“Resido na cidade há cerca de seis anos e nunca enfrentei noites tão perturbadoras como agora. Desde que cheguei aqui fiquei sabendo dos problemas com as muriçocas, mas na minha opinião a situação está cada vez pior. Tenho netos que tem alergia a picada de mosquitos e quando eles estão aqui é sempre muita preocupação”, esse é o relato do morador do bairro Dom Tomaz, em Juazeiro, no Norte da Bahia, Miguel Silva.
Assim como ele, a maioria do moradores do município enfrenta esse problema antigo. Alguns deles chegam a se ariscar na tentativa de amenizar os transtornos causados pela infestação das muriçocas.
“Nem o ventilador, nem repelente e nem os mosquiteiros conseguem aliviar o incômodo que as muriçocas causam. Diante disso, acabamos apelando para alguns produtos que prometem acabar com os mosquitos como o já famoso, ‘pau da muriçocas’. Mas já vi alguns vizinhos no desespero tocarem fogo em caixas de ovos, papelões, e até espumas de colchão para fazer fumaça e afastar as muriçocas, o que pode provocar um incêndio, colocando em risco à saúde e à vida das pessoas “, acrescentou Miguel Silva.
Devido a proximidade com canais, em alguns pontos da cidade a situação é ainda mais crítica, a exemplo do Terminal Rodoviário de Juazeiro, localizado no bairro João XXIII.
“Essa semana estive no local para receber minha irmã que há anos não retornava a Juazeiro. O momento que estivemos na rodoviária foi de horror e desespero. Fomos atacados por nuvens de muriçoca. Fiquei imaginando o sofrimento que os profissionais da rodoviária enfrentam diariamente, além dos moradores do bairro. Fiquei triste também em pensar na péssima recepção e impressão que os visitantes têm ao chegar na cidade por aquele local”, declarou a moradora Maria de Souza.
Nos primeiros meses de gestão, a prefeitura de Juazeiro alcançou bons resultados e conseguiu por um curto período controlar a infestação das muriçocas. À época, o Serviço de Água e Saneamento Ambiental (SAAE) informou que o trabalho de combate às muriçocas, estava sendo feito com a “limpeza adequada e frequente dos canais da cidade – incluindo aplicação de cal”.
Porém, o alívio não durou por muito tempo. Em junho, por falta do produto, conforme assumiu ao PNB, o SAAE, o trabalho de aplicação da cal virgem foi interrompido.
Ainda de acordo com o órgão, no dia 05 de julho, a ação foi retomada e continua sendo feita. Porém, mais de um mês depois, o efeito não vem sendo o esperado pela população.
“A gestão municipal de Juazeiro precisa parar de insistir no erro. Não estão vendo que esse produto que estão aplicando nos canais não está fazendo mais efeito? Ao que parece, mudaram de fornecedor, porque a cal aplicada no início do ano fez um efeito positivo, mas agora, a situação só faz se agravar”, Edneide Santos, moradora do bairro Sol Levante.
De acordo com a assessoria de comunicação do SAAE, após diversas reclamações, a diretora-presidente do órgão, Josilene Alexandre, solicitou que fossem retiradas amostras do produto para testes em laboratório , para reavaliar a sua eficácia, novamente.
“Nossas equipes externas e internas, incluindo nosso time do laboratório, estão trabalhando a todo vapor para que de maneira ainda mais eficaz, e preservando o meio ambiente, possamos voltar aos dias tranquilos de redução da muriçocas em Juazeiro”, destacou a gestora.
Ainda de acordo com Josilene, Juazeiro possui vários riachos, e apesar de toda dificuldade em manter a limpeza, pelo acúmulo de lixo, a prefeitura não para de investir e reforçar o trabalho. “Estamos contando com a colaboração e compreensão da população para cuidar melhor de Juazeiro, a cada dia, com esse importante trabalho”.
Da Redação



