Uma denúncia grave de negligência envolvendo o transporte escolar no município de Curaçá, na região Norte da Bahia, foi enviada ao Portal Preto no Branco nesta terça-feira (16). Segundo relatos, uma criança de apenas 4 anos de idade, diagnosticada com o Espectro do Transtorno Autista, foi esquecida dentro de um ônibus escolar por várias horas, sem que ninguém percebesse sua ausência.
“O caso aconteceu há pouco mais de uma semana. A criança estuda na Escola Municipal Caminho do Aprendiz, e o transporte, segundo informações, é exclusivo para pessoas com necessidades especiais. Por incrível que pareça, o incidente só foi percebido por volta das 21 horas, quando o vigilante da garagem dos transportes ouviu gritos e choro e descobriu a criança trancada dentro do veículo”, contou um responsável por alunos da rede municipal.
Ainda conforme os relatos, o caso gerou revolta, indignação e muitos questionamentos.
“Como os pais não sentiram falta da criança? Como não é feita uma supervisão antes de guardar o carro na garagem? Ficamos sabendo que a pessoa que acompanha os estudantes precisou faltar nesse dia, e que pelos comentários a Secretaria de Educação iria tomar medidas que afetam exclusivamente essa profissional que precisou faltar”, acrescentou o responsável por alunos.
Outra responsável por alunos da rede municipal de ensino de Curaçá criticou o silêncio das autoridades, dos órgãos como o Conselho Tutelar, APLB Sindicato, Conselho Municipal de Educação diante do caso.
“Silêncio absoluto. Curaçá está entregue, os representantes vendidos por emprego de seus familiares. Isso poderia ter acontecido com os nossos filhos, que também dependem do serviço. Algo pior poderia ter acontecido com a criança e ninguém se manifesta sobre o ocorrido. É revoltante ver as postagens políticas da coordenadora da APLB, do Conselheiro Tutelar, nas redes sociais, entregando fardamento a uma fanfarra e não se manifestando num caso tão grave de negligência. Os professores também seguem calados diante de tamanha irresponsabilidade”, desabafou.
Encaminhamos os relatos para a Prefeitura de Curaçá em busca de esclarecimentos. Em nota, a gestão municipal, por meio da Secretaria de Educação, esclareceu que “o episódio envolvendo um aluno de 4 anos da rede municipal, usuário do transporte escolar destinado a alunos com necessidades especiais, ocorreu da seguinte forma, conforme registros oficiais. O veículo deu entrada na garagem por volta das 17h50, iniciando o procedimento de estacionamento e fechamento, com saída do motorista aproximadamente às 18h. Às 18h05, o vigilante do local percebeu a presença da criança no interior do ônibus e iniciou imediatamente o acolhimento, prestando auxílio e buscando a abertura do veículo. Com o apoio de outros profissionais, o ônibus foi aberto e, aproximadamente às 18h22, a situação já estava sob controle, momento em que o vigilante comunicou o ocorrido ao chefe dos transportes. Às 18h32, a criança foi retirada do veículo em segurança, recebeu água, foi acalmada e permaneceu assistida no local. O motorista responsável chegou à garagem às 18h50, conduzindo o aluno até sua residência, onde chegou por volta das 19h10. A mãe foi comunicada às 19h09, quando a criança já se encontrava fora do veículo. Não procede a informação de que a criança tenha permanecido no ônibus até as 21h. De forma preventiva, a Prefeitura disponibilizou um veículo exclusivo para eventual necessidade de atendimento, o que não se fez necessário. Todo o apoio à família vem sendo prestado através do Núcleo de Apoio Pedagógico Educacional Especializado (NAPES). Paralelamente, estão sendo adotadas medidas de regulamentação e orientação aos motoristas e auxiliares do transporte escolar, com foco nos procedimentos de conferência e entrega dos estudantes. A Prefeitura de Curaçá reafirma seu compromisso com o cuidado, o respeito e a responsabilidade com as crianças e as famílias do município”.
Redação PNB



