“Somos tratados como cão sem dono”: após protesto dos motoristas, Joafra demite participantes que questionam “até quando o dono desta empresa vai mandar e desmandar em Juazeiro?

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Exploração, desumanidade, desamparo, perseguição e assédio moral, termos que definem a situação relatada ao PNB, por um grupo de trabalhadores da empresa de transporte público Joafra, que presta o serviço no município de Juazeiro, Norte da Bahia.

Os trabalhadores que procuraram nossa redação nesta terça-feira (26), denunciaram que, após uma breve paralisação que aconteceu na última quinta-feira (21), em protesto ao descumprimento de direitos trabalhistas, seis participantes do ato foram sumariamente demitidos.

“Cheguei na empresa para trabalhar e fui surpreendido com a carta de demissão, sem nenhuma explicação. Sei que sempre fui um funcionário exemplar, nunca faltei e cumpria minha obrigação com competência e respeito a todos. Cumpria meus deveres. Meu erro foi cobrar meus direitos. Como pai de família eu preciso receber pelo que trabalho”, desabafou um motorista que pediu para não ser identificado.

Segundo relatou o grupo, os seis profissionais, com até 12 anos de empresa, foram demitidos nestes cinco dias pós protesto. Somente hoje (26) quatro trabalhadores foram dispensados pela Joafra.

“Ainda não caiu a ficha. Estou desempregado em plena pandemia e não por ter faltado com minhas obrigações com a empresa, que dediquei meus dias e força de trabalho com toda responsabilidade. Fui descartado por reivindicar pagamentos a que tenho direito, e isso depois de muito esperar calado que a empresa cumprisse com o seu dever”, ressaltou outro motorista.

De acordo com os trabalhadores, a empresa desconta, mas não deposita os valores referente aos FGTS dos funcionários. Além disso, os trabalhadores também reclamam que estão há dez meses sem receber o tíquete alimentação, no valor de R$ 355,00. A Joafra deve aos trabalhadores horas extras, adicional noturno, férias e rescisões.

As informações dos trabalhadores foram confirmadas ao PNB pelo Auditor-Fiscal do Trabalho da Gerência Regional do Trabalho (GRTb) de Juazeiro, Diego Barros Leal.

Segundo o auditor “a empresa não está pagando FGTS, na realidade nunca pagou. Ano passado já havíamos punido a empresa por conta das rescisões que não foram pagas.

Outro funcionário demitido reforçou as denúncias e disse que a categoria se sente ” humilhada, desrespeitada e sem nenhum valor”.

“A Joafra não está pagando hora extra e nem adicional noturno. Nós, que também desempenhando a função de cobrador, não estamos recebendo fundo de caixa de moedas para passarmos o troco e por conta disso, precisamos trabalhar com o nosso próprio dinheiro. Tem funcionários com férias vencidas. A empresa dá férias sem remuneração. Fizemos vários acordos com a Joafra, para que ela realize os pagamentos no dia 05 e dia 20, só que ela não cumpre. Somos tratados como “cão sem dono”, denunciou.

Em um abaixo assinado, o grupo relatou a situação de “descaso”, denunciando também que está havendo perseguição, sem que os órgãos de fiscalização, vereadores e prefeitura atuem em defesa dos trabalhadores.

” Hoje a empresa está fazendo represália, vários motoristas que realizaram a parada no dia 21 de Janeiro, já foram demitidos da empresa. Os mesmos estão sofrendo uma retaliação. Esse foi um acordo feito no dia 21, que não haveria perseguição, mas não está sendo cumprido. Não houve nenhuma negociação entre empresa, CSTT e motoristas. Foi paga a quinzena no sábado, mas a categoria dos motoristas não está satisfeita com os órgãos competentes de fiscalização em relação ao trabalhador”.

O grupo também denuncia a precariedade do serviço para o usuário.

“A empresa “Joafra” tem operado com uma frota de ônibus reduzida e sucateada, mas o fluxo de passageiros tem sido muito intenso. Muitos usuários estão sendo prejudicados pelos horários e também pela forma que foi imposta em relação a integração, quem não tem o cartão SIT tem que pagar duas passagens caso queira ir a outro bairro chegando no terminal de ônibus. Diante disso, solicitamos uma ação enérgica e definitiva das autoridades, no intuito de coibir e punir a atividade da mesma. É fundamental que a sociedade juazeirense seja informada da situação do descaso com os funcionários e usuários do transporte público de Juazeiro”, discorreu.

Desabafando, um profissional questionou: “até quando o dono da Joafra vai mandar e desmandar em Juazeiro, desrespeitando os trabalhadores e a população? Que a nova prefeita tome uma providência e seja enérgica. Ninguém aguenta mais tanto descaso”, finalizou.

Alguns integrantes do grupo adiantaram ainda que, “poderá haver uma nova paralisação das atividades.

Estamos novamente encaminhando as denúncias para a Gerência Regional do Trabalho, Prefeitura de Juazeiro e Câmara de Vereadores. Também pedimos esclarecimentos a empresa Joafra.

Da Redação

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