Juazeiro e Petrolina: nova onda da Covid-19 pega rede se saúde pública e privada despreparada e usuários cobram providências; são quase 3 mil casos ativos nas duas cidades

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Com a retomadas das festas, a desobrigação do uso de máscaras, e o fim do distanciamento social, o aumento dos casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus já era previsto por especialistas. Porém, no Vale do São Francisco, onde grandes eventos foram realizados reunindo milhares de pessoas, ao que parece, as unidades de saúde pública e privada, não se prepararam para este efeito.

Nas últimas semanas, o que se viu nos municípios vizinhos de Juazeiro, no Norte da Bahia, e em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, foram filas gigantescas nos pontos de testagem, que geraram reclamações.

No município baiano, por exemplo, a falta de estrutura do Lacen, único ponto de testagem no momento, tem gerado insatisfação nos usuários e nessa sexta-feira (1), até a Guarda Municipal e a Polícia Militar foram acionadas para conter uma confusão no local, que não está comportando o aumento na demanda.

“Lugar pequeno, pessoas aglomeradas, não tem um lugar pra ninguém sentar. Aqui tem idosos, crianças, muita gente junta. Quem não está com Covid, contrai aqui mesmo”, reclamou a usuária Tainá de Jesus Souza, moradora do Dom José Rodrigue.

Em Petrolina, na última segunda-feira (28), uma fila quilométrica, com centenas de pessoas, se formou no Centro de Covid, na época o único ponto de testagem. Após muitas reclamações, a Secretaria de Saúde ampliou a testagem, que passou a ser realizada no Centro de Convenções, um local mais amplo.

Mas até os moradores que buscam fugir dessas filas, e optam por comprar os testes nas farmácias, têm encontrado prateleiras vazias na região, como relata a jornalista Amanda Lima.

“Essa semana eu tive alguns sintomas gripais e como tenho pessoas do grupo de risco no meu convívio, busquei fazer o teste, para tomar as medidas necessárias de tratamento e isolamento, caso tivesse positivado. Mas eu tive muita dificuldade de encontrar os testes aqui na região. Na quinta-feira (30), fui em uma rede grande e a atendente me informou que não tinha mais em nenhuma farmácia da rede o teste que é feito pelo farmacêutico, e nem o auto-teste. Então, quando eu passei em algumas farmácias, percebi que realmente o produto estava em falta.  Foi aí que eu fui atrás dos laboratórios e aí consegui fazer o teste no valor de R$ 70,00 e felizmente deu negativo e eu pude tratar como gripe comum, depois de passar pelo médico. Mas realmente foi muito complicado encontrar o teste. Acredito que do dia que eu fiz essa busca, até hoje, a situação esteja ainda pior, porque o número de casos positivos tem aumentado aqui na região. Então está bem complicado conseguir esse tipo de produto de serviço aqui em Juazeiro e Petrolina”.

Com o aumento na busca por testagem, também tem crescido o número de pessoas positivadas no Vale São Francisco. Juntas, Juazeiro e Petrolina somam neste sábado (2), quase 3 mil casos ativos.

Este canário, também vem afetando negativamente a rede hospitalar do município, que já haviam desativado as alas Covid e também não se preparam para o aumento no número de novos casos.

No Hospital Regional de Juazeiro, por exemplo, de acordo com informações que chegaram ao PNB, por conta do aumento da demanda, houve uma ausência de testes no estoque da unidade.

“Muitos pacientes estão positivando para a Covid-19. Além disso, cerca de 50 funcionários do hospital também testaram positivo nas últimas semanas. Felizmente, a maioria está com sintomas leves. Os casos que estão precisando de oxigenação são de pacientes que tomaram apenas uma dose da vacina ou não tomaram nenhuma”, declarou uma fonte ao PNB.

Ainda por conta da ausência de planejamento, os pacientes que testam positivo estão sendo mantidos no mesmo espaço que os demais, como nos relatou nessa sexta-feira (01), a acompanhante de uma idosa que está internada no HRJ.

“Eu estou muito aflita com essa situação. O Hospital Regional de Juazeiro está cheio de pacientes com Covid e ninguém está nem aí. Uma menina que está no mesmo quarto que minha mãe testou positivo para Covid quinta-feira a tarde e ela ainda continua no mesmo quarto. Minha mãe é uma idosa de 80 anos, que está internada aguardando por uma cirurgia, e está no quarto com essa pessoa que está com Covid. E, não é só aqui no quarto que minha mãe está, existem outros quartos com a mesma situação. O hospital não está isolando as pessoas contaminadas. Elas estão misturadas com as outras pessoas que estão internadas, inclusive idosos, como é o caso da minha mãe. Eles precisam tomar alguma providência, pois isso não pode continuar do jeito que está”, cobrou.

A situação também não tem sido diferente na rede privada. Fernanda Dantas, usuária do Plano de Saúde Unimed Vale do São Francisco,  também disse ao PNB que os usuários que apresentam sintomas gripais e suspeitos da covid-19 estão sendo atendidos no mesmo espaço que os demais pacientes que procuram a urgência e emergência do hospital, em Juazeiro, com outras demandas de saúde. De acordo com ela, as medidas de segurança sanitária contra a covid-19, não estão sendo mais mantidas na unidade.

“A urgência fica disponível para geral. As pessoas que aguardavam atendimento na fila estavam com suspeita de covid, e juntas na mesma recepção. Não está mais dividido como antes. Agora nem perguntam mais se tem sintoma de gripe, você só aguarda e fim. Se a pessoa não tiver com a covid, pega ali mesmo. Há uns 3 meses, o atendimento estava separado. Em Petrolina permanece separado, em Juazeiro não. A mesma coisa na parte da pediatria (infantil) crianças ficam misturadas. A única coisa que está separado ali é o atendimento infantil, do atendimento adulto”, relatou.

Nesta sexta-feira (1), uma usuária da Unimed Vale do São Francisco, em contato com o PNB, chamou atenção  sobre o atendimento no hospital do Plano de Saúde, em Petrolina. De acordo com ela, as pessoas com sintomas gripais estão sendo atendidas na mesma recepção que os usuários com outros problemas de saúde.

“O local de atendimento para pessoas com síndromes gripais e o mesmo para os outros casos que buscam a urgência e emergência. Todo mundo junto, idosos, adultos, jovens com qualquer situação de saúde. A maioria aqui está com tosse e sintomas de gripe ou covid. Até as grávidas ficam junto dos gripados. Inclusive, presenciei uma idosa que tomou uma queda e estava na mesma recepção em uma cadeira de rodas”, contou a usuária.

Redação PNB

 

 

 

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