Trabalhadora denuncia supostas irregularidades em demissões na Gold Fruit, em Juazeiro; empresa afirma que verbas rescisórias seguiram a lei

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A trabalhadora Clarice Ramos procurou o Portal Preto no Branco para denunciar supostas irregularidades trabalhistas envolvendo a empresa de fruticultura localizada no município de Juazeiro, na região Norte da Bahia, que atua com exportação de manga. Ela relata que cerca de 80 trabalhadores teriam sido dispensados após meses de serviço, sem o pagamento correto dos direitos garantidos por lei.

“A gente trabalhou durante nove meses e quatorze dias no packing house (PEC) de manga na empresa Gold Fruit, localizada no bairro João Paulo ll. Em dezembro do ano passado, eles rescindiram os nossos contratos e nos demitiram sem pagar de acordo com as leis trabalhistas. A indignação é de quase 80 trabalhadores. Uns receberam alguma coisa, outros não receberam nada”, relatou.

A trabalhadora também relatou surpresa ao conferir o valor recebido após o desligamento. “Hoje eu peguei o extrato da minha conta. Foram nove meses e quatorze dias trabalhados e eles só depositaram R$ 15,76 na minha conta. A gente trabalhou o mês de dezembro cumprindo o aviso, e nos dispensaram no dia 31 de dezembro. Iniciaram os pagamentos na quarta-feira. Uns funcionários receberam com 200 reais, outros 300 reais, 400 reais. Quem ganhou lá saiu com 1.980, 2.000 reais. Enquanto isso, tem funcionários que não recebeu nada até agora. Não entrou o terço de férias, não entrou o aviso, não entrou nada. Além disso, não conseguimos entrar em contato com a empresa, a empresa”, acrescentou.

Clarice afirma ainda que chegou a ser ameaçada após tentar tornar o caso público. “Quando eu fui relatar o que estava acontecendo, os advogados da empresa me ameaçaram, dizendo que iam entrar com um processo contra mim para eu não expor nada do que acontece lá dentro. Eles falaram que eu estou juntando uma turma de funcionários para estar contra a empresa, mas a única coisa que queremos é ter nossos direitos resguardos”, contou.

A profissional relata ainda que o ambiente de trabalho seria marcado por situações de constrangimento. “Lá dentro com a gente é tortura, humilhação, e ainda tem descontos absurdos em cima do trabalhador”, denunciou.

Diante da situação, Clarice afirma que o grupo busca apoio dos órgãos competentes. “A gente está correndo atrás dos nossos direitos trabalhistas, do Ministério do Trabalho, do sindicato, de advogada. A gente só quer ser ouvido”, desabafou.

Encaminhamos os relatos da trabalhadora para a empresa Gold Fruit, que se manifestou em nota.

Confirma na íntegra: 

“A empresa Gold Fruit informa que tomou conhecimento da denúncia mencionada e reforça seu compromisso com o cumprimento da legislação trabalhista vigente.

Os desligamentos ocorridos decorreram de decisões administrativas e contratuais, sendo que todas as verbas rescisórias foram calculadas com base nas informações registradas ao longo do vínculo empregatício, como frequência, ausências, descontos legais e demais ocorrências previstas em lei e em contrato.

Eventuais diferenças de valores podem ocorrer em função de fatores como faltas não justificadas, descontos previstos em legislação e inexistência de períodos aquisitivos completos para determinados direitos, o que impacta diretamente o cálculo rescisório.

A empresa esclarece ainda que mantém todos os registros trabalhistas, financeiros e documentais devidamente organizados e à disposição dos órgãos competentes, como Ministério do Trabalho, sindicato da categoria e Justiça do Trabalho, para quaisquer esclarecimentos necessários.

Reiteramos que a Gold Fruit não compactua com práticas irregulares, assédio ou qualquer forma de violação de direitos trabalhistas, e que eventuais questionamentos devem ser tratados pelos meios legais apropriados.”

 

Redação PNB ,

3 COMENTÁRIOS

  1. Tem que ser investigado, esses trabalhadores já ganham tão pouco e trabalham muito, porque se os trabalhadores estão sendo enganados, além de serem prejudicados. Aonde está a fama da região: de oásis da fruticultura irrigada, de propaganda a nível nacional de riqueza do vale. Essa riqueza te que ser pra todos!

  2. Esses empresários brasileiros só visam lucro, os empregos são raros, exploram os mesmos com horas além do previsto entre as partes. Sugam dinheiro dos bancos públicos, não pagam e ainda pedem prorrogação de dívidas a Receita Federal, inss e ministério do trabalho. Mesmo com todos esses privilégios, ainda falam mal do governo. Bando de canalhas.

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