Em notas públicas, entidades estão repudiando uma manifestação de Miguel Coelho (União Brasil) com conotação considerada racista contra o ambientalista e escritor Victor Flores.
Após críticas de Flores ao projeto da orla 3 de Petrolina, o ex-prefeito Coelho, durante um evento realizado na cidade no último final de semana, usou a expressão “boca preta” (…) e termos como “iludido, apaixonado”.
Victor Flores reagiu, afirmando que o comportamento de Miguel Coelho foi “racismo político”: “Sim, eu sei: boca preta já foi apelido de grupo político no interior. Mas quando um homem branco, herdeiro de coronéis, usa isso contra um homem preto em 2025… não dá pra fingir que é só tradição política. É racismo político, é racismo recreativo. É a velha prática de quem se perpetua no poder desde as capitanias hereditárias e acha normal silenciar as vozes pretas do Sertão. Eu não sou boca preta nem boca branca. Sou a boca do povo, a boca do rio, a boca da Caatinga. E vou lutar pelas bocas pretas e pretos que foram calados por essa hegemonia branca que ainda tenta mandar na nossa terra.
Apaixonado? Sim.
Apaixonado por justiça, sustentabilidade e por um Sertão onde ninguém mais seja chamado de ‘boca preta’ como ofensa”, protestou o ambientalista.
Entidades emitiram notas de repúdio e de solidariedade ao ambientalista e escritor.
Confira
O SINASEFE Seção Sindical IFSertãoPE vem a público manifestar seu total repúdio às declarações proferidas por Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina e atual presidente do União Brasil em Pernambuco, durante evento político no último fim de semana. Ao se referir a críticos de seu grupo com a expressão “boca preta”, Miguel Coelho utilizou uma fala racista e discriminatória que resgata estigmas coloniais, reforçando divisões raciais e estruturas elitistas ainda presentes no Sertão Pernambucano. Trata-se de uma manifestação inaceitável, que ultrapassa o campo político e adentra o terreno do racismo estrutural. A repercussão nas redes sociais foi imediata, especialmente após a resposta do ambientalista e escritor Victor Flores, que afirmou: “Quando um homem branco, herdeiro de coronéis, me chama de boca preta, isso não é só política, isso é racismo.” Victor também denunciou o projeto de requalificação da Orla 3 de Petrolina, criticando o uso de recursos públicos para atender interesses privados, em prejuízo do direito da população ao acesso ao rio e ao meio ambiente. Como sindicato da educação pública federal, reafirmamos nosso compromisso com a justiça racial, social e ambiental. Repudiamos qualquer tentativa de naturalizar o racismo, silenciar vozes críticas ou transformar a gestão pública em instrumento de manutenção de privilégios. Nos solidarizamos com Victor Flores e com todas as vozes pretas e marginalizadas que seguem resistindo e denunciando as estruturas de exclusão. Não aceitaremos retrocessos. A educação pública é pilar da transformação social e da luta por equidade.
Pela educação pública de qualidade, pela justiça racial e ambiental!
Petrolina/PE, 29 de setembro de 2025
SINASEFE – Seção Sindical IFSertãoPE//
SINDUNIVASF
A Diretoria do Sindicato dos Docentes da Universidade Federal do Vale do São Francisco manifesta seu mais veemente repúdio à fala de cunho racista proferida pelo ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho.
É lamentável ouvir, da boca de um representante político que se apresenta como parte da renovação do quadro político nacional, em pleno século XXI, declarações que resgatam estigmas coloniais e reforçam estruturas de exclusão historicamente utilizadas pela elite branca brasileira contra a população negra. Tais manifestações não podem mais ser naturalizadas em uma sociedade que busca ser inclusiva, justa e democrática.
Ao mesmo tempo, manifestamos nossa solidariedade ao ambientalista e escritor Victor Flores, alvo direto da fala do ex-prefeito por ter divulgado críticas à construção da Orla III, projeto capitaneado pelo grupo político da família Coelho. Reconhecemos a importância de sua voz na defesa da justiça socioambiental, no questionamento de projetos que privilegiam interesses privados em detrimento do direito coletivo e, sobretudo, na denúncia das estruturas de racismo que ainda persistem em nosso país.
Falas como essa não apenas expõem o quanto ainda precisamos avançar no combate ao racismo estrutural, mas também evidenciam a urgência de proteger e fortalecer todas as vozes críticas que ousam enfrentar os mecanismos de exclusão e desigualdade. Reiteramos que o racismo deve ser denunciado em todas as suas formas e que a universidade pública não se calará diante de tentativas de silenciamento da população negra e de seus aliados.
Petrolina, 29 de setembro de 2025/ Diretoria da SINDUNIVASF
Redação PNB



