“Não fazem por falta de material”, desabafa gestante que há dois dias espera por um parto no Hospital da Mulher de Juazeiro

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Bastante revoltada, uma gestante de 28 anos, que pediu para não ser identificada, entrou em contato com nossa redação para reclamar do atendimento do Hospital Materno Infantil de Juazeiro.

Ela relatou que está há dois internada na unidade hospitalar para ser submetida a uma cesariana, mas foi informada que não há material para realização da cirurgia.

“Aqui na maternidade de Juazeiro está um caos. Estou internada há dois dias para fazer uma cesariana e eles não fazem por falta de material. Inclusive tem uma menor que na próxima segunda-feira faz 42 semanas de gestação e também não conseguiu o parto. Procurei vocês porque sei que o blog é sério, e infelizmente as coisas só funcionam através de denúncia. Talvez se o blog, mais uma vez, publicasse algo a respeito, a prefeita tome uma atitude”, apelou a gestante.

Ela está na terceira gestação, e nos informou que os primeiros filhos nasceram de cesarianas.

A gestante culpa a gestão municipal por não resolver o problema do hospital, constantemente alvo de críticas e reclamações.

“A culpa não é dos médicos, nem dos enfermeiras, é única e exclusiva da gestão. Já tem tempo que vem estas denúncias, o pessoal reclama e nada muda. A prefeita não fez nada pra mudar a situação. As mulheres que ficam aqui sofrendo, correndo risco , porque tem situação que se demora a fazer a cesariana, a criança pode morrer. A gente só pode contar com Deus, se não for ele, sei não”, finalizou a gestante.

Falta de material e fechamento temporário

Há uma semana, no último dia 17, recebemos a informação de pacientes dando conta do fechamento temporário do Hospital Materno Infantil, em Juazeiro, por falta de material para realização de cirurgias.

“A informação que passaram para nós é de que, por falta de material, o hospital foi fechado. As pacientes estão já sendo encaminhadas pela Central de Regulação para outros hospitais, inclusive para outras cidades, como Senhor do Bonfim. Não tem mais material para atender a nenhuma gestante. Essa gestão veio para terminar de acabar com a saúde pública”, disse um familiar de paciente ao PNB.

Em contato com a diretora do hospital, Graça Carvalho, fomos informados de que não se trata de um fechamento, mas a gestora confirmou que o serviço estava suspenso por falta de vagas.

“O hospital não foi fechado, mas estamos sem vagas, e informamos a Central de Regulação para procurarem encaminhar pacientes de outras cidades, para outras Instituições. Além da limitação de equipamentos, como sala cirúrgicas, estamos com escassez de Campo Cirúrgico, que são os panos utilizados para cirurgias, porque nossos fornecedores estão com dificuldades de matéria prima para fabricação, o tecido Brim, que é o apropriado. procuramos no comércio local, mas não encontramos, pois está em falta no mercado”, informou a gestora.

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou a falta de insumos cirúrgicos e disse que a diretoria médica estaria tentando resolver o problema, já que o prazo que o fornecedor pediu [para entrega dos insumos] ainda estava correndo, “é de 20 dias”, disse a Ascom.

O órgão também confirmou que a lotação de leitos da unidade estava completa e que por isso não poderia receber novas pacientes neste momento.

Repercussão negativa

Após a repercussão negativa da decisão, em uma nova justificativa, a Sesau enviou uma nota à imprensa, tratando o assunto como “fake news”, e repudiando “qualquer notícia falsa sobre suposto fechamento do Hospital Materno Infantil”.

De acordo com informações obtidas pelo PNB, com fontes que pediram para não ser identificadas, na manhã do dia 18, o Hospital Materno Infantil de Juazeiro conseguiu insumos emprestados no hospital Dom Malan de Petrolina, e a Sesau informou que a unidade de saúde continuava aberta, porém funcionando com a lotação completa.

Relatório do Conselho Municipal de Saúde

Em visita realizada ao Hospital Materno Infantil de Juazeiro, o Conselho Municipal de saúde encontrou diversas deficiências estruturais. A informação foi enviada ao Portal Preto no Branco pelo presidente do CMS, Irmão Robson.

Entre as deficiências encontradas estão o número insuficiente de lençóis, LAP e leitos, além do grave problema com o lixo hospitalar, que segundo o conselho, passa mais de 15 dias sem ser recolhido.

“O relatório foi encaminhado ao Ministério Público Estadual, no dia 27 de julho, para que o município fosse acionado e respondesse sobre as deficiências encontradas. O relatório, que também apontava deficiências em algumas UBS, foi encaminhado antes para a Secretária de Saúde, solicitando que o órgão se posicionasse sobre o levantamento feito pelo Conselho, mas não houve resposta por parte da SMS, e posteriormente encaminhamos o referido relatório e outras demandas ao MP”, declarou o presidente do CMS.

Confira nota na íntegra:

Atendendo a solicitação de vossa senhoria, a cerca de informações sobre o Hospital Materno Infantil e algumas UBS do município, enviamos alguns pontos que esta comissão identificou. Vale ressaltar que o relatório foi encaminhado à secretaria de saúde e também ao Ministério Público Estadual.

Observamos as deficiências estruturais como paredes com falta de azulejos e rachaduras, piso reformado inadequado, salas com grande infiltração e incidência de mofo, banheiros necessitando de reforma urgente, autoclave insuficiente (a autoclavagem é um tratamento térmico bastante utilizado no ambiente hospitalar e que consiste em manter o material contaminado a uma temperatura elevada, através do contato com vapor de água,
durante um período de tempo suficiente para destruir todos os agentes patogênicos).

Centro cirúrgico necessitando de mais dois devido a demanda reprimida. Lençóis e LAP insuficientes, número de Leitos insuficientes, grave problema com o lixo hospitalar que passa mais de 15 dias sem ser recolhidos.

A Comissão também visitou algumas Unidades Básicas de Saúde. OBJETIVO: Avaliar as condições estruturais e de funcionamento das Unidades dos bairros: ARGEMIRO, CODEVASF, PIRANGA I E II, para possíveis mudanças.
NÃO CONFORMIDADES- Problemas Identificados na UBS: · Sala de vacina: – Infiltração e mofo, -Ar condicionado com defeito, (há + ou – 15 dias, drenagem da água para dentro da sala, ocasionando alagamento no momento da visita), – Porta com defeito (quebrada), – Falta computador para digitação das vacinas aplicadas (dados são lançados em qualquer equipamento que esteja disponível no momento, ressaltando que na USF
só há no computador da sala do médico e enfermeiro. -Somente 01 profissional para atender as demandas das 4 ESF) (Conselho Municipal de Saúde).

Da Redação

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