Chega à cena cultural do vale, Maripoza, artista petrolinense que anuncia EP inspirado no rock e na ancestralidade negra 

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A cena musical do Vale do São Francisco ganha um novo e potente capítulo com o surgimento de Maripoza, projeto artístico da cantora, compositora e mestra em música Dayanne Menezes. A artista petrolinense assume oficialmente um novo nome, identidade visual e conceito estético-político, anunciando a chegada de um EP autoral e a previsão de um show de lançamento ainda este mês no Teatro Dona Amélia (Sesc/Petrolina).

Com o rock como linguagem central, Maripoza constrói uma obra que dialoga diretamente com transformações intensas de vida, espiritualidade afro-brasileira (Umbanda, Candomblé e Jurema Sagrada), emancipação feminina negra e identidade nordestina. Sua música atravessa o axé, o terreiro, o sertão, a força das cidades do interior e a ancestralidade como caminhos de cura, enfrentamento e liberdade.

O novo trabalho, intitulado “Besta Fera”, marca o renascimento artístico da cantora. Mais do que um álbum, o projeto representa uma busca por si mesma, pela memória ancestral e pelo direito de existir com potência. Entre o rock e o metal, Maripoza canta sobre dor, saberes ancestrais, espiritualidade e o poder dos Orixás, assumindo uma sonoridade e uma poesia de afronta aos cárceres históricos impostos a pessoas pretas, indígenas e povos de terreiro.

Trajetória e formação

Maripoza é o pseudônimo artístico de Dayanne Menezes, que iniciou sua trajetória musical ainda aos 13 anos como guitarrista da banda feminina de rock alternativo Carcará, interpretando nomes como Cazuza, Renato Russo e Cássia Eller. Aos 17 anos, ingressou no curso de Licenciatura em Música no IF Sertão-PE, onde se descobriu cantora a partir de projetos artísticos universitários e do contato com a musicalidade regional.

Mestra em Música pela UFPE, Maripoza também se destaca como professora de canto e técnica vocal, diretora musical e preparadora vocal para teatro e teatro musical. Além da música, atua como poeta e escritora, tendo lançado em dezembro de 2024 seu primeiro livro, “(IN)Versos de Uma Poeta Louca”.

Reconhecimento e referências

A artista acumula premiações e participações em importantes festivais da região. Em 2020, recebeu os prêmios de 3º lugar e Júri Popular no Festival Edésio Santos da Canção, com a música autoral Flor de Lótus. Em 2023, conquistou o 3º lugar no Festival Geraldo Azevedo, em Petrolina, com a canção Se Ainda Assim, de Carlos Gomes. Já em 2024, chegou à grande final do Edésio Santos da Canção com a música autoral Avassalador.

Embora o foco atual esteja no rock e no metal, Maripoza construiu sua identidade a partir de referências diversas da música negra brasileira, dialogando com nomes como BaianaSystem, Djavan, Liniker, Urias, Saiddy Bamba, Psirico, Milton Nascimento e Zé Manoel. Axé, pagodão/suingueira, maracatu e frevo atravessaram sua obra como afirmação estética, política e cultural, em defesa da música preta baiana e pernambucana.

Em 2024, a artista lançou dois singles por meio do projeto Do estúdio Pro Mundo, projeto aprovado no edital nº 008/2023 – Múltiplas Linguagens, com recursos da Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura e Prefeitura de Petrolina. A experiência marcou a transição para a nova fase agora assumida como Maripoza.

Um novo voo

Atualmente, a cantora se prepara para o lançamento do EP Besta Fera, que será disponibilizado em todas as plataformas digitais ainda este mês. As canções inéditas já vêm sendo apresentadas ao público no show homônimo, como forma de antecipar a força estética e sonora do projeto.

Em entrevista ao podcast Podcaia, Maripoza resume o sentido de sua caminhada artística: “Acho que vale a pena continuar com esse sonho de ter minha música, minha arte, vista pelo mundo.”

Com voz potente, presença cênica marcante e uma obra atravessada por espiritualidade, identidade e liberdade, Maripoza se firma como um dos nomes mais intensos e promissores do rock produzido no interior do Nordeste.

Ascom 

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