso. “Chegaram perguntando se a gente já tinha para onde ir, sem aviso nenhum, sem conversa. Foi constrangedor, uma falta de respeito enorme”, relatou o artista Odilon Neto, integrante do Coletivo Entre Rios e Sertões e do Abdias de Teatro Negro.
Para Elder Ferrari, outro artista presente, o problema central não é a reforma (defendida pelos coletivos) mas a forma como ela está sendo conduzida: “Não somos contra a reforma, pelo contrário. Mas queremos saber como ela vai ser feita e garantir que o prédio continue sendo um centro de arte e cultura, não qualquer outra coisa.”
Os artistas ressaltam que defendem a reforma do prédio histórico, uma reivindicação da categoria que, há anos, vem chamando atenção para a necessidade de uma obra de preservação arquitetônica do imóvel.
“Nosso temor é que, após a intervenção, a Sociedade 28 de Setembro deixe de servir a cultura ou se transforme em mais um prédio administrativo, repetindo processos já vistos em outros patrimônios da cidade. A prefeitura não apresentou, até o momento, um projeto e nem fala sobre qual o destino da 28 de Setembro. Essa gestão ainda não aprendeu a dialogar com a sociedade, especialmente, com a classe artística. Não nenhuma garantia formal e nem um projeto que assegure o uso do espaço como equipamento cultural comunitário. Está faltando transparência”, criticou outro representante da classe artística.
Sede da Secretaria da Mulher e Juventude?
A Secretária da Mulher e Juventude de Juazeiro, Érica Daiane, também esteve presente na ação e afirmou que a intenção da prefeitura é utilizar o prédio da Sociedade 28 de Setembro para abrigar a sede da pasta. A decisão reforça o impasse: de um lado, o poder público defende a instalação de um equipamento administrativo; de outro, os coletivos reivindicam que o espaço permaneça dedicado à cultura, à arte e ao lazer comunitário.
Patrimônio histórico e cultural
A Sociedade 28 de Setembro, fundada no fim do século XIX, foi um dos clubes sociais mais marcantes de Juazeiro, junto com a Apolo Juazeirense. Esses espaços reuniam saraus, bailes, festas populares e fortaleceram a vida cultural e social da cidade por décadas. Hoje, ainda que deteriorado, o prédio continua ativo graças à ocupação artística, que impede sua completa degradação.
Redação PNB



