Moro afirma que vai apresentar ao Supremo as provas contra Bolsonaro

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O ex-ministro da Justiça Sergio Moro afirmou que não vai admitir ser chamado de mentiroso e que vai apresentar à Justiça provas de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir indevidamente na Polícia Federal. A declaração foi dada em entrevista à revista Veja.

Ele aproveitou para enfatizar que reitera tudo que falou em seu pronunciamento, mas que esclarecimentos adicionais serão dados apenas quando for chamado pela Justiça. “As provas serão apresentadas em momento oportuno, quando a Justiça solicitar”, afirmou.

Moro também contou que o presidente anunciou que vai divulgar um “vídeo-bomba” contra ele, mas disse não saber o que o vídeo poderia conter.
Um pouco depois da divulgação da entrevista, o ministro do STF Celso de Mello determinou que a Polícia Federal colha o depoimento de Moro em no máximo cinco dias.

“Combate à corrupção não é prioridade do governo”

O ex-ministro também falou sobre corrupção e enfatizou que o combate a malfeitos não é prioridade do governo atual e que algumas situações foram surgindo no decorrer da gestão. “Começou com a transferência do Coaf para o Ministério da Economia. O governo não se movimentou para impedir a mudança. Depois, veio o projeto anticrime. O Ministério da Justiça trabalhou muito para que essa lei fosse aprovada, mas ela sofreu algumas modificações no Congresso que impactavam a capacidade das instituições de enfrentar a corrupção.

Recordo que praticamente implorei ao presidente que vetasse a figura do juiz de garantias, mas não fui atendido. É bom ressaltar que o Executivo nunca negociou cargos em troca de apoio, porém mais recentemente observei uma aproximação do governo com alguns políticos com histórico não tão positivo. E, por último, teve esse episódio da demissão do diretor da Polícia Federal sem o meu conhecimento. Foi a gota d’água”, disse à revista.

Moro afirmou que Bolsonaro tem muito poder e que tem prerrogativas que devem ser respeitadas, mas elas não podem ser exercidas arbitrariamente. “Não teria nenhum problema em substituir o diretor da PF Maurício Valeixo, desde que houvesse uma causa, uma insuficiência de desempenho, um erro grave por ele cometido ou por algum de seus subordinados. Isso faz parte da administração pública, mas, como não me foi apresentada nenhuma causa justificada, entendi que não poderia aceitar essa substituição e saí do governo. É uma questão de respeito à regra, respeito à lei, respeito à autonomia da instituição”, pontuou.

“Não é minha intenção ser algoz do presidente”

O pronunciamento de despedida de Sergio Moro causou grande impacto entre a população e ele afirmou que entende que a opinião pública compreendeu o que disse e os motivos da fala.

“É importante deixar muito claro: nunca foi minha intenção ser algoz do presidente ou prejudicar o governo. Na verdade, lamentei extremamente o fato de ter de adotar essa posição. O que eu fiz e entendi que era minha obrigação foi sair do governo e explicar por que estava saindo. Essa é a verdade”, disse.

Após as denúncias de Moro, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que fosse aberto um inquérito para apurar se o presidente tentou de fato interferir na PF para fins políticos. Dessa forma, Moro afirmou que ficou entendido que a requisição de abertura desse inquérito, que o aponta como possível responsável por calúnia e denunciação caluniosa, foi intimidatória.

“Dito isso, quero afirmar que estou à disposição das autoridades. Os ataques mais virulentos vieram principalmente por redes virtuais. Não tenho medo de ofensa na internet, não. Me desagrada e tal, mas se alguém acha que vai me intimidar contando inverdades a meu respeito no WhatsApp ou na internet está muito enganado sobre minha natureza.”

Sobre o presidente, Moro afirmou que gosta dele.

Sobre o governo, também disse que há vários ministros competentes e técnicos. “O fato de eu ter saído do governo não implica qualquer demérito em relação a eles. Fico até triste porque considero vários deles pessoas competentes e qualificadas, em especial o ministro da Economia. Espero que o governo seja bem-sucedido. É o que o país espera, no fundo. Quem sabe a minha saída possa fomentar um compromisso maior do governo com o combate à corrupção”, comentou.

Correio Braziliense

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