
Nos últimos dias o Portal Preto No Branco vem abordando um tema que merece bastante atenção: O abandono de animais, em Juazeiro-BA. Cães e Gatos andarilhos se acumulam e vagam pelas ruas do município, sem, aparentemente, receberem a atenção devida do poder público.
Nossa equipe flagrou, no cemitério de Juazeiro, uma gataria (coletivo de gatos e não um termo pejorativo usado por nossa reportagem, como comentaram alguns leitores do PNB), formada por mais de cinquenta felinos, adultos e filhotes, que ocupam o espaço em busca de alimentos. Os animais recebem atenção de voluntários que deixam alimentos no local e prestam outros cuidados. No entanto, o poder público parece não enxergar a situação e nem adotar providências, pois a quantidade de gatos só aumenta a cada dia.
A gataria no cemitério, chama atenção também para o abandono de animais, crime previsto em lei, é uma situação flagrante no local, sem que as nenhuma providência seja adotada.
Nossa reportagem mostra, claramente, que não há uma política pública de proteção aos animais, em Juazeiro. Sequer existe um Centro de Zoonoses. Os animais são órfãos de ações que os protejam e assegurem o que está na legislação, e, por consequência, a população também fica exposta a doenças.
“O que a prefeitura faz é sacrificar os animais e só. Tem que chamar atenção do poder público que o extermínio não é a solução. Adoção é a solução”, desabafou a voluntária de uma ONG, em contato com o PNB.
Em conversa, publicada ontem(28) pelo PNB, a advogada e voluntária de uma ONG de proteção aos animais de Juazeiro, Valentine Oliveira, também orientou que a forma mais eficaz de enfrentar o problema, é por meio do recolhimento dos animais andarilhos para castração e posterior disponibilização para adoção.
“Não existe um Centro de Zoonoses em Juazeiro, o que existe é um canil/gatil, que têm funções diferentes. E apesar de ter passado por uma reforma recente, o setor quase não recolhe animais das ruas. Até um dia desses, a unidade mal tinha o teste rápido para Leishmaniose, conhecida como calazar. E também nem havia condições de resgatarem animais, pois não tinha como alimentá-los. Além disso, eles não fazem a castração dos animais. Praticamente, só existe um prédio e funcionários ociosos”, declarou.
O PNB encaminhou as críticas e alguns questionamentos sobre o problema para a Secretaria Municipal de Saúde.
Em nota, a SESAU informou que “os animais levados e acolhidos no canil gatil são com suspeita ou diagnóstico de raiva e/ou leishmaniose, doenças transmissíveis ao ser humano. O canil gatil infelizmente não pode acolher animais vadios”.
O órgão disse ainda que “o município vem realizando algumas reuniões com ONG’s e protetores e a causa animal está sendo debatida. A Secretaria da Saúde esclarece que não pode realizar a castração dos mesmos, pois não possui Centro de Zoonoses e não existe pelo Ministério da Saúde nenhuma portaria que possa direcionar os recursos do SUS para tal ação, sendo Juazeiro portadora apenas de um canil gatil”.
A SESAU finalizou esclarecendo que apesar de não existir um setor de zoonoses, o município realiza o controle doenças transmissíveis entre os animais e o homem, “Onde a população pode levar seu animal para vacinar e em períodos de campanha, principalmente antirrábica, são intensificadas as ações”, finalizou a SESAU.
Resumindo, o poder público confessa que em Juazeiro, cidade de porte médio, não há uma política pública de proteção aos animais. Eles estão “ao Deus dará” e a população também.
Ainda bem que existem voluntários resistentes. Os grupos de proteção animal, a duras penas, cumprem o papel do município, que é ausente, negligente e faz vistas grossas para o problema.
Da Redação



