Após moradores do município de Remanso, no norte da Bahia, relatarem a falta de segurança e cobrarem o reforço do policiamento diante do registro de crimes graves, como feminicídio, duplo homicídio e arrombamentos, a Polícia Militar se manifestou.
Em nota enviada ao Portal Preto no Branco, a 25ª Companhia Independente de Polícia Militar (25ª CIPM) informou que “acompanha atentamente as manifestações e preocupações apresentadas pela população do município de Remanso no que se refere à segurança pública.
Esclarece-se que o policiamento no município segue sendo executado de forma contínua, com o emprego do efetivo disponível, conforme o planejamento operacional estabelecido pelo Comando da Unidade, priorizando ações preventivas e ostensivas, inclusive no período noturno, dentro das possibilidades operacionais da Companhia.
Ressalta-se que eventuais adequações de ordem administrativa ou logística não implicam na interrupção dos serviços policiais, tampouco no abandono de áreas urbanas, permanecendo a Polícia Militar presente e atuante em toda a área de responsabilidade da 25ª CIPM.
No que diz respeito ao efetivo policial, a Polícia Militar da Bahia atua de maneira integrada e estratégica, buscando a otimização dos recursos humanos disponíveis, bem como a realização de operações pontuais e ações de reforço sempre que necessário, em alinhamento com o Comando Regional.
A 25ª CIPM reafirma seu compromisso com a preservação da ordem pública, a proteção da vida e do patrimônio, colocando-se à disposição da comunidade para o diálogo permanente e para o fortalecimento das ações de segurança, em parceria com os demais órgãos competentes.“
As reclamações
Segundo os relatos, em menos de 20 dias, o município registrou crimes como feminicídio, duplo homicídio e arrombamentos, o que tem gerado medo e insegurança entre a população.
“Em apenas 20 dias, olha quantas tragédias aconteceram. A população está assustada e vivendo com medo”, relatou uma moradora, que preferiu não se identificar.
Segundo ela, a sensação é de abandono.
“O centro da cidade de Remanso, assim como quase toda a cidade, está largado. A cidade inteira respira medo”, desabafou.
A moradora também criticou a retirada de órgãos de segurança do centro urbano, apontando que a medida tem contribuído ainda mais para a sensação de insegurança.
“A sede da delegacia já foi retirada do centro e isso tem deixado a cidade ainda mais insegura. Não sei quem está sendo beneficiado com essas decisões, que só prejudicam a população”, criticou.
Os moradores também reclamam do baixo efetivo policial.
“O número de policiais é muito pequeno para uma cidade inteira. Falta presença da polícia nas ruas, principalmente à noite”, afirmou outro morador.
Segundo a população, a indignação aumenta diante da gravidade dos crimes registrados recentemente. Na sexta-feira (2), duas mulheres foram encontradas mortas, carbonizadas, após um incêndio em uma residência no bairro Área Industrial. De acordo com a Polícia Civil, um homem identificado como Igor Galvão de Sousa, de 31 anos, também foi encontrado morto no local, com indícios de suicídio. Informações preliminares apontam que ele era ex-companheiro de uma das vítimas. O caso segue sob investigação.
“É revoltante. Um caso de feminicídio dessa forma mostra o quanto estamos vulneráveis”, comentou uma moradora.
Outro episódio que chocou a cidade foi o duplo homicídio registrado na noite da última segunda-feira (19), na localidade conhecida como Vila Santana. O casal de namorados Lucas Gabriel Santana Andrade, de 27 anos, e Juliana Rosa Ribeiro dos Santos, de 23 anos, foi morto a tiros dentro de uma residência.
“O jovem ainda ligou para a família dizendo que a casa estava sendo invadida. Isso mostra o nível de violência que chegou à nossa cidade”, disse um morador.
Além dos crimes contra a vida, moradores afirmam que comerciantes também vivem apreensivos.
“Uma farmácia no centro foi arrombada duas vezes em menos de uma semana. Quem trabalha aqui não se sente mais seguro”, relatou outro morador.
Diante do cenário, o apelo da população é direto às autoridades.
“Pedimos segurança pública. Que cada órgão faça o que for de sua competência. A cidade está respirando medo, insegurança e abandono”, concluiu um morador.
Redação PNB



