Empresa de consultoria, concessionárias de veículos e Codevasf: “Operação Vassalos” devassa suposto esquema da tradicional família Coelho de Petrolina

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A imprensa nacional tem repercutido amplamente a Operação “Vassalos”, deflagrada nesta quarta-feira (25), pela Polícia Federal. A ação tem como alvos o ex-senador Fernando Bezerra (MDB-PE) e os filhos, o deputado federal Fernando Filho (União-PE) e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho e investiga desvio no envio de emendas parlamentares, por meio do direcionamento de licitações para empresa vinculada ao grupo.

De acordo com o Metrópoles, a PF apontou que o ex-senador abriu a Vale Soluções e Consultoria em 18 de janeiro de 2023, faltando 13 dias para deixar o cargo. Tanto a data de fundação quanto a movimentação financeira considerada atípica levantaram indícios de lavagem de dinheiro e de ocultação de patrimônio.

Ainda de acordo com a PF, a organização criminosa sob suspeita desviava valores oriundos de emendas ao direcioná-los para licitações para empresa vinculada ao clã. O montante bancaria supostas vantagens indevidas e ocultação patrimonial.

Segundo a investigação, Fernando Bezerra movimentou valores incomuns para um político prestes a deixar o Senado, o que sugere uma manobra para legalizar recursos de origens suspeitas ou até mesmo desconhecidas. As informações constam em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino desta quarta (25) na qual determinou a quebra de sigilo telefônico dos envolvidos.

“Considerações análogas são tecidas em relação à VALE SOLUÇÕES E CONSULTORIA, empresa de consultoria aberta por FERNANDO BEZERRA COELHO treze dias antes do término de seu mandato, a qual movimentava valores em patamar suspeito para uma pessoa politicamente exposta que vem de abandonar a vida pública”, escreveu o relator.

Essa estratégia da família Bezerra para esconder bens não se restringiria somente à consultoria. Trata-se de um padrão que a PF encontrou nas empresas Excelsus Participações Ltda. e Manoa Participações Ltda., também ligadas ao esquema.

Concessionárias 

A Polícia Federal afirma que Fernando Bezerra Coelho e seu filho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União PE), atuavam como sócios ocultos, os “verdadeiros donos” de uma concessionária de veículos em Petrolina e Caruaru, em Pernambuco. Segundo a investigação, a empresa teria sido usada para movimentações financeiras suspeitas, incluindo grandes quantias em dinheiro vivo e recebimento de valores de terceiros.

Sobre a concessionária Bari Automóveis, representante da Jeep, o ministro destacou indícios de operações financeiras fracionadas em espécie e repasses a pessoas físicas sem renda compatível, o que pode indicar tentativa de ocultar a origem e o destino dos recursos.

De acordo com a PF, mensagens apreendidas mostram que pai e filho frequentavam o estabelecimento, participavam diretamente das vendas e tinham acesso aos balancetes da empresa.

Codevasf

A PF também identificou indícios de que a cúpula da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Pernambuco atuava sob influência direta da família Coelho, grupo político tradicional do estado.

Segundo documentos que embasaram a Operação Vassalos, o então superintendente da 3ª Regional da estatal em Petrolina, Aurivalter Cordeiro Pereira da Silva, mantinha relação de subordinação informal com integrantes da família, a quem enviava mensagens periódicas de prestação de contas.

De acordo com a investigação, Aurivalter ocupava, antes da nomeação para a Codevasf, o cargo de assessor parlamentar do ex-senador Fernando Bezerra Coelho. Mesmo após assumir a superintendência, em 2016, ele teria continuado a reportar suas ações e decisões a membros do grupo político.

Os investigadores apontam que a influência da família Coelho sobre a Codevasf foi essencial para o funcionamento de um suposto esquema que envolvia o direcionamento de verbas federais, especialmente emendas parlamentares e termos de execução descentralizada, para projetos previamente escolhidos.

Parte desses recursos, segundo a apuração, teria beneficiado empresas ligadas ao grupo, em especial a Liga Engenharia, que acumulou mais de R$ 100 milhões em contratos de pavimentação em Petrolina desde 2017.

Operação Vassalos

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (25) a operação Vassalos, que tem como alvos o ex-senador Fernando Bezerra (MDB-PE) e os filhos, o deputado federal Fernando Filho (União-PE) e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. A ação investiga desvio no envio de emendas parlamentares, por meio do direcionamento de licitações para empresa vinculada ao grupo.

Ainda conforme as investigações, os valores desviados eram encaminhados para o pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio. A suspeita é que o esquema tenha movimentado bilhões em recursos.

Ao todo estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.

A defesa do ex-senador Fernando Bezerra Coelho e do deputado Fernando Filho informa que ainda “não teve acesso à decisão do ministro Flávio Dino. Os mandados vieram desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares. Após o acesso aos a autos, a defesa irá se manifestar”.

Redação PNB, com informações Metrópoles

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