
Fermer la Veste, a saga de um ribeirinho, é um romance lançado pela editora do Círculo Literário Analítico Experimental, localizado em Juazeiro –Ba, de autoria de Rogério Santana.
Este romance nos conduz a uma viagem que se inicia no final da década de 60, passando por toda à década de 70 e chegando aos anos 80 em meio a vários cenários e acontecimentos históricos que resultaram em mudanças significativas nas vidas de todos os brasileiros e em especial dos nordestinos.
O autor, Rogério Santana, que nesta obra faz sua estreia como romancista, já revela um estilo marcante com um discurso objetivo, direto e com riqueza de dados históricos.
No desenrolar da história, do personagem principal, o baiano ribeirinho, Joãozinho B, nos leva a refletir sobre questões como a migração dos nordestinos para o sudeste do Brasil, as expectativas deste povo ao sair de sua terra natal e a realidade encontrada na nova região. O autor que é conterrâneo de sua criação, Joãozinho B, não assume um olhar parcial.
Tanto os ganhos, como as perdas para quem chega em terras novas como para quem recebe o emigrante são abordados. São descritos a incorporação dos novos costumes e conhecimentos, assim como as contribuições trazidas consigo e integradas no cotidiano da nova região. Tudo relatado sem vitimização ou enaltecimentos para nenhuma das partes. É uma troca de experiências.
Destaque na “estória” é a construção da barragem de Sobradinho no sertão baiano. Esta monumental obra já foi descrita na bela canção dos consagrados artistas, Sá e Guarabira, como sendo o cumprimento da profecia de que um dia o “Sertão vai virar mar”.
Mais uma vez, o autor joga luz sobre como o progresso tem várias faces e interfere de maneira profunda nos costumes, no comércio, na vida econômica em geral, no nível de profissionalização, na tecnologia, na miscigenação, no impacto sobre a natureza, nos valores de uma população, nas 6 suas vocações e em todas as comunidades entorno dela num raio bastante amplo. Joãozinho B é transformado e ao mesmo tempo se torna um agente transformador onde está inserido.
Abrilhantando o desenrolar da “estória” o livro conta com a criatividade artística de Ruy Carvalho, na criação da capa, contra capa e demais ilustrações, existente no interior do livro.
Eis, portanto um romance que nos traz entretenimento em uma leitura fácil e agradável, além de conhecimento com a riqueza e precisão dos dados históricos contidos no fluxo da história e ainda uma provocação para reflexão sobre os ganhos e as perdas do encontro e da chegada do progresso e do desenvolvimento em um sujeito e na sociedade
como um todo.
Este livro, caro leitor, diverte ao mesmo tempo em que instrui e questiona nossos valores, nossos princípios. Como equilibrar uma balança, que tem dentro de um prato o “progresso e a prosperidade” e no outro a preservação da natureza e cultura de uma população?
Deixo com cada um o convite para uma leitura prazerosa deste romance e as reflexões que ele nos provoca para que individualmente encontre suas respostas.
Ascom



