São João: prefeitura recomenda que fogueiras não sejam acesas em Juazeiro; brecha faz INEMA alertar para uso indiscriminado de madeira sem certificação

0

(foto: arquivo)

A ocorrência da fumaça e o cheiro da combustão podem ser nocivos ao sistema respiratório, e, em tempos de pandemia da covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus, podem trazer prejuízos ainda mais sérios para o sistema de saúde, que enfrenta, atualmente, uma superlotação. Como os leitos hospitalares já estão tendo uma grande demanda com os pacientes que buscam tratamento para a covid-19, Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e a gripe H1N1, o surgimento de mais pacientes com outros problemas respiratórios, além das queimaduras, podem agravar ainda mais a situação.

Diante dessas circunstâncias, a Prefeitura de Juazeiro, no Norte da Bahia, decidiu recomendar que os munícipes não acedam fogueiras, uma prática que é bastante comum nas cidades nordestinas que comemoram os festejos juninos. A fogueira é um dos símbolos mais tradicionais do evento e costumam ser montadas nas portas das residências.

No dia 5 de junho, em decreto municipal publicado, a prefeitura chegou a anunciar a proibição das fogueiras e também dos fogos de artifício durante o mês de junho no município. Entretanto, menos de uma semana depois, a pedido das Associações de Moradores de Juazeiro, decidiu flexibilizar a queima de fogos e o acendimento de fogueiras. Ao invés de proibir, a administração municipal apenas passou a recomendar que a população não faça uso dessas tradições juninas.

“Nossa primeira preocupação é com os riscos à saúde das pessoas por conta de queimaduras e de doenças respiratórias provenientes da fumaça. Mas também entendemos que se trata de uma tradição desse período junino mesmo com o cancelamento da festa de São João. Por isso, atendendo a um apelo das Associações de Moradores resolvemos flexibilizar e agora recomendamos que a população tome cuidado e se proteja evitando soltar fogos e acender fogueiras”, justificou, na época, o prefeito Paulo Bomfim (sem partido).

Diante da brecha, o Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA), através da Unidade Regional do Sertão do São Francisco, em Juazeiro, como órgão responsável pela execução da política estadual do meio ambiente, emitiu uma nota alertando para o uso indiscriminado de madeira no período de festejos juninos.

O INEMA orienta que as fogueiras podem ser feitas utilizando lenha de podas de frutíferas como manga, caju, uva, dentre outras ou de plantas ornamentais de arborização urbana, assim como resíduos ou lenha de espécies exóticas a exemplo de algaroba, neem, etc, considerando que a legislação em vigor, em especial o decreto estadual nº 15.180/14 e o novo código florestal (Lei Federal nº 12.651-12) não permitem a utilização de madeiras ilegais.

Ainda segundo o órgão, exige-se no transporte e armazenamento de produto florestal de origem nativa, inclusive, lenha morta ou caída, o necessário Documento de Origem Florestal (DOF) e a respectiva Nota Fiscal.

“Não desmate, não comercializa e não use lenha ilegal em fogueiras, as consequências são desastrosas ao meio ambiente, espera-se que a população contribua para redução do desmatamento e a degradação do bioma caatinga que vem a cada ano sofrendo as interferências provocadas pelo homem”, finaliza a nota.

Consequências

Especialistas alertam que pacientes que passaram por algum tipo de infecção viral ou bacteriana, como a contaminação pela covid-19 ou pneumonia, por exemplo, podem estar com o pulmão comprometido e ainda em recuperação. A inalação da fumaça pode piorar os sintomas, retardado assim a recuperação e o processo de reparo das células comprometidas.

Uma consequente piora do processo inflamatório causada por alguma doença respiratória pode acarretar em diversos sintomas, como tosse, leve falta de ar, piado no peito (sensação de um gato miando dentro do peito) e dor torácica. Diante disso, a recomendação é que, principalmente os pacientes que tiveram alguma doença respiratória, permaneçam utilizando máscaras de proteção.

Decisão em Petrolina

Na cidade vizinha, Petrolina, a prefeitura decidiu proibir a utilização dos fogos de artifício e a queima de fogueiras nesse período junino. Além de atentar para os riscos ao sistema respiratório, a gestão municipal reforça que existe o risco de acidentes com queimaduras, podendo necessitar de internação, o que poderia levar a uma possível lotação nos hospitais e unidades de saúde.

Segundo a prefeitura, a fiscalização será intensificada pelo efetivo da Guarda Municipal, porém ressalta que é importante a conscientização da população durante o período de combate ao coronavírus. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 153 ou através do whatsApp no número: (87) 98106-7310.

Da Redação

DEIXE UMA RESPOSTA

Comentar
Seu nome