Em tempos de pandemia da covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus, especialistas reforçam a importância de cuidar da saúde. Nesse período, em que a rotina parece ter virado de ponta cabeça, é preciso manter o corpo e a mente em funcionamento, mas também é preciso estar atento à alimentação. Nesse sentido, o fortalecimento do sistema imunológico se faz necessário para reduzir o risco de doenças crônicas como diabetes e obesidade, além também de problemas de depressão e ansiedade.
É esse conjunto de células (sistema imunológico) que desempenha a importante função de proteger o corpo de qualquer substância ou micro-organismo que não for por ele reconhecido. Para fortalecê-lo, é preciso investir em uma alimentação rica em minerais e vitaminas, como a vitamina D.

(foto: arquivo pessoal)
Segundo o nutricionista Mateus Reis Nascimento, especialista em fisiologia e nutrição esportiva, a vitamina D tem uma função importante no corpo pois atua na produção de células imunológicas como linfócitos T cd4 e células T NK, e também pelo seu potencial anti-inflamatório. “Além disso, tem sua importância quanto às funções óssea, muscular e também do sono, já que há estudos que relacionam a vitamina D à melhora da qualidade do sono”, ressalta.
O nutricionista alerta ainda que, ao contrário de algumas informações que circularam nas redes sociais nesse período da pandemia, inclusive com a divulgação de artigos vídeos, a ingestão de vitamina D não imuniza as pessoas de contrair o vírus.
“Foi uma relação equivocada, pois foi apenas um estudo de associação e não de causa e efeito. Não tem como afirmar que a vitamina D tem a capacidade de prevenir contra o coronavírus. Por mais que a vitamina D tenha mostrado, nesse estudo, essa associação de que pessoas com um nível equilibrado dessa vitamina tiveram uma recuperação melhor, não é um estudo com uma boa metodologia. Não devemos extrapolar”, alerta.
O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia também já se manifestaram alertando que trata-se de uma notícia falsa e que o uso indiscriminado dessa substância não é isento de riscos.
Mateus Reis acrescenta ainda que, apenas 20% dessa vitamina D que o corpo precisa, é proveniente da ingestão de alimentos como fígado, ovos, leite e derivados, além de peixes como salmão e atum. O especialista alerta que a exposição ao sol é, portanto, responsável por ativar os outros 80% necessários ao corpo, já que se trata de um hormônio préssintetizado na pele e que precisa desse estímulo para liberar uma enzima que é estimulada pela radiação UV.
Durante a pandemia, essa exposição pode acontecer na janela, sacada ou varanda de casa, tendo em vista as políticas de isolamento e distanciamento social.

(foto: reprodução/internet)
Importância de uma alimentação nutritiva
O nutricionista alerta que, nesse período, quando as pessoas tendem a passar mais tempo em casa, o consumo aumentado de calorias, principalmente quando a rotina não é acompanhada pela prática de exercícios físicos, pode ser um problema. É preciso atenção redobrada para o consumo excessivo de comidas industrializadas, refrigerante e outras bebidas açucaradas, além de alimentos gordurosos, pobres em nutrientes como vitaminas e minerais.
“[A tendência é que haja] um aumento do consumo de alimentos derivados de gordura, e principalmente de alimentos com açúcares mais refinados, sem ter o controle quanto à prática de exercícios. Quanto mais a gente vai comendo e menos se exercitando, esse peso tende a aumentar e, consequentemente, esse percentual de gordura também aumenta”, disse Mateus Reis.
Esses alimentos pouco nutritivos, além de contribuírem para a desregulação do sistema imunológico, são alimentos que contribuem para o aumento de peso.
É o que está acontecendo com a juazeirense Mikaella Duarte, 26 anos. Nesses cerca de 50 dias de quarentena, a estudante engordou quase 4 quilos, reflexo de uma alimentação desregulada e também do consumo exagerado de alimentos gordurosos e pouco nutritivos, rotina que se tornou comum nessas últimas semana.
