
Este ano, como prova de amor, o abraço será de longe, Juazeiro! Como devem ser os abraços agora. Sem o passeio na orla, sem banho de rio, sem ver o vaporzinho e sem a missa de corpo presente. Sem festas também, nem mesmo aquelas que fazíamos em casa ouvindo alto Preta Pretinha.
Sem aglomerar nossos conterrâneos, sem trio elétrico na avenida. Sem desfiles, sem carnaval. Sem prosear de perto com a gente que a gente ama e comemorar seu aniversário de 142 anos.
Mas quem disse que abraço de longe não vale, não sabe o que é amor.
Ama-se vibrando à distância para que as dificuldades sejam superadas. Torcendo os dedos para tudo dar certo. Ama-se colaborando com a saúde desta terra, mesmo não estando à frente das decisões, e assim fazendo a sua parte. Ama-se emanando energia boa (mas isso só faz quem tem sangue bom). Ama-se também apontando erros, sem ódios e segundas intenções. Ama-se traçando projetos sérios e honestos, que incluam a cidade por inteiro, porque o tempo das castas não cabe mais. Ama-se sonhando também. Ama-se, ainda mais, quando o inimigo ataca, e é preciso largar as vaidades e interesses próprios, fazer sacrifícios, fechar portas, ficar em casa, usar escudos, frear a língua, abrir a mente, porque sem união nada se constrói e os derrotados seremos todos nós.
Nos 143 a gente se pega, Juazeiro! Estaremos nas ruas, nos templos, nos seus becos e botequins, na grama do Vaporzinho cantando o João, atrás do trio que canta Ivete, fazendo um som pra lembrar Galvão ou, quem sabe, numa pelada no Adauto Morais com Daniel.
Eita, que ano que vem vai ter festa grande! E o abraço será apertado. Sim, Juazeiro, abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim.
Nos 143, a gente se pega!
Preto No Branco



