As apostas online passaram a ser o principal fator de endividamento das famílias brasileiras, superando o peso do crédito e dos juros, como mostra um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) em parceria com a FIA Business School.
A pesquisa analisou quatro fatores:
- crédito em relação à renda;
- juros ao consumidor;
- tempo de endividamento;
- apostas.
O resultado do estudo mostrou que o coeficiente das bets (0,2255) supera com folga o crédito (0,0440) e os juros (0,0709), que mesmo quando são somados ficam abaixo do impacto das apostas no orçamento das famílias.
Novo forma de endividamento
Segundo o estudo, a expansão das bets após a legalização em 2018 e a popularização a partir de 2019 alterou a dinâmica do endividamento. Em 2025, a receita bruta das bets autorizadas atingiu R$ 37 bilhões, segundo dados oficiais, enquanto cerca de 7,5 milhões admitiram ter comprometido parte da renda com jogos.
“O padrão sugere deslocamento de recursos de atividades produtivas e poupança de longo prazo para apostas de retorno esperado negativo”, explicou Claudio Felisoni, presidente do Ibevar.
O impacto das bets também é maior entre famílias de baixa renda, que acabam recorrendo a crédito caro – como cartão e cheque especial – para cobrir as perdas nas apostas online. Dados do Banco Central apontam que 101 milhões de brasileiros usam cartão de crédito com juros elevados, sendo que 49 milhões pagam taxas que chegam a 100% ao ano.
A inadimplência também cresceu, passando de 5,6% para 6,9% em um ano, enquanto o comprometimento da renda chegou a 29,2%, o maior nível já registrado.
A Tarde



