“1 bilhão para a saúde de Juazeiro? O que existe é um subfinanciamento” diz secretária de saúde Fabíola Ribeiro

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Em entrevista ao Programa Palavra de Mulher/Web da última quarta-feira (18), o pastor evangélico Teobaldo Pedro de Jesus, que já se apresenta como pré-candidato no próximo pleito municipal, questionou os gastos da Prefeitura de Juazeiro-BA com a saúde pública. O pastor filiado ao Patriota, afirmou que a atual gestão teria recebido um repasse de cerca de 1 bilhão de reais do Governo Federal, em 11 anos, para serem investidos na área da saúde.

Após as declarações, o PNB entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Juazeiro, em busca de esclarecimentos.

Em conversa com a nossa redação, a Secretária Fabíola Ribeiro declarou que só em 2018, a gestão investiu 24% de toda a sua arrecadação em Saúde, sendo que por lei, o valor mínimo é de 15%. “Foi maior índice da história. Além disso, Juazeiro tem 96.2% de cobertura do Programa de Saúde da Família. Só para se ter uma ideia, a capital do Estado, Salvador, por exemplo, tem apenas 26,56%, de cobertura e o município vizinho, Petrolina, tem 89%”, declarou Fabíola Ribeiro.

A Secretária informou ainda que a gestão recebe, anualmente, o repasse de cerca de 100 milhões de reais, do Governo Federal, “um valor que prova o quanto a saúde do município é subfinanciada”, afirmou a gestora.

“A UPA, por exemplo, custa 1,1 milhão por mês, e a prefeitura recebe apenas 300 mil de recursos federais. Já o Hospital Materno Infantil recebe 450 mil por mês, mas custa 2,1 milhões. Cada equipe de Saúde da Família custa 54 mil reais, no entanto, a prefeitura só recebe 17 mil por cada uma. Por tanto, a maior parte das despesas acabam sendo custeadas pelo município. Fora os serviços que o município precisa arca sozinho. Na saúde mental, por exemplo, a gente custeia totalmente o CAPS I, Ambulatório de Saúde Mental, Residência Terapêutica, entre outros serviços. Nossa gestão paga os melhores salários para enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde e de endemias de toda a região, e isso é um fato”, explicou.

Fabíola Ribeiro disse ainda que por conta do subfinanciamento, a cada ano os serviços do SUS se precarizam.

“Desde 2010 as tabelas de exames não são reajustadas. A prefeitura recebe algo em torno de 17 centavos por um raio x, e a complementação sai dos cofres municipais”, acrescentou.

A Secretária declarou também que apesar do subfinanciamento, a atual gestão tem conseguido manter os serviços, e se empenhando em oferecer um atendimento satisfatória aos usuários.

“Por mês, centenas de pessoas são transportadas para a casa do TFD em Salvador, e o custo é enorme, mas a prefeitura tem garantido transporte e quatro refeições diárias aos pacientes de tratamento fora do domicílio. Além disso, Juazeiro conta com 43 unidades, também com equipe odontológica. A prefeitura mantém três hospitais municipais, em pleno funcionamento, o que é raro em outros municípios. Em Petrolina, temos o Hospital de Traumas, que é mantido pela Univasf, o Dom Malan, pelo Estado e a UPA, que também é estadual, não se responsabilizando por nenhuma unidade hospitalar”, declarou a secretária.

Perguntada sobre o repasse de cerca de 1 bilhão de reais do Governo Federal para serem investidos na área da saúde, conforme questionou Teobaldo de Jesus, a secretária respondeu:

“O certo é que há um subfinanciamento na saúde, e Juazeiro sofre como sofrem os demais municípios brasileiros, com a falta de recursos para uma área tão complexa e com tantas demandas. E o prognóstico não é bom, pois o governo Bolsonaro já anuncia sua intenção em congelar os investimentos na saúde. Os municípios ficam na ponta dos serviços e são os alvos mais fáceis das críticas e incompreensões por parte da população, sobretudo daqueles que não têm boa vontade para tentar compreender as dificuldades. O que posso garantir é que o município de Juazeiro tem buscado soluções, tem investido mais do que preconiza a legislação, tem se empenhado em fortalecer a rede e mantém a duras penas, essa engrenagem funcionando. Se não conseguimos a excelência que gostaríamos no atendimento a população, estamos fazendo mais do que o possível para ofertar os serviços e atender as demandas. É fácil criticar, quando se ver de longe. O Prefeito Paulo Bomfim e eu, como secretária de saúde, não descansamos na missão de promover uma saúde melhor para Juazeiro, somos comprometidos e sérios na administração dos recursos. Disso todos tenham certeza”, finalizou Fabíola Ribeiro.

 

Pelas redes sociais está circulando um convite à população, para uma “Caminhada contra o descaso na Saúde de Juazeiro-Ba”, que acontecerá segunda-feira (23), às 9 horas. No convite o mesmo questionamento é feito: “1 Bilhão para a saúde de Juazeiro, onde foi parar?”, mas sem especificar o período.

Veja nota/convite na íntegra e sem correções:

“Uma caminhada contra os maus serviços de saúde prestados pela gestão municipal de Juazeiro Bahia, está marcado para esta segunda-feira, dia 23 de setembro de 2019, em frente a prefeitura municipal da cidade, a partir das 09:00 horas da manhã. A constante falta de medicamento, exames, médicos, mau atendimento, fechamento do Hospital da criança, atendimento do SAMU, negligências médicas, falta de UBS nos bairros, atendimento da UPA 24 horas, Hospital Regional são as reivindicações do povo de Juazeiro que se queixam da saúde do município. Convidamos toda a população juazeirense que está insatisfeita com os descasos que vem acontecendo na saúde do município, a participar dessa manifestação. Vamos dizer não ao desrespeito com a nossa saúde que vem sendo provocada na nossa cidade. O movimento é organizado pela população juazeirense que se utilizam do sistema público de saúde de Juazeiro-Ba”.

Da Redação

 

 

5 COMENTÁRIOS

    • Eita povo que tem raiva de evangélicos não é César Ivanildo? Quero lembrar ao nível companheiro,que o povo evangélico não é culpado pelo caos na administração pública de Juazeiro, os evangélicos assim como a população de um modo geral é VÍTIMA.

  1. Eita povo que tem raiva de evangélicos não é César Ivanildo? Quero lembrar ao nobre companheiro,que o povo evangélico não é culpado pelo caos na administração pública de Juazeiro, os evangélicos assim como a população de um modo geral é VÍTIMA.

  2. Esse pastor deve tá com muito tempo livre para ser prefeito, será mesmo ele quem representa o povo Juazeirense? Caminhada em plena segunda feira às 9h, que não promovida por atores da educação, só me parece coisa de desocupado. De que igreja que ele é? Eu me sentiria envergonhado em levantar um questionamento desse e não responder às questões que se seguem. Mas, é aquela coisa, essa gente elegeu um presidente que fugia de debate, não temos muito que esperar. É só não dar nem 1 minuto de fama e pronto.

  3. Manifestação oportunista, visando eleição pra prefeito. Não deem bola pra esse povo! Quem não ja conhece o papelão desses falsos evangélicos, nesse governo do Bozo Nazi?

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