Angari comemora elevação do nível do Velho Chico; presidente de associação esclarece se há risco de alagamento

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Uma das comunidades mais importantes e antigas do município de Juazeiro, no norte da Bahia, o Angari comemora a boa fase do Rio São Francisco. Após a elevação da vazão defluente da Usina Hidrelétrica de Sobradinho para 1.400 metros cúbicos por segundo (m³/s) na última quinta-feira (9), o volume do rio voltou a subir, mudando a paisagem no Sertão do São Francisco.

Com mais de 130 anos de história, a vila de pescadores do Angari, que nasceu e cresceu em torno do rio, desenvolveu um grande potencial na economia pesqueira. O presidente da associação de moradores do bairro, “Neguinho do Angary”, como é conhecido, ressaltou que há tempos a comunidade não vê o rio com esse nível.

(foto: Alfredo Andrade)

“Há temos não víamos o rio assim. Estava muito seco. Nessa área aqui próxima da gente, tinha uma grande faixa de areia, e a força da água levou essa areia embora. De ontem para hoje deu uma leve abaixada. Esse aumento é muito bem-vindo. Ajuda bastante a gente”, frisou Neguinho.

Entretanto, apesar da boa notícia, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) alerta para os riscos de alagamento das áreas ribeirinhas situadas na calha principal do rio, a exemplo do Angari. O presidente da associação ressaltou que apesar do aumento, não há risco da água invadir as casas que estão na parte costeira do rio.

“Realmente está mais perto, cerca de 30 metros de distância das casas, mas não há risco. Aumentaram a vazão para 1.400 metros cúbicos, mas até 1.600 a situação é tranquila para a gente. Acima disso, já ficaremos em alerta. A área está sendo monitorada”, destacou.

(foto: Alfredo Andrade)

Neguinho do Angary destacou que está em contato com a Chesf para que, caso haja algum novo aumento, os ribeirinhos sejam previamente avisados. “Eles chegaram a marcar algumas áreas onde a água chegaria bem próxima. Caso a água atinga a demarcação, a gente vai entrar em contato com eles”, acrescentou.

A alteração da vazão em Sobradinho tem a finalidade de manter o reservatório de Itaparica (PE/BA) em, no mínimo, 30% de seu volume útil. Atualmente o reservatório de Sobradinho está com cerca de 85% do seu nível de água, índice que havia sido registrado, pela última vez, em 2012. Segundo a CHESF, a previsão é de que o volume chegue a 90,28% até 23 de abril. Em maio, o lago deve chegar a 100% da capacidade, índice que não é registrado há mais de 10 anos.

Conforme matéria publicada pelo PNB na semana passada, as faixas de areia das ilhas do Fogo e do Rodeadouro, pontos turísticos da cidade, desaparecem com o cheia do Velho Chico (relembre). A estátua do Nego D’água, personagem lendário do Velho Chico e que fomenta a tradição turística do bairro, possui 12 metros de altura e ficava em parte submersa pelas águas. Porém, há anos, em virtude do longo período de estiagem, isso não acontece.

Com a elevação da vazão, a estátua voltou a ter a sua base banhada pelas águas do Velho Chico. Nos registros feitos pelo fotógrafo Alfredo Andrade, é possível fazer uma comparação da situação registrada no dia 1º de março e na quinta-feira.

Nego D’água em 1º de março (foto: Alfredo Andrade)

Nego D’água em 9 de abril (foto: Alfredo Andrade)

Caso haja um aumento maior da vazão, acima de 1.600 metros cúbicos por segundo (m³/s), os ribeirinhos serão orientado a deixarem suas casas. A responsabilidade pelo destino das famílias é da Prefeitura Municipal, conforme ressaltou o presidente da associação.

(vídeo: Alfredo Andrade)

Angari

A origem do Angari está associada às lavadeiras de beira rio, as chamadas Angaris, que para ajudar no sustento de suas famílias lavavam roupas por encomenda e se acomodavam às margens do rio onde o terreno era mais plano devido ao assoreamento causado pelas grandes enchentes. À espera de seus maridos, que saiam a pescar, as lavadeiras cuidavam em viabilizar o trabalho de suas famílias ocupando o espaço de beira-rio.

Toda a ocupação do bairro se deu de forma irregular e crônica, tendo em vista que as casas foram construídas de forma aleatória, não havia respeito a construções arquitetônicas nem ao urbanismo, o que acarretou, como uma das mais graves consequências, na inexistência de saneamento básico.

(foto: Alfredo Andrade)

Os registros foram disponibilizados por Alfredo Andrade (clique aqui e confira outros registros de Juazeiro feitos com drone).

*com informações do Projeto Multiciência

Da Redação por Thiago Santos

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