Em meio à pandemia da covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus, funcionários do Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf) estão enfrentando transtornos no que diz respeito ao atendimento ao público na unidade hospitalar. Enfermeiros e técnicos, em documento enviado ao PNB, denunciam que os funcionários estão expostos à contaminação por falta de testagem em massa e que profissionais que atuam na linha de frente não estão recebendo insalubridade grau máximo.

(foto: arquivo)
Insalubridade
Desde abril, uma portaria do HU alterou as escalas dos profissionais com base no valor de recebimento da insalubridade. O documento determinou que os funcionários que já recebiam o adicional de insalubridade em grau máximo (40%, o que equivalia, na época, a 398 profissionais) fossem deslocados preferencialmente para a área da triagem e para atuar no tratamento direto dos pacientes com covid-19.
O documento considerou que, em virtude da criação de leitos específicos na Policlínica para o tratamento de pacientes regulados ao HU Univasf dos diversos pontos de atendimento primário, não seria possível evitar a possibilidade de chegada espontânea de pacientes na emergência.
A decisão de alterar as escalas, segundo os denunciantes, não contemplou a totalidade de profissionais que atuam na urgência das salas azul e verde (casos de baixa complexidade) e amarela (média complexidade). Segundo eles, sete profissionais (cinco que atuam na sala amarela e dois que atuam na sala verde), foram diagnosticados com a covid-19. Nestes setores, os profissionais relocados não recebem insalubridade em grau máximo, segundo a denúncia.
Contaminação em pacientes
Enfermeiros e técnicos que elaboraram o documento disseram ainda que, o que se tem observado é que os pacientes que chegam ao hospital por demanda espontânea ou regulados, além dos problemas de saúde relacionados ao perfil do atendimento do hospital, acabam, posteriormente, apresentando sintomas respiratórios, o que aumenta o risco de contaminação dos profissionais, principalmente da urgência, que é a porta de entrada do hospital. O risco se estende aos outros pacientes e acompanhantes.
“Isso tem acontecido rotineiramente, prova disto é que dos seis pacientes internados na UTI [Unidade de Terapia Intensiva] da covid-19 no dia 30/05/2020, cinco vieram oriundo dos setores do hospital e deram entrada por outras morbidades”, diz um trecho.
Os denunciantes citam ainda o caso de uma idosa de 71 anos que passou 15 dias internada no Hospital Universitário por conta de uma fratura no fêmur e veio a óbito por covid-19 em casa, dez dias após ter recebido alta. As filhas da idosa, que estavam fazendo acompanhamento, também testaram positivo para a doença, conforme informou a Secretaria de Saúde. Segundo o documento, no setor que a paciente se encontrava, vários profissionais haviam sido afastados por apresentarem sintomas.
Eles também citaram o caso de dois pacientes de Juazeiro, de 48 e 42 anos, que deram entrada no HU por traumas causados em acidentes automobilísticos, e que, durante a internação, apresentaram sintomas da covid-19 e testaram positivo. Na época, o HU se manifestou sobre a situação (relembre).
Contaminação em profissionais de saúde
Já em relação aos profissionais de saúde, eles alegam que a categoria não está sendo testada da forma como seria. “Quando ocorre um sintomático, o Serviço de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho (SOST) realiza a testagem por meio de Swab doado pela Prefeitura de Petrolina. O problema se refere aos assintomáticos. Recentemente, uma profissional, que também é de outro serviço, testou positivo, não apresentando qualquer sintoma e os outros profissionais, pacientes e acompanhantes que tiveram contato com ela não foram testados”, denunciam.
Além das denúncias acima citadas, os enfermeiros e técnicos dizem ainda que há falta de transparência em relação ao número de infectados no HU da UNIVASF.
O que diz o HU
O PNB pediu esclarecimentos ao Hospital Universitário, que, em nota, afirmou que vem seguindo o protocolo do Ministério da Saúde que determina a testagem de colaboradores, pacientes e acompanhantes que apresentam sintomas de covid-19. “Além do mais, é de conhecimento da sociedade que o Brasil possui um número limitado de testes, este cenário se repete no hospital o que impossibilita a testagem de toda a comunidade hospitalar”, diz o comunicado.
O HU ressaltou ainda que Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), responsável pela gestão da unidade hospitalar, adquiriu testes para aumentar a capacidade de testagem da unidade, e que eles estão sendo aguardados. Ainda segundo o HU, os colaboradores da unidade são comunicados, constantemente, através de ofícios, comunicados internos, entre outros, sobre todas as informações pertinentes referentes à atuação do hospital no combate à pandemia.
“Quanto ao pagamento de insalubridade, todos os trâmites que tratam a respeito ocorrem sob o escopo dos mecanismos legais que regulamentam o tema. Na hipótese de colaboradores identificarem algum tipo de irregularidade sobre o assunto, devem buscar esclarecimentos junto à instituição e demais providências”, diz a nota.
Segundo o HU, atualmente, 4 profissionais foram detectados com a covid-19 e estão afastados. A unidade não informou o número total de funcionários infectados até esta sexta-feira. Até o dia 25 de maio, 13 profissionais da instituição haviam testado positivo para a doença.
O HU ressaltou ainda que o atendimento emergencial do Hospital Univeritário sempre foi dividido em áreas de acordo com a gravidade dos casos (sala de emergência; sala de cuidados intermediários; sala de observação da urgência e emergência e sala de medicação).
Da Redação



Está um descaso e uma falta de respeito grande com o profissional do HU-Univasf. E depois da nova gestão todos trabalham com medo de represálias, é uma gestão inacessível e não são tão favoráveis a uma gestão democrática. Quanto a quantidade de profissionais testados positivos não é somente essa, muitos recorreram para aos planos de saúde particulares e a outros municípios que também são empregados nesses para fazerem o teste. PRECISAMOS DE MAIS RESPEITO!
Isso é verdade eu trabalho lá, tá uma porcaria!!! Sem teste, monte de profissionais sendo infectados, e pacientes também. Só do terceiro andar do hospital foram 7 profissionais infectados com covid, fora os outros . E não estão testando ninguém, apenas se já estiver cheio de sintomas chato demais isso. Medo está grande de estarmos assintomáticos e transmitindo.