Professores do município de Juazeiro questionam imposição de Atividade de Classe em dias determinados e pedem flexibilidade: “Não sobrevivemos com um só vínculo”

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Profissionais da rede municipal de ensino de Juazeiro, na região Norte da Bahia, procuraram o Portal Preto no Branco para relatar o que classificam como imposição rígida no cumprimento da chamada Atividade de Classe (AC). Conforme os relatos, professores estão sendo obrigados a cumprir a AC exclusivamente nos dias determinados pelas escolas, sem possibilidade de flexibilização, o que tem gerado conflitos com outros vínculos de trabalho.

“Sou professora da rede municipal de Juazeiro e estou sofrendo muito com essa situação. A Seduc está impondo que a gente cumpra a atividade de classe nos dias que eles determinam, sem abrir margem para fazer em outro dia ou até mesmo em outro espaço. O importante não é planejar as aulas? Isso a gente consegue fazer em qualquer lugar. Entende-se que atividade de classe presencial na escola ou na SEDUC é quando há uma formação em especial, mas infelizmente muitas escolas estão nos obrigando a cumprir a atividade de classe no dia que eles determinam e na própria escola”, desabafou uma docente.

A profissional destaca ainda que a situação está prejudicando os profissionais que possuem outros vínculos empregatícios.

“Com esse impasse, nós, professores que trabalhamos 20 horas na rede municipal de Juazeiro e precisamos trabalhar em outros vínculos, estamos sendo obrigados a escolher um trabalho ou outro. Eu, por exemplo, nesse momento, estou tendo que escolher entre um vínculo ou outro por causa dessa AC. Os gestores dizem que é ‘inabonável’, que não pode mudar o dia. E a gente fica sem saída. Por isso, deixo a pergunta: qual professor consegue viver apenas com um vínculo? A gente não vive, a gente sobrevive”, acrescentou a profissional.

Outro educador critica a forma como a atividade vem sendo aplicada nas unidades escolares.

“As vezes a gente vai para a escola só para receber informe, lançar nota ou aula. Isso não é atividade de classe. A AC é para estudo, formação, planejamento. E nem toda semana existe formação. A justificativa é de que a atividade já estaria incluída no salário, mas a gente recebe só o básico. Enquanto isso, o professor concursado recebe a gratificação no contracheque. Então por que para a gente está incluído e para eles não?”, questionou outra docente.

Além disso, os professores apontam ausência de diálogo e cobram posicionamento de entidades: “Não existe diálogo com a classe. Eles simplesmente impõem o dia e dizem que não pode mudar. A gente também espera uma manifestação da APLB Sindicato, porque até agora está em silêncio. Queremos trabalhar e viver com dignidade. Do jeito que está, só está prejudicando o professor”, concluiu.

Encaminhamos os relatos para a Secretaria de Educação de Juazeiro em busca de um posicionamento do órgão e aguardamos uma resposta.

Redação PNB

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