“Não funcionou”: Prestes a completar 3 meses à frente das UBSs de Juazeiro, IGA- Instituto de Gestão Aplicada é alvo de críticas de profissionais e usuários; confira histórico da OS

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Desde que o Instituto de Gestão Aplicada (IGA) assumiu, em janeiro deste ano, a gestão das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Juazeiro, na região Norte da Bahia, profissionais da Atenção Básica têm relatado uma série de problemas.

Entre as queixas recebidas recorrentemente pelo Portal Preto no Branco estão atrasos salariais e no pagamento do complemento do piso salarial da enfermagem, dificuldades no pagamento de benefícios, ausência de contratos formais, condições de trabalho consideradas precárias, além de cobranças consideradas excessivas no ambiente de trabalho. Neste período, aumentou também o número de reclamações de usuários em relação ao atendimento das unidades básicas de saúde do município.

“Não vem dando certo, não funcionou, e a Prefeitura de Juazeiro não pode fazer vistas grossas e manter esta empresa que desde o início vem sendo pessimamente avaliada pelos trabalhadores e usuários. No primeiro ano da gestão as críticas da população e dos servidores diminuíram consideravelmente e a SESAU vinha acertando. Após a IGA assumir deu início a uma insatisfação generalizada. É preciso cortar o mal pela raiz o quanto antes”, avaliou um contratado da O.S. que pediu para não ser identificado.

Histórico de críticas em outros municípios

Conforme um levantamento realizado pelo PNB, atuação do Instituto de Gestão Aplicada em outras cidades também já foi alvo de críticas e denúncias por parte de trabalhadores e entidades.

Em Maceió (AL), onde o IGA iniciou sua atuação no ano de 2022 na Atenção Básica, servidores e movimentos sociais denunciaram precarização das condições de trabalho, falta de insumos, sobrecarga de profissionais e dificuldades no atendimento à população.

Em reportagens publicadas no site Mídia Caeté entre setembro de 2024 e junho de 2025, profissionais relatam que com a gestão da IGA, as unidades passaram a operar com escassez de médicos e estrutura comprometida, enquanto trabalhadores enfrentavam aumento da demanda e pressão por produtividade.

Além disso, as reportagens destacaram que o IGA foi alvo de críticas de trabalhadores e  militantes que atuavam no Fórum em Defesa do SUS. Os relatos apontaram para  uma lógica de atendimento baseada em volume de procedimentos, com pouca continuidade no cuidado dos pacientes, o que teria comprometido a qualidade da assistência.

Também, segundo o site, foram registradas queixas de perseguições a profissionais que criticavam o modelo de gestão, além de transferências e demissões em contextos de insatisfação com a condução dos serviços.

Confira as matérias na íntegra:

Recursos públicos, gestão privada: servidores denunciam lógica de ‘mutirão’ na Saúde de Maceió, com precarização e perseguições

Privatização da Saúde em Maceió: um duto eleitoral que maltrata a população

Já no dia 29 outubro 2025, o portal.sindservsantos.org.br, site oficial do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos, publicou uma matéria sobre uma condenação envolvendo a organização social IGA após denúncia de assédio moral e discriminação racial ocorrida em fevereiro de 2021 durante sua atuação na gestão do Hospital Regional Costa do Cacau, localizado no município baiano Ilhéus. A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).

Conforme as informações, na época, o IGA foi contratado pelo estado para admissão de profissionais, aquisição de insumos e equipamentos para a unidade. Mesmo com as denúncias, a organização gestora não teria adotado medidas para coibir a prática ilegal de discriminação e assédio no trabalho.

O sindicato destacou ainda que o processo foi motivado pelas conclusões de um inquérito que revelou a ocorrência sistemática de assédio moral com viés racista tanto no período em que a unidade era gerida pela IGA quanto no período em que o hospital passou a ser administrado pela Fundação ABM de Pesquisa e Extensão na Área da Saúde (Fabamed). Juntas, as organizações foram condenadas a pagar indenização de R$ 80 mil e a cumprir uma série de normas de prevenção e combate ao assédio moral em todas as suas operações, sob pena de multas. A Fabamed assumiu a administração do HRCC em 2 de janeiro de 2025, após vencer o edital de licitação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia.

Confira na íntegra

TERCEIRIZAÇÃO DA SAÚDE: OSs QUE COMANDAM HOSPITAL PÚBLICO SÃO CONDENADAS POR ASSÉDIO

 

Redação PNB 

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