Nos últimos dias, o Portal Preto no Branco vem recebendo de responsáveis e alunos das escolas municipais de Juazeiro, no Norte da Bahia, denúncias sobre a “péssima qualidade” da merenda escolar que vem sendo servida em algumas instituições de ensino. São diversos relatos de indignação e cobranças de providências ao poder público.
Desta vez, nossa equipe foi procura pelo Conselho Tutelar de Juazeiro, responsável por zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. De acordo com o coordenador, Zezinho da Messi, o órgão também vem sendo procurado por familiares dos alunos.
“Estão chegando algumas denúncias sobre a alimentação das nossas crianças e adolescentes nas escolas municipais de Juazeiro. Nós vamos fiscalizar todas. Inclusive já fomos em duas escola. Caso as situações relatadas sejam constatadas, levaremos o caso para o Ministério Público”, declarou Zezinho.
Do mesmo modo, em contato com o PNB, o presidente da APLB-sindicato, informou que as denúncias também estão sendo feita por professores.
“Gostaria de chamar atenção da Câmara de Vereadores e de todos os setores da sociedade, para que a gente preste atenção no que está acontecendo em Juazeiro. É um verdadeiro descalabro na educação. Hoje recebi, mais uma vez, como em várias outras vezes, fotos da merenda que está sendo servida nas Escolas de Ensino Infantil de Juazeiro. Desta vez, a reclamação veio da creche Mariá Tanuri. Fiquei surpreso com o café da manhã das crianças. Um arroz com carne moída. Apenas isso. As fotos foram enviadas pelos professores e mães de alunos que estão sempre antenadas, tentando chamar atenção da sociedade, para que a gente muda este quadro e esta falta de respeito com as crianças e com os bebês que estão neste momento nas creches, espalhadas por nossa cidade. Então, é preciso denunciar e dar destaque a essa irresponsabilidade que está acontecendo com relação ao cardápio da Educação de Juazeiro entre outros descalabros”, disse Nery.

Dona Maria José Silva, avó de uma criança de 3 anos, questionou: “Prefeita, seu filho comeria isto? Que sustança tem neste ‘engrolado’? As crianças de Juazeiro carecem de respeito!”, criticou.
O PNB está encaminhando, mais uma vez, a reclamação para a Secretaria de Educação de Juazeiro.
Outras reclamações
Apesar das reclamações, a situação continua, de acordo com os responsáveis e estudantes do município. Desta vez, uma mãe de uma aluna da Escola de Tempo Integral, Iracema da Paixão, criticou também a proibição da entrada de lanches enviados pelos responsáveis na instituição. Segundo ela, alguns alunos estão recusando a alimentação escolar e sofrendo ameaças de expulsão se levar o lanche de casa.
“Sou mãe de aluna e sabemos que os lanches servidos nas escolas não são de boa qualidade. Por conta disso, uma aluna levou um lanche de casa e a gestora disse que se a aluna não comesse da merenda da escola a mesma seria expulsa. Essa gestora gosta de impor a vontade dela perante os demais. Desde quando uma criança pode ser expulsa por não querer consumir um lanche ou por levar lanche para a escola?”, questionou a responsável.
A mãe nos enviou um comunicado da direção da escola informando sobre a proibição de levar o lanche de casa.
Em relação a escola Iracema da Paixão, a Secretaria de Educação e Juventude de Juazeiro (Seduc), procurada pelo PNB, disse que “a situação relatada não procede e reforça a boa qualidade dos alimentos oferecidos na merenda escolar. A construção do cardápio, bem como a escolha dos alimentos passa por uma equipe de nutricionistas, visando oferecer uma merenda saudável e que atenda às normas de qualidade estabelecidas pelos órgãos reguladores da merenda escolar”(Ascom Seduc).
Pelas redes sociais do PNB, outras mães reclamaram da falta de um cardápio organizado e planejado nas escolas. Veja alguns comentários:
“Triste viu! E em outras escolas não é diferente. A merenda chega sem controle e organização, tem uns itens, faltam outros, é feita de improviso”.
“Pior é aqui no bairro Tabuleiro, porque só serve bolacha e suco. Minha menina tem seis anos e falou:’ mãe, estou cansada de bolacha’.
“Na escola Joca, no bairro Maringá, só servem cuscuz com ovo quase todos os dias. Minha filha é alérgica a ovo e a semana passada comeu cuscuz seco para não ficar com fome”.

As maiores reclamações são referentes a alimentação que vem sendo oferecida aos alunos da Escola de Tempo Integral Paulo VI.
Veja alguns comentários:
“Esse é o almoço que o Colégio Paulo VI está servindo para os alunos. Nós, pais, estamos indignados com essa situação. Não foi só ontem que serviram essa lavagem não, são todos os dias. Ontem, os alunos fizeram protesto contra o almoço que eles estão recebendo. Uma gororoba! Meu filho todos os dias chega com dor de cabeça por conta de fome. Eles ficam tempo integral, e até o lanche é de terceira qualidade. Até com o Yogurte ele já passou mal”.
“Tenho uma filha que estuda lá e ela disse que a macarronada parece sopa. A merendeira fala que é carne moída, sendo que é só soja papada. Que seja soja, mas uma soja bem feita. Quando ela chega em casa às 15:45 é que ela vai almoçar. Imagina aí uma criança desde cedo na escola estudando e não se alimenta direito porque a comida é ruim, e ainda tem que tem mente pra estudar”.
“É sempre assim! O arroz é malfeito com carne moída na maioria dos dias. Se não conseguem dar uma comida de qualidade e bem feita para os alunos, façam turno normal. Isso é uma falta de respeito com as crianças. Um absurdo”.
“Infelizmente é nossa realidade. Tem nem água para tirar o gosto dessa lavagem da boca, só água quente e mau. E além disso, quando minha mãe leva comida pra mim eles brigam porque é proibido levar comida”.
“Os responsáveis pelo almoço ‘delicioso’ deveriam se sentar à mesa e servir a prefeita, os vereadores e a nutricionista. Que tenham coragem e comam esse almoço que serviram hoje para minhas filhas, que nem almoçaram hoje. Saíram de casa cedo e chegam de tardezinha com fome em casa”.
O PNB já encaminhou as reclamações para a Secretaria de Educação e Juventude de Juazeiro, sobre a alimentação do Colégio Paulo VI, mas, até o momento, o órgão não se manifestou. A Seduc informou apenas que iria “apurar a situação”.
Redação PNB



