Uma árvore com cerca de 29 anos, sumiu da EMEI Maria Júlia Rodrigues Tanuri, no bairro Dom Tomaz, em Juazeiro, no norte da Bahia e, supostamente, foi furtada do equipamento público. Moradores entraram em contato com o Portal Preto no Branco para relatar o caso e cobrar explicações sobre o “sumiço” da tamareira que fazia parte da história da comunidade.
“No ano de 1997 foi plantada na Praça da República pelo senhor Joselino de Oliveira uma muda de tamareira trazida da Embrapa Semiárido. Um planta adulta e exuberante, com 29 anos de idade, um belo exemplar da espécie que, resiliente e contrariando a natureza das tamareiras que normalmente são dióicas, ou seja, possuem plantas masculinas e femininas, sendo necessário uma planta de cada sexo para que haja frutificação, essa planta única produzia anualmente centenas de frutos”, contou um morador.
Segundo ele, a tamareira passou a oferecer riscos ao atingir a rede elétrica, o que levou a gestão da escola a solicitar a remoção da árvore.
“Em 2014, a prefeitura reduziu a área da praça com a construção da creche Maria Julia Tanuri e a tamareira ficou dentro dos muros da instituição. De acordo com relatos do gestor da creche, o contato das folhas com os fios de eletricidade estava causando algumas descargas elétricas e diante disso ele entrou em contato com a Secretaria de Meio Ambiente para solucionar o problema. Para a surpresa e espanto, a tamareira foi arrancada do local. A gente sabia que precisava tirar, porque estava encostando na fiação. Disseram que a Coelba ia fazer o serviço e que a árvore seria replantada aqui mesmo na praça”, contou um morador.
Eles afirmam, no entanto, que a árvore foi retirada, mas não foi replantada no local, como havia sido informado.
“Retiraram a árvore e nada de replantarem. A gente não entendeu nada. Ninguém explicou. Depois disseram que ela tinha sido vendida. Fui na prefeitura pra saber o que tinha acontecido, e o secretário falou que não estava ciente, que houve um diálogo para retirar a planta, mas que não sabia da venda. Até agora, ninguém explica esse mistério”, relatou um morador.
Ainda segundo os relatos, uma empresa esteve no local para realizar a retirada da tamareira.
“Segundo informações, um senhor procurou a creche informado a respeito da solicitação feita à Secretaria de Meio Ambiente, trouxe funcionários, caminhão e todo o aparato necessário e foi feita a retirada da tamareira, que se encontrava em plena frutificação. Uma verdadeira atrocidade. O pessoal que veio disse que só o transporte de uma árvore desse porte custa uns R$ 7 mil, e que ela pode valer mais de R$ 40 mil. A informação que os funcionários que trabalhavam na retirada da planta deram para os moradores que assistiam àquela cena lamentável é que a tamareira havia sido vendida e que estava sendo levada para o Rio Grande do Sul. Quem vendeu essa árvore?”, questionou um morador.
Ele cobrou esclarecimentos do caso.
“Levaram a árvore daqui para outro estado, como se não fosse de ninguém. Isso é um absurdo. A gente quer saber quem autorizou isso porque foi um furto. Tiraram algo que era da comunidade sem dar satisfação.
Encaminhamos o caso à Prefeitura de Juazeiro em busca de esclarecimentos. Em nota, a gestão informou que autorizou apenas a remoção da árvore devido ao risco na rede elétrica, mas afirmou que a retirada foi realizada de forma irregular por um indivíduo sem vínculo com o município. Segundo a Prefeitura, o caso já foi comunicado à polícia para investigação.
Confira a nota na íntegra:
“A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMA) informa que, após solicitação da gestão escolar, realizou vistoria técnica no local e emitiu autorização para a remoção da árvore, em razão de risco identificado no contato com a rede elétrica.
Na ocasião, a SEMA orientou expressamente que qualquer intervenção deveria seguir os trâmites legais, sendo executada por empresa devidamente autorizada, com adoção de medidas ambientais adequadas, incluindo o transplante da espécie e a devida compensação ambiental.
Entretanto, foi constatado que um indivíduo, sem qualquer vínculo com os órgãos municipais, compareceu à unidade escolar se passando indevidamente por profissional qualificado e representante da empresa responsável pelo setor elétrico, realizando a remoção irregular da árvore.
A conduta configura, em tese, crimes como falsidade ideológica (art. 299 do Código Penal) e exercício ilegal de profissão (art. 47 da Lei de Contravenções Penais), além de possíveis infrações ambientais, a depender da apuração dos fatos.
A Secretaria de Educação (SEDUC) reforça que não autorizou, não solicitou e não contratou qualquer serviço relacionado à retirada da árvore.
Dessa forma, SEMA e SEDUC esclarecem que não possuem qualquer responsabilidade sobre a ação irregular praticada por terceiros.
A ocorrência já foi formalmente comunicada às autoridades policiais, e as medidas cabíveis estão sendo adotadas para a devida investigação, identificação e responsabilização do(s) envolvido(s).
As secretarias reiteram o compromisso com a legalidade, a transparência e a proteção ambiental, e seguem à disposição para colaborar com as investigações.”
Redação PNB



