“Isso tem que acabar”, diz tia de bebê que morreu no Hospital Materno Infantil de Juazeiro; ela acusa a equipe médica de negligência

0

(foto arquivo)

O Hospital Materno Infantil do município de Juazeiro, no Norte da Bahia, continua sendo alvo de denúncias sobre negligência no atendimento. Inclusive, os usuários cobram da atual gestão municipal o cumprimento da promessa de melhoria do serviço, uma das propostas da maioria dos candidatos nas eleições municipais do ano passado.

Apesar de ter mudado a gestão da unidade hospitalar, os problemas relatados pelas mulheres que procuram o serviço, se repetem. Somente este ano, o PNB já recebeu seis denúncias de gestantes e seus familiares.

Desta vez, a reclamação veio de Mislene Barbosa, moradora do distrito de Maniçoba, zona rural da cidade. Ela contou ao PNB que a cunhada Thais, de 20 anos, que estava com 41 semanas e 6 dias de gestação sofreu negligência na unidade e viu o primeiro filho morrer por falta de cuidados necessários.

“Ela deu entrada na maternidade para ganhar o bebê no sábado (20). Inicialmente fizeram o toque nela e disseram que ela estava apenas com 3cm de dilatação. Ela ficou aguardando atendimento sentada em uma cadeira, pois segundo a equipe do hospital, não havia vaga para internamento. Apenas no dia seguinte ela foi transferida para um quarto e continuava apenas com 3cm de dilatação. Ela perguntou se era normal e se não seria necessário realizar a cesariana, e eles falaram que era normal. Os profissionais que atenderam ela também falaram que para fazer a cesariana era necessário realizar um exame de ultrassom antes, e o serviço não é feito durante o final de semana, o que é um absurdo. Somente na segunda esse exame foi feito. Foi quando eles perceberam que algo de errado tinha acontecido e realizaram o parto imediatamente”, contou Mislene.

Ela contou ainda que, por conta da demora, o sobrinho acabou liberando o mecônio, primeiras fezes do bebê, ainda na barriga da mãe e nasceu com graves problemas respiratórios por ter engolido e aspirado a matéria fecal.

“Quando meu sobrinho nasceu, minha cunhada pediu para vê-lo, mas não deixaram e disseram apenas que a criança tinha nascido cansada e precisava de oxigênio. Já a noite, após ela perguntar diversas vezes pelo filho foi que eles informaram que ele tinha engolido e inalado as fezes e que ele estava com uma grande dificuldade para respirar e que precisava de um leito de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), que não tem na maternidade de Juazeiro”, acrescentou ainda.

Mislene apontou outros erros que teriam sido cometidos pela equipe da unidade e que também teriam provocado a morte do bebê.

“Apesar da gravidade do meu sobrinho, somente no dia seguinte realizaram o encaminhamento dele para o Hospital Dom Malan, onde tem a UTI Neo-Natal. Minha cunhada viu que eles tiraram o bebê do oxigênio durante a transferência e por isso ele deu uma parada cardíaca e não resistiu. Ele ainda conseguiu sobreviver sem a UTI por 24 horas, com o oxigênio. Eles erraram”, denunciou.

Mislene contou ainda que a família vai denunciar o caso ao Ministério Público.

“Queremos justiça. Quantas mulheres foram ter os filhos na maternidade de Juazeiro e voltaram sem eles? Isso tem que acabar”, finalizou.

O PNB encaminhou a denúncia para a Secretaria de Saúde da cidade, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos respostas.

Da Redação por Yonara Santos

DEIXE UMA RESPOSTA

Comentar
Seu nome