A situação da biblioteca pública de Juazeiro, na região Norte da Bahia, voltou a ser alvo de críticas. Em relato enviado ao Portal Preto no Branco, a leitora Eliane Simone Schwantes Barreto fez um desabafo e cobrou mais atenção do poder público ao acesso à leitura no município.
Gaúcha e morando pela segunda vez na cidade, Eliane destaca que o problema é antigo e, segundo ela, nunca foi solucionado.
“Venho por meio desta fazer um desabafo: a falta triste é imperdoável de uma biblioteca pública de qualidade para a população. Ontem comemoramos o Dia Nacional da Biblioteca, contudo, Juazeiro não tem nada a comemorar. Quando morei aqui pela primeira vez, no início dos anos 2000, já me deparei com essa situação lamentável: simplesmente não havia uma biblioteca. Passados 25 anos, a cidade cresceu, se desenvolveu, tem universidade, instituto federal, inúmeros ótimos colégios e faculdades, mas a população que não faz parte dessas instituições não tem acesso a livros de forma gratuita”, afirmou.
A leitora também compara a realidade local com a de outras cidades onde, segundo ela, há investimentos mais consistentes em equipamentos culturais.
“Vim de uma cidade pequena da região metropolitana de Porto Alegre, onde a realidade é muito diferente. Lá existe biblioteca pública de qualidade e atuante. Promove saraus literários, empréstimos, feira do livro, horas do conto, biblioteca itinerante, espaço para bebês, para crianças maiores, sala de estudo, leitura, internet… é um espaço vivo e acessível para todos”, relatou.
Eliane ainda critica iniciativas culturais promovidas pelo município, questionando a efetividade das ações voltadas ao incentivo à leitura.
“De nada vale o poder público promover ‘Juá Literária’ com livros a preços de livrarias, dar voucher aos estudantes e oferecer apenas opções limitadas de compra. Isso não resolve o problema. A literatura no Brasil já é inacessível, com livros com valores exorbitantes. Além disso, o dever do Estado não é cumprido de forma eficiente. Cultura não é um direito de todos garantido pela Constituição de 1988?”, questionou.
Por fim, ela faz um apelo por mudanças na realidade do município.
“Tudo isso me entristece e preocupa muito. O que poderíamos fazer para mudar essa situação? É um desabafo de uma leitora voraz que se sente desamparada. Precisamos começar pela melhoria imediata da biblioteca pública de Juazeiro”, concluiu.
Estamos enca os relatos para a Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte de Juazeiro em busca de esclarecimentos.
Redação PNB



