Janeiro Branco: Sobrecarga, assédio, pressões no ambiente de trabalho afetam saúde mental de trabalhadores de Juazeiro e Petrolina; confira relatos

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O mês de janeiro marca a campanha nacional “Janeiro Branco”, iniciativa que tem como foco despertar a sociedade para a importância do cuidado com a saúde mental e emocional. Em 2026, o tema ganha ainda mais relevância com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que ampliou a exigência de avaliação dos riscos psicossociais nos ambientes de trabalho, incluindo fatores como pressão excessiva, assédio, sobrecarga e falta de condições adequadas para o exercício profissional.

No Vale do São Francisco, esse debate se torna fundamental diante de uma série de relatos encaminhados ao Portal Preto no Branco por trabalhadores, sobretudo da área da saúde, que afirmam enfrentar situações constantes de desgaste emocional, insegurança e sofrimento psicológico em seus locais de trabalho.

Profissionais de enfermagem que atuam no Hospital Regional de Juazeiro (HRJ), por exemplo, entraram em contato com a nossa redação nesta terça-feira (06) para relatar, mais uma vez, que as condições estruturais e organizacionais têm contribuído para o adoecimento mental da categoria.

“Não temos repouso adequado. São poucas camas e, quando tem, os colchões estão rasgados. Os ares-condicionados quase nunca funcionam. A empresa terceirizada que fornece a alimentação entrega comida de péssima qualidade. Às vezes nem água tem. Já prometeram até um liquidificador e nunca chegou. Tem dia que comemos cuscuz seco, sem nem um café para oferecer”, desabafaram.

Segundo os trabalhadores, o cenário tem gerado cansaço extremo, indignação e sensação de desrespeito institucional: “É um verdadeiro caos. São várias denúncias e nada se resolve. A enfermagem está adoecendo”, afirmam.

Situação semelhante já havia sido denunciada recentemente por funcionários da Unidade de Pronto Atendimento Pediátrico (UPED), em Juazeiro, que relataram episódios de suposto assédio moral, tratamento desigual e um ambiente de trabalho marcado por medo e insegurança.

“Percebemos uma postura constante de condenação e intimidação que atinge setores essenciais, como enfermagem, direção intermediária e administração, comprometendo o clima organizacional e a qualidade do trabalho prestado”, relataram, em manifestação coletiva.

Eles afirmaram que o ambiente havia se tornado hostil: “Trabalhar pisando em casca de ovos diariamente não é fácil. É frustrante perceber que o respeito parece depender de favorecimento pessoal.”

Em outra unidade de saúde da região, a UPAE de Petrolina, profissionais também denunciaram, no ano passado, pressão psicológica e desgaste emocional.

“A equipe vem sendo submetida a muito assédio moral, com pressões constantes, cobranças abusivas e tentativas de responsabilizar os trabalhadores por falhas que são de gestão”, relatou uma trabalhadora.

Ela acrescentou que, além da pressão interna, muitos profissionais ainda enfrentavam cobranças agressivas de pacientes e acompanhantes diante da superlotação e da falta de pessoal.

“Somos profissionais sobrecarregados, expostos, sem apoio. O ambiente está se tornando insustentável. Psicologicamente, estamos no limite.”

Saúde mental é responsabilidade coletiva

O Janeiro Branco reforça que saúde mental não deve ser vista apenas como responsabilidade individual. As instituições, públicas e privadas, têm papel essencial na promoção de ambientes de trabalho seguros, éticos, organizados e humanizados.

No caso da enfermagem, uma das categorias mais expostas a sobrecarga emocional, pressão assistencial, longas jornadas e contato direto com o sofrimento humano, a necessidade de políticas de proteção e acolhimento psicológico se torna ainda mais urgente.

Redação PNB/ foto ilustrativa

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