Um banho de conhecimento, arte e cultura: Juá Literária termina irrigando a economia e o turismo de Juazeiro

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Ao final de 4 dias do maior, melhor e mais intenso festival de cultura, arte e literatura integradas do Nordeste, Juazeiro da Bahia se despediu da Juá Literária, na noite deste sábado (25), com show de Arnaldo Antunes e o balanço positivo de público, programação e comercialização de livros.

A Prefeitura do município estima que foram comercializados mais de R$ 6 milhões
em livros nos 31 estandes de 600 editoras e cerca de 80 mil pessoas circularam pela cidade, conferindo 80 atrações em shows musicais, mesas redondas, lançamentos de livros, contação de histórias, apresentações teatrais, a Kombi do Zé Livrório, Cineteatro Busarte, Carreta Literária e oficinas.

No final da tarde do último dia, o prefeito  Andrei Gonçalves liderou um cortejo literário às margens do Rio São Francisco, distribuindo entre o público infantil mais de 400 livros.

”Já avaliado como o maior evento do gênero em toda a região Nordeste, nossa preocupação agora é fazer, no ano que vem, um encontro maior ainda. Esse é o nosso compromisso em nome da história de Juazeiro que construímos juntos”, ressaltou.

Pontuado por momentos poéticos musicais memoráveis, a exemplo dos encontros entre  Xangai, Maciel Melo e Jessier Quirino; Quinteto Sanfônico do Brasil e Mariana Aydar e Xico Sá, Cida Pedrosa e Sidney Rocha, o festival, segundo a presidenta da Fundação Nacional das Artes (Funarte), Maria Marighella, já nasce grande.

“Estou absolutamente encantada com o que eu estou vendo e fico muito feliz com a Bahia protagonizando a cultura como algo que nos confere identidade e singularidade”,
revelou durante a participação de uma mesa sobre agenda, diversidade e políticas culturais.

Maria Marighella acrescentou ainda que a Juá Literária traduz os quatro eixos do Plano Nacional da Leitura, com a democratização do acesso, promoção da leitura, valorização do livro  e da literatura e desenvolvimento da economia do livro.
“Que a cultura seja sempre o caminho nosso, aqui e no mundo”, concluiu.

Evento aquece a economia local com aumento de até 90% nas vendas

A primeira edição da Juá Literária entrou para a história do Vale do São Francisco como um dos maiores festivais de literatura do Nordeste. Em quatro dias de programação, o evento reuniu 80 atrações e promoveu a venda de cerca de R$ 7 milhões em livros adquiridos dentro da Flijua, feira literária que integrou a programação. O resultado reflete o alcance do projeto como um forte estímulo à leitura e à formação de novos leitores, impactando as mais de 80 mil pessoas que circularam pelos espaços do festival.

Além dos lucros para a educação, o evento trouxe benesses para os mais diversos setores econômicos. Na Vila Bossa Nova, restaurantes registraram aumento médio de 30% nas vendas. Já na praça de alimentação da Orla, formada por food trucks, o crescimento chegou a 90%, segundo empreendedores. “Foi bom demais! Além de ser educativo, atraiu muitos clientes. Em seis anos que moro em Juazeiro, nunca havia visto um evento assim”, afirmou o comerciante Rodolfo Caldas.

A Feira Solidária, que reuniu pequenos produtores e artesãos no festival, também registrou bons resultados. Foram contabilizadas, em média, R$750,00 em vendas diárias de alimentos e R$400,00 de artesanato, roupas e acessórios. Além disso, o setor hoteleiro também registrou uma movimentação alta.

“Muitas pessoas vieram como integrantes da feira, além de artistas e visitantes de cidades vizinhas, que encontraram no evento uma opção de entretenimento e educação”, destacou Maraiza Carvalho, presidente do Sindicato Patronal dos Meios de Hospedagem de Juazeiro/Sindhaj.

Para o economista Fernando Holanda, docente da Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina/FACAPE, o festival é um exemplo do potencial da economia criativa. “Este é um evento que, naturalmente, movimenta milhões em todos os elos da cadeia produtiva”, avaliou. A expectativa é de que iniciativas deste porte retornem aos municípios realizadores, ao menos, o dobro do investimento, além do valor imensurável ligado à leitura, cultura e educação.

