Topa o desafio? Janeiro Seco 2026 convida a começar o ano sem álcool

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Após semanas marcadas por confraternizações, festas e exageros típicos do fim de ano, janeiro chega trazendo também a oportunidade de desacelerar. Em meio às resoluções para o novo ciclo, cresce a adesão ao chamado “janeiro seco” (Dry January), movimento que propõe um período de pausa no consumo de bebidas alcoólicas como forma de cuidado com o corpo e a mente.

O movimento surgiu no Reino Unido e se espalhou por diversos países, chegando ao Brasil como uma alternativa para quem busca iniciar o ano com mais equilíbrio físico e mental. Especialistas apontam que a interrupção do consumo, mesmo que temporária, pode trazer benefícios como melhora na qualidade do sono, aumento da disposição, melhor funcionamento do fígado e até economia financeira.

A proposta, que não é a de demonizar o consumo, mas estimular a consciência e o autocontrole, vem ganhando força no Brasil, e não tem caráter punitivo nem exige abstinência definitiva. A ideia é simples: usar o primeiro mês do ano para observar como o organismo reage sem o álcool e repensar hábitos que, muitas vezes, passam despercebidos na rotina.

De acordo com o psiquiatra Higor Caldato, especialista em transtornos alimentares e obesidade, a interrupção do consumo alcoólico, mesmo que temporária, costuma gerar efeitos rápidos.

“É comum que as pessoas percebam melhora no sono, mais disposição ao acordar e maior clareza mental ao longo do dia”, explica.

Segundo o médico, embora o álcool cause sensação de relaxamento, ele interfere negativamente na qualidade do descanso, o que impacta diretamente o humor e a produtividade.

Além do descanso mais eficiente, o controle do peso também aparece entre os benefícios mais relatados. Bebidas alcoólicas concentram calorias sem valor nutricional e, ao serem retiradas da rotina, facilitam ajustes naturais no metabolismo. Outro efeito colateral positivo é a economia financeira, já que gastos com bebidas em eventos sociais tendem a diminuir.

Do ponto de vista clínico, os ganhos vão além da percepção subjetiva. O médico Francisco Tostes, especialista em medicina do esporte e endocrinologia, destaca que o álcool provoca inflamação e sobrecarga metabólica.

“Quando o consumo é suspenso, o corpo passa a funcionar de forma mais eficiente, deixando de gastar energia para lidar com uma substância tóxica”, afirma.

Segundo ele, um período de cerca de 30 dias sem álcool pode favorecer a redução de gordura abdominal, melhorar a sensibilidade à insulina e contribuir para a queda de marcadores inflamatórios associados a doenças cardiovasculares. O fígado, órgão diretamente responsável pela metabolização do álcool, também responde de forma positiva, com melhora da função hepática e diminuição do acúmulo de gordura, mesmo em pessoas que bebem apenas ocasionalmente.

O consumo de álcool também interfere no equilíbrio hormonal. A pausa ajuda a regular hormônios ligados ao estresse, ao sono e ao metabolismo, como cortisol, melatonina e hormônio do crescimento. Esse ajuste hormonal pode refletir em mais energia, melhor recuperação física e maior sensação de bem-estar.

Para quem deseja aderir ao janeiro sem álcool, especialistas reforçam que o apoio social faz diferença. Comunicar a decisão a amigos e familiares, buscar alternativas às bebidas tradicionais e ressignificar momentos de lazer são estratégias que ajudam a manter o compromisso. Mocktails (drinks sem álcool), chás gelados, bebidas fermentadas sem álcool e versões zero de cervejas têm se tornado opções populares durante o período.

Mais do que um desafio de calendário, o janeiro sem álcool propõe uma reflexão sobre a relação com a bebida, sem viés moralista ou religioso.

Em um mês tradicionalmente associado a recomeços, a pausa no consumo surge como um gesto simples, mas significativo, de autocuidado e, para muitos, um primeiro passo rumo a escolhas sem radicalismos, mais com mais conscientes.

Redação PNB, com informações Sistema Comunique-se 5

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