
Depois de passar uma campanha inteira fugindo do rótulo de “político religioso”, para evitar a rejeição de eleitores — como acabou ocorrendo em 2014, na campanha para o governo do estado —, o lado bispo de Marcelo Crivella falou mais alto durante a cerimônia de posse, e em muitos momentos. A palavra “Deus”, por exemplo, foi citada sete vezes em uma fala de trinta minutos. Ele também falou de Jesus, fé, bençãos, pastores, agradeceu a religiosos de diversas correntes e se incluiu como “pastor” em determinado momento do discurso.
Assim que começou o pronunciamento, Crivella mostrou que o tom do discurso seria bem diferente dos debates e agendas de meses atrás:
— Queria agradecer em primeiro lugar a Deus por esse momento, por sua graça, por esse amor que Deus tem por cada um de nós.
— Eu preciso também agradecer às igrejas. Pela primeira vez, eu pude me aproximar da Igreja Católica. Eu presto aqui uma homenagem a Dom Orani, que mesmo nos momentos difíceis de acusações, próprios desses dilúvios que são as campanhas políticas na nossa cidade, ele fez como disse Jesus, olhou com bons olhos, com maturidade e verificou que mais importante que qualquer acusação de jornal, de notícias, eram os valores em defesa da vida, da família, que um dia tanto ele quanto seus padres, seus bispos e nós pastores, juramos amar e preservar para sempre.
Crivella fez muitas referências aos “irmãos evangélicos”, disse que recebeu o voto de 90% deles e se mostrou surpreso. Em um determinado momento do discurso, lançou mão também, repetidas vezes, da palavra família, associando sempre o seu significado à união entre homem e mulher.
Ao falar de família, fez referência à dele, citando uma frase de seu tio, o bispo Edir Macedo, de quem também tentou mostrar distanciamento durante a corrida eleitoral:
— Uma das frases mais lindas que ouvi na minha vida foi a do Bispo Macedo. Deus é pai, filho e espírito santo. Deus é família. A maior honra que um homem e uma mulher podem construir ao longo de suas vidas.
Além de fazer vários agradecimentos e pedidos de bençãos a Deus, Crivella entoou seu discurso em um tom parecido com o de um sermão: calmo, frisando palavras importantes. Em dado momento, fez uma menção a uma passagem do evangelho de Matheus, no trecho conhecido como o sermão da montanha.
— É preciso que a consciência e o espírito público das nossas elites se antecipem à reivindicação dos homens do povo para que a solidariedade apazigue a revolta dos que têm fome e sede de Justiça. — declarou o prefeito, ao comentar o combate à desigualde social.
O Globo


