Em matéria veiculada ontem (17) pelo PNB, informamos sobre o fechamento temporário do Hospital Materno Infantil de Juazeiro. A reportagem foi motivada por reclamações de familiares e usuárias do serviço que não conseguiram vaga na unidade.
“A informação que passaram para nós é de que, por falta de material, o hospital foi fechado. As pacientes estão já sendo encaminhadas pela Central de Regulação para outros hospitais, inclusive para outras cidades, como Senhor do Bonfim. Não tem mais material para atender a nenhuma gestante. Essa gestão veio para terminar de acabar com a saúde pública”, disse um familiar de paciente ao PNB.
No dever de apurar a informação, confirmamos, com fontes na Central de Regulação, a veracidade do comunicado feito pela gestão do hospital para que a central não mais encaminhasse pacientes para a unidade.
Também procuramos a gestora da unidade, Graça Carvalho, que informou ao PNB não se tratar de um fechamento, mas ela confirmou a suspensão do serviço por falta de vagas, ou seja o fechamento temporário no recebimento de pacientes.
Graça Carvalho ratificou que informou a Central de Regulação que procurassem “encaminhar pacientes de outras cidades, para outras Instituições”.
A gestora justificou a decisão por limitação de equipamentos, como salas cirúrgicas, e falta de insumos.
“O hospital não foi fechado, mas estamos sem vagas, e informamos a Central de Regulação para procurarem encaminhar pacientes de outras cidades, para outras Instituições. Além da limitação de equipamentos, como sala cirúrgicas, estamos com escassez de Campo Cirúrgico, que são os panos utilizados para cirurgias, porque nossos fornecedores estão com dificuldades de matéria prima para fabricação, o tecido Brim, que é o apropriado. Procuramos no comércio local, mas não encontramos, pois está em falta no mercado (…) São dificuldades que passamos, não é falta de vontade ou de gestão, e sim dificuldades do mercado que ficou parado por conta da pandemia. Muitos produtos que tínhamos em estoque, estão acabando”, informou.
Também encaminhamos um pedido de esclarecimento a Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde, que nos respondeu ser de Graça Carvalho o “controle da unidade”, e que a diretoria médica estaria tentando resolver, “porque o prazo que o fornecedor pediu [para entrega dos insumos] ainda tá correndo, é de 20 dias”, disse a Ascom.
À Rede GN, inicialmente, a Secretaria de Saúde de Juazeiro confirmou que o Hospital Materno Infantil estava com a lotação de leitos completa e que por isso não poderia receber novas pacientes neste momento.
“Para administrar o atendimento e garantir a segurança de mães e bebês, está priorizando os casos mais graves e outros casos estão sendo regulados para outras unidades”, disse o órgão, que também afirmou, sobre a falta de insumos cirúrgicos, que o fornecedor “pediu o prazo de 20 dias para a entrega alegando falta de matéria-prima”.
Após a repercussão negativa da decisão, em uma nova justificativa, a Sesau enviou uma nota à imprensa, tratando o assunto como “fake news”, e repudiando “qualquer notícia falsa sobre suposto fechamento do Hospital Materno Infantil”.
De acordo com informações obtidas pelo PNB, com fontes que pediram para não ser identificadas, na manhã de hoje (18), o Hospital Materno Infantil de Juazeiro conseguiu insumos emprestados no hospital Dom Malan de Petrolina.
Hoje também a Sesau informou “que a unidade de saúde continua aberta, porém funcionando com a lotação completa”.
Opinião
Esclarecemos aos nossos leitores que, apuramos a informação devidamente e tratamos como fechamento temporário, já que a própria Sesau não precisou um prazo para normalizar o serviço e, na sua primeira versão, disse que “o prazo que o fornecedor pediu ainda tá correndo, é de 20 dias”. Ou seja, 20 dias sem receber pacientes seria um fechamento temporário, ou não? Dois dias ou uma semana, seria um fechamento temporário, ou não?
Relevante lembrar que, neste meio tempo, gestantes que deveriam ser atendidas em Juazeiro foram encaminhadas para outras cidades da Rede Peba (Pernambuco Bahia). Quantas seriam elas se a maternidade continuasse esperando pelo fornecedor, por até 20 dias, para abrir vagas? Ainda bem que, após a reportagem do PNB, se conseguiu algum material emprestado, e “a unidade de saúde continua aberta, porém funcionando com a lotação completa”, como informou a prefeitura.
A revelação do fechamento temporário, feita pelo PNB, pode ter contrariado a gestão municipal, que não cumpriu o dever de comunicar a decisão ao Conselho Municipal de Saúde, e muito menos a população. Talvez tenha se sentido constrangida em atestar que fracassou na promessa de reestruturar o hospital, alvo de constantes reclamações na gestão passada, e bandeira da campanha eleitoral de Suzana Ramos. Alvo também de campanas montadas por seus apoiadores na porta do hospital, para pegar flagrantes de mulheres reclamando do mal atendimento prestado pela unidade na gestão do ex-prefeito Paulo Bomfim.
O Portal Preto No Branco revelou uma verdade que, talvez, a gestão municipal quisesse escamotear, por vergonha ou temor das reações dos juazeirenses que bem lembram da promessa eleitoral, esta sim, até o momento, uma “fake news”, um engodo.
Passados quase 8 meses da atual gestão, o volume de reclamações de usuários do sistema público de saúde, só aumenta com queixas do péssimo atendimento não somente no Hospital Materno Infantil, mas nas Unidades Básicas de Saúde, nas farmácias populares sem remédios, no Tratamento Fora Domicílio desumanizado e deficiências nos demais serviços ofertados à população. Para decepção do povo de Juazeiro que apostou massivamente numa mudança.
Pelas redes sociais, manifestações indignadas. Um desgaste que a gestão municipal tentou evitar.
Veja alguns comentários:
“Vergonha! Em tão pouco tempo, essa gestão já fez uma destruição de 4 anos. Só de pensar que essa gestão não completou nem um ano ainda, já dá para imaginar que a cidade vai virar um verdadeiro caos nesses quatro anos de gestão”, declarou um leitor.
“Eu fui um dos que votou nesse governo e não precisei de muito tempo para cair fora. As coisas que acontece com nossa linda e sofrida Juazeiro, terra querida, não é de se espantar! Percebe-se na condução da cidade que as pessoas que aí estão não sabem o que é gestão. As demandas básicas mal se seguram em pé, deixam a desejar e muito. Em cada serviço público prestado a população, são nítidas a pouca capacidade de administração, no qual apresentaram pra Juazeiro como solução em campanha. É tipo o bom currículo recheado na teoria, mas na prática o desastre. Lamento pelas pessoas que necessitam do serviço”, lamentou um leitor.