Antes da pandemia, a estudante costumava acordava às cinco horas da manhã, ia para a universidade, onde estudava nos turnos matutino e vespertino, e só retornava para casa no fim da tarde. O almoço era feito no refeitório da instituição. Quando estendia o horário, também jantava por lá mesmo. Mikaella confessa que, embora não seguisse uma alimentação totalmente saudável, conseguia se alimentar bem.
Porém, com a suspensão das aulas, a estudante viu sua vida virar de ponta cabeça. “Passei a madrugar assistindo séries e filmes, dormindo pela manhã e acordando pela tarde. Com isso, minha alimentação ficou totalmente desregulada. Não faço mais essas três refeições. Vivo comendo besteiras, como bolachas, salgadinhos, doces. Minhas madrugadas têm sido um pesadelo, pois é justamente nessa hora que costumo sentir mais fome. Meu problema de ansiedade se agravou. A consequência disso é que engordei 4 quilos, e sem nem perceber”, disse.
Mikaella confessa que manter uma alimentação saudável tem sido uma tarefa difícil. A estudante atribuí a compulsão por comida ao agravamento de seu problema de ansiedade. “Criei uma rotina para tentar não ficar parada em casa, mas só consegui nos primeiros dias. Está sendo muito difícil. Não consigo ter foco nessas minhas atividades, e só sinto que consigo ter paz quando paro para assistir séries e filmes. Alinhado a isso, sinto uma compulsão muito grande por comida, o que agrava ainda mais a situação”, revela.
De acordo com Mateus Reis Nascimento, a ansiedade e o stress são fatores que também contribuem para que as pessoas adotem uma alimentação baseada no consumo de alimentos mais açucarados e gordurosos, como doces e frituras. O profissional atenta que é preciso investir no consumo de alimentos ricos em proteínas e fibras, como ovos, frango, carne, peixe, leite, soja, feijão, lentilha, grão de bico e quinoa, além de legumes e frutas.
Essses alimentos são responsáveis por estimular a produção de serotonina, neurotransmissor que atua na regulação do humor e do sono. Essa substância química do cérebro é chamada por alguns de “formula da felicidade”, já que estudos apontam que, baixos níveis desse neurotransmissor, podem levar ao aumento na incidência de comportamento agressivo e sintomas de ansiedade e depressão.
“É preciso, para ter controle do peso e percentual de gorduras, caprichar em alimentos ricos em vitaminas e minerais, como frutas e legumes, como também aumentar o consumo em alimentos ricos em fibras e proteínas, teremos, tanto as vitaminas, necessárias para melhora da imunidade e também a ansiedade, porque sabemos que proteínas tem relação direta com a produção de serotonina”, reforça.
Higienização dos alimentos
O especialista alerta ainda que, nesse período de pandemia, é necessário ainda um cuidado especial também com a higienização dos alimentos. Embora não existam evidências sobre a transmissão de coronavírus por meio da ingestão ou da manipulação de comidas, existem os chamados fômites, que são superfícies e objetos inanimados nos quais, dependendo do material, o vírus pode ficar vivo e infectante durante horas.
“As pessoas vão ao supermercado a todo momento e têm contato com a fruta, legume e até mesmo os pacotes dos produtos. Se alguém teve contato com a própria mucosa do nariz, boca ou olho, por exemplo, e pega nesse produto, contamina. É preciso sim fazer a higienização”, alerta.
O Ministério da Saúde também reforça que o cuidado com a higienização dos alimentos frescos, como frutas, verduras e legumes, é importante para a eliminação de possíveis impurezas do local onde ele foi comprado, de micróbios e parasitas que também podem estar presentes nesses alimentos. O órgão alerta que mesmo os alimentos embalados, precisam de higienização. Então, sempre que a embalagem permitir, é bom lavá-las antes de guardar. Quando não for possível, é indicado fazer a higienização externa.
A lavagem pode ser com água e detergente e a higienização com álcool 70%, solução sanitária diluída ou mesmo com produto de limpeza multiuso. Lavar ou higienizar os produtos embalados antes de usar é fundamental, pois evita a contaminação do alimento que está sendo preparado.
*com informações do UOL e do Ministério da Saúde
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