O impacto, de fato, não é só econômico. A Juá Literária reforçou o protagonismo de autores locais, com mais de 40 livros lançados, sendo 30 de escritores de Juazeiro.

Uma das atrações da festa, o cantor e compositor Arnaldo Antunes, declarou: “Eu amei o show! O público daqui é muito amoroso e vibrante”, celebrou reservando um carinho especial ao formato do evento. “É algo que tem que ser prestigiado e alimentado. A gente vive em tempos digitais, de luta pela expressão e circulação de muita informação, e a literatura é um veículo de reflexão e formação das pessoas como indivíduos melhores na sociedade.”

O público compartilhou o entusiasmo. “Acredito no poder da leitura e das palavras, por isso faço questão de estar em eventos desse tipo. É um momento muito rico. E hoje também estive aqui para ver Arnaldo Antunes, trazendo a minha irmã, que é muito fã. Poder prestigiá-lo às margens do Rio São Francisco é uma oportunidade única”, disse o psicólogo Leonardo Victor.

O prefeito Andrei Gonçalves reforçou o papel do movimento da Juá Literária como um investimento no desenvolvimento local. “Este projeto vai além do festival: é um movimento de incentivo à leitura e à educação, com ações nas escolas e fortalecimento da cultura local. E é assim que queremos transformar Juazeiro, com educação, cultura e mais!”, afirmou.

Tenda das Palavras

“Literatura e poesia são liberdade”, a fala do escritor Xico Sá ecoou pelo Espaço Flijuá – Tenda das Palavras, neste sábado (25), no Festival Juá Literária. A frase foi proferida durante a mesa “Palavras, Poesias e Pensamentos”, em que dividiu o palco com os escritores Cida Pedrosa e Sidney Rocha.

O último dia do festival na Tenda das Palavras foi marcado por importantes reflexões sobre a palavra escrita e também sobre a história de Juazeiro. O dia começou com Odomaria Bandeira, Coelhão Assis e Josemar Pinzoh, na mesa “O Rio da Nossa História”, que discutiu um pouco da história de Juazeiro e a sua relação com o Rio São Francisco.

“Falar do rio da nossa história é contar a nossa história do rio. Uma história que é também de nós como pessoas, como um rio que vai correndo, se acumulando na sequência dos anos, do tempo, seguindo o seu curso, sua formação, seus sentimentos, seus significados e trazer um pouco dessa relação nossa, diretamente com o rio, como esse rio se transformou diante de nós, ao longo do tempo”, refletiu Odomaria Bandeira.

Em seguida, subiram ao palco Fabiano Piúba, Maria Marighella e Felipe Oliveira, em um bate-papo abordou as políticas culturais voltadas para a leitura e o livro. “De certa forma, o Juá Literária traduz os quatro eixos do Plano Nacional de Leitura: democratização do acesso, promoção da leitura, valorização do livro e da leitura no imaginário social brasileiro, e o desenvolvimento da economia do livro”, frisou o secretário de formação artística e cultural do livro e leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba, avaliando a inserção do festival.

A programação ainda incluiu uma intervenção poética de Chiara Ramos, performance de Rimas InC, lançamentos de livros no Cais da Palavra e a mesa “O reverbo de Outras Vozes”, com Camila Yasmine, Luiza Brito, Fatel e PC Silva e. O encerramento das atividades culturais no Espaço Flijuá ficou por conta da apresentação de PC Silva e Luiza Brito.

Juá Literária

O Festival é realizado pela Prefeitura de Juazeiro, por meio da Secretaria de Educação/Seduc, como uma culminância do programa Juá Literária. A iniciativa engloba uma série de ações de educação, cultura e arte, para a formação de estudantes cada vez mais leitores, integrando família, sociedade e escola em uma viagem ao mundo transformador da leitura.

Com a curadoria de Maviael Melo, o Festival ainda conta com o apoio do Governo do Estado da Bahia, Fundação Pedro Calmon, Editora IMEPH e Andelivros. A produção é assinada pela Carranca Produções e pela Entre Versos e Canções Produções Artísticas.

Redação PNB, com informações Ascom PMJ 

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