Com as altas temperaturas registradas neste verão, muitas cidades como Juazeiro, no norte da Bahia, têm vivido dias escaldantes. O calor extremo exige de empresas, órgãos públicos e da sociedade um conjunto de medidas para proteger trabalhadores e clientes dos efeitos severos das temperaturas elevadas. Entre as ações de contingência recomendadas estão a climatização adequada dos ambientes de trabalho, pausas para hidratação, disponibilização de água fresca e adequações na jornada para reduzir riscos à saúde.
No entanto, relatos recentes de trabalhadores e clientes em Juazeiro apontam uma realidade preocupante em estabelecimentos comerciais, onde essas práticas ainda não vêm sendo adotadas.
Em contato com a redação do PNB, funcionários de uma rede atacadista do município informaram que, com frequência, o ar-condicionado é desligado pelo gerente com o argumento de “economizar energia”. Segundo um dos relatos, isso ocorre especialmente fora dos horários de pico, deixando colaboradores e prestadores de serviços trabalhando sob forte calor.
“O gerente faz questão de desligar o ar-condicionado. Todos os colaboradores ficam no calor com o intuito de economizar energia. Os clientes já foram até o atendimento reclamar, e a gerência liga na hora. Depois que o movimento diminui, a ordem é desligar novamente. Funcionários e prestadores de serviços passam mal diante de tanto calor. Eu mesmo já passei mal, fiquei tonto e não pude terminar meu trabalho. Para amenizar, usamos um pedaço de papelão para nos abanar”, relatou um dos trabalhadores.
Outro ponto levantado foi a qualidade da água disponível para hidratação dentro da própria loja.
“Temos um bebedouro no depósito, mas a qualidade da água é horrível. Não há data de manutenção visível, existe lodo na parte de baixo, baratas nas gôndolas e ratos no depósito”, denunciou o funcionário.
Um cliente que visitou uma loja no Centro de Juazeiro descreveu um ambiente com temperatura extremamente elevada, a ponto de parecer uma “fornalha”.
“Entrei em uma loja no centro e me impressionei com o estado do local: um calor extremo. Havia um funcionário todo molhado de suor, porque não tinha ventilação suficiente, trabalhando na fornalha
e passando mal”, afirmou.
Calor intenso é risco à saúde
Segundo o Ministério da Saúde, exposições prolongadas a altas temperaturas podem causar exaustão pelo calor, desidratação, tontura e dor de cabeça. Esses quadros tendem a ser agravados em ambientes internos sem ventilação adequada.
Especialistas alertam que locais de trabalho com climatização precária elevam significativamente o risco de mal-estar e acidentes.
Algumas medidas recomendadas incluem:
- climatização adequada dos ambientes de trabalho (ar-condicionado ou ventilação mecânica eficaz);
- pausas regulares para descanso em ambientes frescos;
- água potável e fresca disponível em quantidade suficiente e de qualidade;
- reorganização de tarefas mais pesadas para horários menos quentes.
As ondas de calor, cada vez mais frequentes em razão das mudanças climáticas, requerem políticas públicas e privadas de adaptação para proteger populações vulneráveis, especialmente trabalhadores expostos.
O que dizem as leis
A legislação trabalhista e normas regulamentadoras, como a NR-17 (Ergonomia) e a NR-15 (Atividades Insalubres), estabelecem limites e cuidados para ambientes com condições extremas de temperatura. Empresas que expõem trabalhadores a situações de risco sem medidas de proteção podem ser responsabilizadas por órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público do Trabalho.
Imagem Ilustrativa*
Redação PNB



