“Chega de tanta repressão!”, desabafa coordenadora da rede municipal de ensino, em Juazeiro; ela afirma que a Rede vem passando por um “tormento há seis meses”

1

 

 

Em contato com nossa redação, uma profissional de educação da rede municipal de ensino, que atua como coordenadora, rebateu as informações dadas pela gestão da Seduc, acusada por um grupo de professores  de desorganização na condução do órgão.

Em nota enviada ao PNB, o grupo de professores afirmou que “os professores da Rede Municipal, estão vivendo em regime de escravidão pela Seduc, e criticou a atuação da gestão da pasta: “Quando não se sabe pra onde vai qualquer caminho serve” esse é o lema da nova equipe Seduc”, acrescentaram.

Reveja:

“O que temos são profissionais doentes, estressados e sem motivação”: desabafam educadores da rede municipal sobre desorganização da equipe da Seduc de Juazeiro; Seduc se manifesta

Indignada com a justificativa da Seduc, de que “todas as ações educacionais estão alinhadas com as coordenações pedagógicas das escolas”, a coordenadora, que pediu para não ser identificada, afirmou que a Rede Municipal vem passando por um “tormento há seis meses”

Confira manifestação da coordenadora:

“A Secretaria de Educação e Juventude (Seduc) informa que todas as ações educacionais estão alinhadas com as coordenações pedagógicas das escolas, que são as mediadoras da educação no município.”

Resposta de uma coordenadora:

Essa foi a forma que a SEDUC encontrou para se eximir de sua responsabilidade sobre o tormento que nossa Rede vem passando há seis meses

Culpar os coordenadores pedagógicos de Juazeiro pela falta de gerenciamento da Secretaria de Educação é imoral!

Enquanto coordenadora da Rede, sinto-me ofendida com a declaração da SEDUC e gostaria de usar esse espaço para externar minha indignação.

Há quatro anos passei por um processo democrático para escolha das equipes gestoras escolares. Fui eleita pela minha comunidade que reconhece o trabalho que venho desenvolvendo. Sempre estive atenta às demandas da SEDUC e às necessidades da minha escola.

Durante esse tempo, nunca vi tamanho descaso com nossa educação municipal, como vejo hoje. Somos representados por um grupo que está há seis meses tentando se encontrar, mas não sabe que rumo tomar.

Reconheço que todo início de gestão é conturbado. Precisa-se de tempo para organizar a casa e criar um projeto que atenda às necessidades de uma Rede de ensino. Certamente, um projeto jamais funcionará se essa construção não for participativa, se não ouvirem as partes envolvidas, se não criarem espaços para o diálogo, e, principalmente, se desconsiderarem toda a história de uma Rede de educação e todo trabalho que levou anos para ser consolidado.

Agora eu questiono. Em que momento nós coordenadores pedagógicos fomos ouvidos? Quantas reuniões ocorreram durante esses seis meses para discutirmos sobre o processo de ensino e aprendizado? Falo por mim. Nenhuma vez.
Sim, não vou negar que tivemos algumas reuniões, a maioria pelo Youtube, onde a única forma de interagir é pelo chat, um canal de comunicação que toda vez se transforma em um depósito de perguntas, indagações que são lidas quando convém.

Para que os leitores desse blog compreendam essa situação lamentável, o grupo de Whatsapp dos coordenadores pedagógicos foi silenciado pelos dirigentes da SEDUC, assim como o dos gestores. Fomos “congelados temporariamente”. Alguns podem achar que foi para facilitar a compreensão das mensagens, mas, na verdade, foi uma forma de reprimir, de calar a nossa voz, porque ninguém aguentava mais ler tantos textos de desabafos de coordenadores angustiados.

Há meses que solicitamos uma reunião com a superintendência de ensino para que pudéssemos dialogar, mas não tivemos esse espaço. Percebemos claramente os equívocos nas ações do setor pedagógico que hoje é composto por pessoas que desconhecem o chão das escolas, que elaboram documentos cheios de equívocos, não orientam claramente os coordenadores, não direcionam um trabalho em Rede.

O discurso é “Cada escola vai customizar suas práticas”, ou seja, jogam para as escolas toda a responsabilidade, se isentam de suas, e agora vem nos culpar?

É angustiante ver como a SEDUC vem tratando esse profissional que antes era visto como o “coração da escola”, o mediador da prática docente, o articulador das ações pedagógicas, o orientador, o formador, o conselheiro, o entusiasta… Agora viramos incompetentes e culpados pelos erros de uma equipe de amadores que não fez nada durante seis meses.

Chega de tanta repressão!”

Da Redação

 

1 COMENTÁRIO

  1. Constituição Federal de 1988
    Art. 5º. […]
    IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
    X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
    […]

    Juazeiro é uma piada mesmo, material lido, além de ofensivo e generalizante é apócrifo. Qualquer reclamação ou requerimento, acredito eu, deve ser conversado e discutido com a própria Gestão. Me espanta como leitor do PNB, só aparecer notas de coordenadores e professores que usam do anonimato para tecer críticas e que não se propõe em nenhum momento a discutir soluções. A manifestação de pensamento e a indignação com a situação da educação é legítima, mas deve observar a legislação, o respeito e o bom senso. Entretanto, no anonimato só abre brecha para discursões vazias, sensacionalistas, que exime o sujeito de consequência judiciais, que além de tudo ferem a honra pessoal das pessoas ofendidas.

    Indignação de um leitor,

    Cordialmente,

    Paulo Victor Freire

DEIXE UMA RESPOSTA

Comentar
Seu nome