Em contato com o Portal Preto no Branco, um grupo de artistas que participaram do Festival Integrado das Artes dos Povos Pretos, realizado pela Prefeitura de Juazeiro, no Norte da Bahia, apontaram algumas irregularidades ocorridas durante a realização do evento.
De acordo com os trabalhadores da cultura, entre os problemas estão deficiências na elaboração do edital e falta de espaço adequado para as exposições dos artistas visuais durante a programação do festival.
“Publicaram um edital apressado, com um texto confuso, com menos de 45 dias de duração, o que acarretou em prazos curtíssimos e pouca mobilização dxs artistas negrxs. Mesmo assim, compreendendo a importância de ocupar os espaços e garantir a efetividade da politica pública de promoção da igualdade racial, alguns decidiram participar, apesar da adesão baixíssima em todas as linguagens. Além disso, também há relatos de diversas irregularidades e desrespeitos com as obras e com os artistas durante o festival. Especialmente com a turma das artes visuais, que sequer teve um espaço adequado para expor seus trabalhos. Há relatos, inclusive, de danificação de uma obra por parte da organização do evento”, reclamaram.
Os artistas denunciam ainda que muitos trabalhadores da cultura não receberam o valor da premiação e que ainda há previsão para o pagamento.
“Devido a baixa adesão de artistas e público, a coordenação começou a mobilizar os participantes para o evento de encerramento, prometendo o pagamento dos prêmios no ato de premiação, ou seja, no dia 30 de novembro. Mas chegando lá, a coordenação alegou problemas de sistema (não se sabe qual) e prometeu pagar a premiação na sexta-feira subsequente, dia 03. Na sexta feira, os artistas se dirigiram a diretoria da Secretaria de Diversidade, mas retornaram com as mãos abanando. Na ocasião, a coordenação informou que o pagamento só poderia ser realizado na segunda-feira (06), por que estavam aguardando a empresa licitada para efetuar os pagamentos. Empresa licitada? Mas o pagamento não seria via edital? Que licitação? Na segunda, houve um silêncio total da coordenação. Alguns artistas começaram a cobrar nos grupos de whatsaap, quando a coordenação informou que o pagamento seria efetuado às 16h30 daquele dia. Alguns foram no horário marcado. No entanto, mais uma vez voltaram com as mãos abanando e com a promessa de que o pagamento seria efetuado no dia posterior. Na terça (07) a coordenação informou que o pagamento estava sendo realizado na diretoria da Secretaria de Diversidade, e de fato estava. Alguns chegaram a receber o valor da premiação em dinheiro, mas estava bom demais para ser verdade, e parte dos artistas voltaram com as mãos abanando, porque o dinheiro simplesmente tinha acabado. A coordenação alegou que não sacou o dinheiro total porque era perigoso ficar com tanto dinheiro em mão. E por que não fizeram uma programação? Quando então informou que o pagamento dos demais premiados seria feito no dia posterior. Na quarta-feira (08), a coordenação alegou dificuldade no saque do valor restante e disse não haver previsão de pagamento. Dadas os fatos, cabe algumas questões: Que empresa licitada é essa? Porque o pagamento está sendo efetuado em dinheiro e não em transferência bancaria como o próprio edital prevê? Dinheiro guardado na gaveta?Mesmo com tanta tecnologia voltamos ao tempo em que os gestores guardavam o dinheiro na gaveta das repartições?”, questionaram.
O PNB já encaminhou as reclamações para a Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte (Seculte).
Da Redação PNB



