Afastados do cargo, os vereadores do município de Juazeiro, na região Norte da Bahia, Hitallo Marcelino e Anderson da Iluminação, ambos do União Brasil, alvos da “Operação Promitente”, ficarão sem receber salários durante o período de afastamento. A ação da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de compra de votos e fraude eleitoral no município, foi deflagrada na manhã desta terça-feira (7).
De acordo com informações apuradas por nossa redação, a medida cautelar determinou o afastamento dos parlamentares, que não receberão remuneração, mas as vagas não serão ocupadas por suplentes já que a investigação está em curso.
Em agosto do ano passado, Anderson Alves da Cruz, Anderson da Iluminação assumiu a vaga de Renan Fonseca (DC) que teve o mandato cassado por decisão do TRE-BA. A decisão do órgão reconheceu irregularidade na cota de gênero do partido Democracia Cristã nas eleições de 2024.
À época, em nota, Renan Fonseca manifestou sua “tristeza diante da decisão do TRE”, ressaltou que foi o primeiro autista eleito do Nordeste e reafirmou que seguiria recorrendo da decisão.
“Independentemente do que aconteça, seguirei firme na minha missão: promover a inclusão, para que todas as pessoas sejam valorizadas, tenham justiça e oportunidades com equidade! Eu luto. Eu trabalho. Eu cuido. Eu acredito!”, afirmou Renan.
Notificação
O Presidente da Câmara de Vereadores de Juazeiro, Emerson Mitu, informou que, na manhã de hoje (7) foi oficialmente comunicado pelas autoridades competentes acerca da existência de medidas judiciais envolvendo parlamentares integrantes desta Casa Legislativa.
O Presidente reafirmou o compromisso da Câmara de Vereadores com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições, ressaltando que todas as decisões judiciais serão integralmente cumpridas, garantindo o pleno funcionamento do Poder Legislativo e a observância do devido processo legal.
Operação Promitente
De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam que os dois agentes públicos, em conjunto com o presidente de um partido político, teriam articulado um esquema para burlar a cota de gênero nas eleições. A prática consistia em recrutar mulheres para figurarem como candidatas apenas no papel, sem participação real nas campanhas, mas ainda assim recebendo recursos do fundo eleitoral.
A apuração aponta ainda que, após a fraude, os envolvidos, com apoio do advogado do partido, teriam pressionado uma das mulheres aliciadas a reconhecer formalmente o esquema em cartório. A manobra teria como objetivo retirar do cargo um candidato legitimamente eleito para favorecer um suplente.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Eleitoral, além de dois mandados de afastamento de função pública. O presidente do partido investigado também teve as atividades partidárias suspensas.
Como medida cautelar, os suspeitos estão proibidos de frequentar a Câmara de Vereadores e de manter contato com servidores do Legislativo e do Executivo municipal.
Durante as buscas, os agentes apreenderam aparelhos eletrônicos, documentos e quantias em dinheiro. Todo o material será periciado para aprofundar as investigações e verificar a possível existência de outros crimes relacionados ao caso.
Redação PNB



