Diariamente, sempre no final da tarde, a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) divulga o boletim epidemiológico da covid-19 no Estado com base nas notificações oficiais compiladas pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA) em conjunto com os Cievs municipais. Entretanto, a diferença nos números divulgados pelas autoridades de saúde dos municípios baianos e a Sesab tem intrigando muita gente, tendo em vista que os boletins diários das Secretarias Municipais de Saúde contabilizam números maiores que o boletim epidemiológico divulgado pela Sesab.
A cidade de Juazeiro, no Norte do Estado, por exemplo, conforme o boletim da secretaria municipal divulgado por volta das 15h30 de ontem (8), possui 140 casos confirmados da doença. O boletim estadual, divulgado por volta das 17h30 e que contabiliza os dados recolhidos até às 16 horas, soma 129 casos. O mesmo acontece com outras cidades da região.
[Para essa análise, vamos levar em consideração os boletins divulgados até o domingo (7), visto que foram os últimos dados divulgados antes do boletim de ontem (8) da Sesab]
Em Curaçá, o boletim do dia 7 de junho, divulgado por volta das 18h, registrava 44 casos de covid-19. No boletim do Estado, a cidade aparece com 39 casos. Até às 20h do domingo (7), Sobradinho registrava 51 casos confirmados da covid-19, segundo a Secretaria Municipal. No último boletim da Sesab, são 38 casos. Uauá, que até o sábado (6) tinha 4 casos, no boletim municipal, aparece com apenas 1 no estadual. Sento Sé, que segundo a prefeitura tinha 18 casos confirmados no domingo, aparece com 9 casos no boletim do Estado.
Essa diferença nos números não acontece somente com os municípios da região norte, mas também na maioria em todo o Estado, incluindo Feira de Santana, Lauro de Freitas, Camaçari, Ipiaú, Simões Filho, Candeias e Vitória da Conquista, que são as cidades com mais casos da covid-19 no interior. Essa divergência nos dados demonstra que o número de casos do novo coronavírus no país é ainda maior, visto que o Ministério da Saúde utiliza a base de dados das secretarias estaduais para divulgar os dados nacionais.
Vale ressaltar, inclusive, que o Ministério da Saúde vem sendo algo de críticas nos últimos dias, tendo em vista que decidiu mudar a forma de divulgação dos casos da doença no país. Antes, o ministério divulgava os dados totais de pessoas infectadas, mortes e curvas de infecção por região, por exemplo. Agora, decidiu excluir os dados totais e divulgar somente os dados referentes às últimas 24 horas, sendo acusado, portanto, de querer esconder os números reais da pandemia. No boletim de ontem, por exemplo, enquanto o levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde apontavam 849 novas mortes em 24h, o ministério anunciou 679 (veja mais).
Inconsistências
O PNB pediu esclarecimentos à Secretaria de Saúde do Estado da Bahia sobre a diferença dos números entre o boletim estadual e os boletins municipais. Em nota, o órgão informou que “é de responsabilidade dos municípios a correção das inconsistências verificadas, relativas aos seus municípios, nas bases ministeriais, uma vez que a Vigilância Estadual utiliza os dados informados pelos próprios municípios (prefeituras e unidades de saúde) na base do e-SUS VE”.
A Sesab diz ainda reiterar “o compromisso em apresentar dados fidedignos ao eliminar as duplicidades das bases nacionais e outros tipos de inconsistências”, mas ressalta que o processo de atualização das informações nos municípios e Estado é dinâmico e complexo.
“Os dados informados diariamente são sujeitos a alterações. Considerando a pluralidade de cada município no que diz respeito a porte populacional, infraestrutura e organização dos serviços de saúde, além de todos os desafios que a pandemia de Covid-19 impõe, é possível que haja mudanças no número de casos ou óbitos em decorrência de inconsistências ou atrasos no repasse das informações ao Estado”, diz a nota.
Para exemplificar como essas inconsistências acontecem, a Sesab disse que “diariamente profissionais de saúde se deslocam de uma cidade pólo em direção a municípios menores e retornam ao final do dia. Caso uma pessoa seja atendida em um serviço de saúde daquele município menor, a notificação será registrada naquela localidade, mas o local de residência é outro, por isso carece de aprofundamento da investigação, ainda que o caso seja positivo. Aí, nesta situação, o registro seria redirecionado para a cidade pólo”.
Ressaltou ainda que os testes apontados como “aguardando validação dos municípios” são casos positivos que estão inseridos nas bases ministeriais que aguardam o aprofundamento da investigação da área epidemiológica e que a Bahia “é um dos pouco estados que consegue consolidar as bases ministeriais diariamente. Atualmente compilamos as notificações oficiais do Ministério da Saúde (e-SUS VE, GAL e SIVEPGRIPE). Ressaltamos que os dados refletem casos confirmados laboratorialmente, bem como diagnósticos positivos por critério clínicos, testes rápidos e testes realizados em unidades privadas”, diz a nota.

(foto: arquivo/GOVBA)
Casos na Bahia
A Bahia registra 28.715 casos confirmados de coronavírus, o que representa 19,09% do total de notificações no Estado. O boletim epidemiológico ainda contabiliza 12.406 pessoas recuperadas, 910 óbitos e 15.399 indivíduos monitorados pela vigilância epidemiológica e com sintomas da covid-19, o que são chamados de casos ativos.
Os casos confirmados ocorreram em 341 municípios do Estado, com maior proporção em Salvador (56,99%). O boletim epidemiológico contabiliza ainda 45.274 casos descartados e 76.423 em investigação. Na Bahia, 4.129 profissionais da saúde foram confirmados para covid-19.
Taxa de ocupação – Na Bahia, dos 1.977 leitos disponíveis do Sistema Único de Saúde (SUS) exclusivos para coronavírus, 1.103 possuem pacientes internados, o que representa uma taxa de ocupação de 56%. No que se refere aos leitos de UTI adulto e pediátrico, dos 813 leitos exclusivos para o coronavírus, 563 possuem pacientes internados, compreendendo uma taxa de ocupação de 69%. Cabe ressaltar que o número de leitos é flutuante, representando o quantitativo exato de vagas disponíveis no dia. Intercorrências com equipamentos, rede de gases ou equipes incompletas, por exemplo, inviabilizam a disponibilidade do leito.
Da Redação por Thiago Santos

