O Povoado de Caboclo, localizado no município de Afrânio, preserva uma das expressões mais fiéis da arquitetura colonial do sertão, com casario tombado e cenário que remete ao início do povoamento da região. A localidade já serviu de cenário para filme e documentários entre outras atrativos artísticos. Agora ganha as páginas da literatura de cordel. Nesta próxima terça-feira (31), o poeta e cantador petrolinense Aldy Carvalho vai lançar no espaço O Casarão, centro de Petrolina, sua nova obra “Caboclo em Cordel” – lançado pela (Editora Nova Alexandria).
Com ilustrações na linguagem das xilogravuras fiéis aos cenários naturais do povoado, assinadas por João Gomes de Sá, o autor primeiro traduz diante seu vasto conhecimento literário e poético endossados por suas publicações de vários gênero, e mais uma vez, entrega sua fidelidade com abordagens fiéis às suas origens sertanejas, e assim, destaca com maestria o valor inestimável da literatura de cordel, patrimônio cultural imaterial brasileiro, valorizada pela sua síntese única de poesia popular, narrativa e arte visual através da xilogravura .“Cordel é vivo, pujante. Por tantos fatos narrados, pela beleza que emana entre cantares rimados. É cultura popular, feita para registrar temas diversificados”, assinala Aldy.
Nas primeiras estrofes de sua brilhante narrativa, o poeta e cantador convida o leitor a fazer uma viagem ao túnel do tempo, se transportando para Afrânio e especialmente, a comunidade do Caboclo, cujos versos apontam: “Um lugar privilegiado pelo seu legado histórico/ No Nordeste destacado”.
Nas páginas adiante, Aldy traduz com entusiasmo de um poeta a garimpar histórias e memórias de um lugar de pertencimento a um povo sertanejo bravio. Nos versos iniciais, ele conecta Caboclo às suas origens como um lugarejo que “conta histórias do passado e do presente/Que projeta tanto sonhos/Os sonhos de sua gente/ Terra de bons cidadãos/De bons costumes cristãos/ E de futuro pungente.
Natural de Petrolina e radicado em São Paulo há décadas, ele nunca perdeu o foco de suas origens de caatingueiro. Aldy Carvalho mantém sua obra fidedigna às coisas e causos dos Sertões. A ideia do Caboclo em Cordel era um sonho que vinha sendo alimentado por com o auxílio intelectual do arquiteto Cosme Cavalcanti (falecido em 2023) que presidia a comissão de revitalização do Caboclo.
Desde a infância Aldy já vinha arquivando em suas memórias, histórias orais de moradores do lugar. Há poucos anos fez diversas visitas ao povoado, dando início à chamada “narrativa do olhar” alinhando seu povo, costumes, saberes e seus cenários naturais para a textualidade poética”.
Através dos versos finais, o poeta arremata seu encantamento para que o leitor também se atine a mergulhar na comunidade em meio à passagem do tempo. “O futuro de caboclo /Depende da juventude /Que herdará dos seus avós/ Coragem, força, atitude/De lutar com valentia/E preservar a alegria/De viver em plenitude/Do povoado de Caboclo/ Você pode ter certeza/Simplicidade e magia/ Completam sua beleza/ Seja velho ou seja novo/ O abraço de seu povo/ É de sua natureza. E assim Caboclo se firma/ Como joia do Sertão/ Pernambuco lhe consagra /O respeite e afeição/ Neste cordel como herança/Se reafirma a esperança/ Guardá-lo no coração.
No prefácio de abertura, a pesquisadora Geida Maria Cavalcanti de Souza direciona o autor para suas origens e arremata que “Poetizar Caboclo fez Aldy sentir-se da terra, enriquecer a tradição oral nordestina. Impossível conhecer Caboclo e não se apaixonar por tudo que esse povoado, localizado no Sertão de São Francisco, tem “tem para oferecer a cada um”.
Ascom



