O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba) elaborou um documento com orientações específicas sobre segurança na cobertura do Carnaval de Salvador 2026, com ênfase na prevenção ao assédio e na proteção das mulheres jornalistas.
A iniciativa parte do reconhecimento de que o Carnaval é uma das maiores coberturas jornalísticas do país, e também um dos contextos de maior exposição a riscos. Multidões, jornadas prolongadas, deslocamentos noturnos, pressão por produtividade e ambientes marcados pelo consumo excessivo de álcool ampliam situações de vulnerabilidade, especialmente para profissionais que atuam nas ruas.
No documento encaminhado às redações e aos setores de Recursos Humanos, o sindicato é enfático: nenhuma pauta justifica colocar trabalhadores e trabalhadoras em risco. A cobertura só é legítima quando acompanhada de condições reais de segurança, acolhimento e proteção.
Atenção especial às mulheres jornalistas
O Sinjorba destaca que mulheres jornalistas estão mais expostas a situações de importunação sexual, intimidação e violência de gênero durante grandes eventos. Por isso, recomenda que as empresas adotem medidas preventivas concretas, como trabalho em dupla nas ruas, transporte seguro no retorno para casa, escalas humanas e acolhimento imediato em caso de ocorrência.
O documento reforça que a importunação sexual é crime e não pode ser naturalizada como “parte da festa” ou “efeito do Carnaval”. Também orienta que, diante de qualquer situação de assédio, o fato seja registrado e tratado com seriedade pelas empresas, com encaminhamento para denúncia nos canais competentes.
Estão disponíveis, de forma permanente, a Central de Atendimento à Mulher (180), o Disque Denúncia 181, na Bahia, e o 190, em casos de risco imediato.
Além disso, o sindicato ressalta que cabe às empresas assegurar que a vítima não seja constrangida ou silenciada, e que medidas sejam adotadas para evitar a repetição da violência.
Segurança é responsabilidade institucional
O Sinjorba também solicita que os veículos garantam condições estruturais mínimas, como água e alimentação adequadas, transporte seguro, reconhecimento do tempo de deslocamento como jornada de trabalho e planejamento de escalas que respeitem o direito ao descanso.
Para a entidade, segurança não pode ser tratada como questão individual. É responsabilidade institucional das empresas organizar a cobertura de forma que preserve a vida, a integridade física e a dignidade de quem está trabalhando.
O sindicato permanece atento durante todo o período do Carnaval e se coloca à disposição para receber relatos, denúncias e pedidos de orientação da categoria. Profissionais que necessitem de apoio ou queiram comunicar situações relacionadas à cobertura podem entrar em contato pelo e-mail secretaria@sinjorba.org.br
Ascom



