
A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta terça-feira (26), mandados de busca e apreensão para uma investigação que apura suspeitas de desvios de recursos e fraudes em processos de licitação para compra de equipamentos e insumos destinados ao combate à Covid-19 no Rio de Janeiro. Entre os alvos está o governador Wilson Witzel (PSC), que acusou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de interferir na corporação e negou irregularidades.
O inquérito, sob a relatoria do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), apura suspeitas de que uma organização social contratada para fornecer o material necessário para o funcionamento de hospitais de campanha montados pelo governo estadual para atender pacientes infectados fraudou documentos, superfaturou o valor dos insumos.
Witzel negou que tenha qualquer envolvimento com os atos de corrupção. “Não há absolutamente nenhuma participação ou autoria minha em nenhum tipo de irregularidade nas questões que envolvem as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal”, alegou. “Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos. Sigo em alinhamento com a Justiça para que se apure rapidamente os fatos. Não abandonarei meus princípios e muito menos o Estado do Rio de Janeiro.”
Após a operação em sua residência, Witzel, afirmou que a ação da PF comprova a interferência do presidente Jair Bolsonaro no órgão. “A interferência anunciada pelo presidente da República está devidamente oficializada”, disse, em nota, o mandatário fluminense.
O governador estranhou o fato da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), por exemplo, ter dado a entender que sabia que a PF preparava operações contra governadores.
“Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará”, apontou Witzel.
No final de abril, em entrevista exclusiva ao Estadão, quando o ex-ministro Sergio Moro pediu demissão, Witzel declarou que como um desafeto declarado de Bolsonaro, não se sentia seguro e temia possíveis interferências do presidente na PF.
Da Redação com informações do Estadão Conteúdo


